A viagem de cruzeiro duraria apenas meio mês, e agora restavam os últimos cinco dias. Em dois dias chegariam ao Japão e, depois, seguiriam para o Brasil.
Ao chegarem no Japão, Bianca começou a sentir enjoos matinais frequentes e seu rosto estava pálido. Bernardo dedicou-se inteiramente a cuidar dela, e os dois não desceram mais do navio.
Até que o cruzeiro zarpou novamente e chegou ao Porto de Santos. Eles finalmente desembarcaram. Santos era a cidade onde Luna e Bernardo viviam antes de tudo acontecer... A inquietude no coração de Luna tornou-se quase insuportável.
...
Bernardo levou Bianca imediatamente a um hospital para fazer um ultrassom e ficou aliviado ao saber que eram apenas sintomas normais da gestação. Após saírem do hospital, os dois se hospedaram em um hotel próximo.
Enquanto Bianca descansava no quarto, Bernardo saiu para comprar itens de higiene e mantimentos. Luna o seguia de perto, observando-o jogar coisas no carrinho de compras de qualquer jeito.
Ela não resistiu e começou a "dar palpites", mesmo sabendo que ele não ouvia: "Isso grávida não pode usar... isso é inútil... por que você está comprando isso?"
Depois de muito falar, Bernardo acabou levando tudo o que ela criticara. Luna sentiu uma vontade súbita de rir; seu interior se aqueceu. Ela se lembrou de uma vez em que, durante as férias, acompanhou Bernardo em uma viagem de negócios. Ela acabou ficando doente por não se adaptar à comida local, e Bernardo, desesperado, correu à farmácia e voltou com uma sacola enorme de remédios.
Luna riu tanto que quase se curou na hora. Ela brincou: "Por que você não trouxe a farmácia inteira de uma vez?" Na verdade, ele só queria ser precavido, temendo que algo faltasse quando fosse necessário.
Ele comprou duas sacolas cheias de coisas. Ao sair do supermercado, Luna suspirou. Mas, quando ele estava prestes a voltar para o hotel, alguém surgiu por trás e o barrou.
— Bernardo? Bernardo Fontes, é você mesmo?!
Luna virou o rosto em choque e viu uma face familiar. Como o mundo podia ser tão pequeno? Era Tiago Rocha, um colega de faculdade de Bernardo.
Bernardo franziu o cenho, confuso, e perguntou com a voz grave: — Quem é você?
Tiago respondeu imediatamente: — Eu sou o Tiago, o cara que dormia na beliche da frente na república! Cara, que incrível, você está vivo! Precisamos marcar algo com a Luna qualquer dia desses!
A mão de Bernardo apertou com força a alça da sacola de compras. Ele disse friamente: — Você se enganou. Não sou quem você pensa e não te conheço.
Tiago franziu a testa e retrucou: — Impossível! Minha memória é excelente, eu jamais te confundiria! Você é o Bernardo Fontes!
— Se não acredita, verifique se não tem uma cicatriz no lado esquerdo do abdômen! Foi de uma facada que você levou para defender a Luna de uns valentões na época da faculdade!
O rosto de Bernardo empalideceu instantaneamente. Ele cravou as unhas na palma da mão. O coração de Luna também afundou. Tiago estava certo; como os dois eram figuras populares no campus, muita gente sabia desse incidente.
Bernardo ainda tentou ignorar, fazendo menção de ir embora. Tiago, porém, perdeu a paciência.
— Bernardo, se você não quer me reconhecer, tudo bem. Mas a Luna te esperou por sete anos seguidos! Como você tem coragem?!
— Se ainda não acredita, pegue um táxi agora mesmo e vá até a sede do Grupo Fontes! Alguém lá te dará a resposta!
Dito isso, Tiago se retirou furioso. Bernardo quis ignorar aquelas palavras, quis apenas voltar para o hotel. Mas um impulso interno avassalador o guiou até um táxi, direto para o prédio da empresa.
No momento em que ele apareceu, desde os seguranças na porta até os funcionários que entravam e saíam, todos paralisaram, olhando-o sem acreditar.
— Sr... Sr. Fontes?!
Bernardo, agindo como um autômato, foi escoltado por uma multidão atônita para dentro do edifício. A verdade estava prestes a ser revelada. Luna pensou em Bianca e, estranhamente, não conseguiu se sentir feliz.
Um assistente, trêmulo, disse a Bernardo: — Depois que o senhor partiu, a Srta. Luna preservou o seu escritório impecavelmente. Ninguém tinha permissão para entrar; ela mesma fazia questão de limpar tudo pessoalmente.
Bernardo entrou lentamente na sala. E então, com um único olhar, viu um porta-retrato sobre a mesa: uma foto íntima. Na imagem, a mulher usava um vestido de noiva e era abraçada por trás por um homem que sorria radiante. Eles pareciam tão... felizes.
Naquele instante, a mulher que aparecia nos borrões de memória de Bernardo finalmente ganhou um rosto claro. Foi só nesse momento que ele finalmente acreditou: ele era o Bernardo Fontes daquela empresa.
O "falecido marido" de Luna Simões.