《Encontrado Após Sete Anos: Meu Marido Tem Outra Mulher》Capítulo 6

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Bernardo hesitou por um instante, mas talvez o desejo de que Luna partisse o quanto antes tenha falado mais alto. Ele finalmente assentiu: "Está bem."

Luna observou as costas de Bernardo enquanto ele se afastava com frieza, e não conseguia aplacar a agonia em seu peito.

Bernardo, assim que eu terminar a homenagem ao homem que você era sete anos atrás, nosso adeus será definitivo.

...

Ao retornar ao hotel, Luna convocou o advogado da família Fontes que a acompanhara na viagem à Alemanha. Ela lhe entregou os documentos de transferência de bens.

"Não pretendo voltar ao Brasil. Amanhã, às oito da manhã, quero que devolva ao Bernardo Fontes todo o patrimônio que assumi sob custódia há sete anos."

Após a saída do advogado, Luna retirou debaixo da cama a caixa de papelão repleta de recordações. Inicialmente, planejava despachá-las, mas mudou de ideia. Se estava desistindo de Bernardo, não havia motivo para manter objetos íntimos que pudessem incomodá-lo. Certamente, ele não gostaria que sua nova esposa encontrasse nada daquilo.

Luna abriu a caixa e começou a retirar as peças, uma a uma.

Fotos do casal. Camisetas personalizadas com seus nomes. A caixinha de música que ele lhe dera no dia da declaração. Cada item era uma prova do amor que viveram.

O primeiro item que ela entregou às chamas foi o álbum de casamento. Lembrava-se de que, durante a sessão de fotos, o fotógrafo vivia dizendo: "O noivo não pode sorrir o tempo todo". Mas Bernardo não conseguia parar de sorrir sempre que olhava para Luna.

Ela folheava as páginas, rindo entre lágrimas, enquanto jogava as fotos no fogo, uma por uma.

Aniquilação total. As memórias exclusivas deles estavam virando cinzas.

Bernardo, agora eu liberto você para viver o seu novo amor.

Na manhã seguinte, bem cedo, Luna fez uma maquiagem suave, idêntica à que usava quando se conheceram nos tempos de escola. Era o seu último encontro com ele.

Ao sair pelo saguão do hotel, avistou Bernardo esperando junto à porta. Ele pareceu hesitar ao vê-la, mas logo recuperou a costumeira indiferença.

No segundo seguinte, a porta traseira do carro se abriu. Bianca Lins apareceu com um sorriso: "Irmã Luna! Vamos para a praia? Venha logo com a gente!"

O rosto de Luna empalideceu ao vê-la. Bernardo disse em tom baixo e seco: "A Bianca é muito pura, e eu faço questão de dar a ela total segurança."

Ou seja, ele se sentia desconfortável em ir sozinho com Luna e, para evitar qualquer mal-entendido, trouxera a esposa propositalmente.

Luna forçou um sorriso rígido e murmurou com dificuldade: "Tudo bem... É melhor assim."

Em pouco tempo, chegaram à região costeira onde Bernardo havia naufragado. Luna encarou as ondas sucessivas, sentindo os olhos arderem novamente. Ela respirou fundo, tentando buscar ar.

Bianca perguntou curiosa: "Irmã Luna, esta não é a mesma praia onde encontrei o Bê? O que viemos fazer aqui?"

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Luna permaneceu em silêncio por alguns segundos, notando a expressão gélida de Bernardo. Suportando a dor lancinante, ela sussurrou: "Meu marido sofreu um acidente neste mar."

"Vim prestar uma homenagem para dizer a ele... que finalmente vim buscá-lo."

Bianca ficou com os olhos marejados: "Irmã Luna, espero do fundo do coração que vocês se reencontrem em uma próxima vida."

Ao ver Bianca chorar, Bernardo imediatamente a envolveu em seus braços, inclinando-se para enxugar suas lágrimas com carinho. Luna observou a intimidade e a ternura dos dois e mergulhou no silêncio.

Será que se encontrariam em outra vida? Provavelmente não.

Pois a próxima vida dele já devia estar prometida a Bianca Lins, e não mais a Luna Simões. E talvez fosse melhor assim.

Após a silenciosa homenagem, Luna virou-se para o casal: "Obrigada por me acompanharem. Podem ir na frente, eu gostaria de ficar um pouco sozinha."

Bianca parecia relutante em deixá-la, mas Bernardo, sem olhar para trás, conduziu a esposa de volta ao carro e partiram. Luna observou o vulto do carro sumir, enquanto as lágrimas jorravam como uma fonte.

Ela ficou parada na areia por muito tempo, até que, em um transe, pareceu ver o Bernardo de sete anos atrás acenando para ela no meio das ondas. O oceano havia levado o homem que a amava profundamente.

Luna se levantou e, sob a luz pálida da manhã, começou a caminhar em direção ao mar, passo a passo.

"Vim te buscar, Bernardo..."

...

Exatamente uma hora após a saída da praia, às oito da manhã, um homem que se identificou como advogado do Grupo Fontes localizou Bernardo e o convidou para uma cafeteria.

Bernardo encarou o estranho, franzindo o cenho: "Por que insistiu em falar comigo longe da minha esposa?"

O advogado lhe estendeu um contrato.

"Sr. Fontes, o senhor é agora o único herdeiro do Grupo Fontes. Já que está vivo, é justo que retorne para assumir o comando."

"A Srta. Luna Simões pediu para informar que cuidou de todo o patrimônio para o senhor nestes sete anos, e que agora é hora de tudo voltar ao legítimo dono."

O coração de Bernardo deu um solavanco súbito. Mas ele logo se recompôs, sem sequer olhar para o documento.

"Que tipo de jogo a Luna Simões está tentando fazer agora?", disse ele com frieza. "Eu já deixei bem claro que não sou o Bernardo Fontes que vocês conheciam."

O advogado, então, lhe entregou outro envelope com um laudo.

"Sr. Fontes, este é o resultado do exame de DNA que realizamos. Pode conferir."

"Foi feito por um instituto de biotecnologia renomado aqui na Alemanha, sem margem para erros."

"O cruzamento de dados confirma: o senhor é Bernardo Fontes, o CEO do Grupo Fontes desaparecido há sete anos e marido de Luna Simões."

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