《A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor》Capítulo 23 (Fim)

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Liana começou a falar de como seus pais adotivos costumavam assistir a dramas coreanos. Quando viam tramas de amores sofridos, eles a alertavam para nunca se envolver com homens que fizessem uma mulher sofrer, e ainda o repreendiam: — Se alguém um dia maltratar sua irmã, você, como irmão mais velho, tem o dever de protegê-la! Ouviu bem?

Naquela época, Lucas, que ainda sentia implicância por Liana, brincava com um avião de brinquedo sem sequer levantar a cabeça: — Liana, se você for maltratada por um homem desses e ainda assim perdoá-lo, você merece o sofrimento. E nem pense em voltar para a nossa casa; eu não serei seu irmão e a família Lu não passará por essa vergonha!

Logo em seguida, ele levou um tapa nas costas dado pela Sra. Lu.

— Então, Lucas, eu não quero "merecer o sofrimento" — o tom de Liana permanecia firme. — Eu não vou te perdoar. Não adianta o quanto você insista.

— Nós... terminamos aqui.

Gotas geladas de água escorreram pelo pescoço de Lucas, mas o efeito foi de brasas derretendo seu coração. Ele jamais imaginou que chegariam a esse ponto. O pior era saber que o resultado de tê-la perdido era culpa inteiramente sua. Toda a dor fora causada por ele, aquele canalha.

Ambos ficaram em silêncio. Lucas não parou de caminhar e, ao se aproximar da estrada, o Sr. e a Sra. Yu já haviam chegado para resgatá-los. Ele estancou o passo naquele momento, como se quisesse ganhar mais alguns segundos com ela. Apenas mais um pouco.

— Não chore... eu prometi que não te faria chorar mais. Eu errei.

Mesmo querendo ficar, a Sra. Yu aproximou-se dele. Pessoas começaram a se aglomerar ao redor; devido às notícias recentes e à fama de Lucas, muitos já o haviam reconhecido. Vários começaram a cochichar e apontar para eles, proferindo comentários maldosos que podiam ser ouvidos claramente.

Ele podia suportar aquilo, mas Liana não. Ela merecia o melhor do mundo. Por isso, ele só pôde entregá-la aos cuidados de sua nova família.

— Lia, eu não vou mais te procurar.

Finalmente, ele aceitou a partida dela. Liana não respondeu; apenas limpou os olhos quando ninguém estava olhando, escondendo qualquer rastro de lágrimas que pudesse existir.

Um ano depois:

O casal Xia foi condenado por homicídio doloso à prisão perpétua. Yasmin, que teve a parte inferior do corpo amputada devido ao acidente, foi condenada a quinze anos de prisão por lesão corporal dolosa.

Três anos depois:

Lucas, agora aposentado da carreira artística, estava no norte da Europa observando a neve. Após vingar a morte de seus pais, ele passou a viajar pelo mundo, buscando lugares onde ninguém o conhecesse.

De repente, através da lente de sua câmera, surgiu um rosto com o qual ele não ousava mais sonhar. Lucas levantou a cabeça bruscamente; não importava quantas vezes encontrasse pessoas parecidas, ele sempre olhava por instinto. Mas, desta vez, até a voz era idêntica.

— Eu vou lá discutir com aquele sujeito! Que direito ele tem de desprezar asiáticos que estudam música?!

Era realmente ela. Mas não era mais a versão sombria e contida do passado; estava radiante, animada... uma verdadeira princesa. Nestes últimos dois anos, ele só tivera notícias dela pela mídia. Seus concertos eram sucessos absolutos, suas trilhas sonoras para filmes eram aclamadas, e bilhões de pessoas ao redor do globo a assistiram se apresentar na abertura dos Jogos Olímpicos. Com a carreira consolidada, os escândalos do passado não tinham mais poder sobre ela.

Contudo, agora, ao lado dela, havia um homem — aquele mesmo com quem ele saíra no soco.

— Isso mesmo! Vamos lá! Eu aprendi técnicas novas de luta recentemente, eu cubro a retaguarda! — respondeu Augusto.

As vozes foram se distanciando enquanto eles passavam. Lucas fixou o olhar na direção deles, incapaz de se recuperar do choque. Há poucos instantes, ele notara os anéis de casamento no dedo anelar direito de ambos; claramente um par.

Uma lufada de vento frio soprou, trazendo Lucas de volta à realidade, com uma melancolia impossível de esconder. Seu ombro doía levemente, uma sequela daquele acidente de carro.

As palavras que ele dissera naquele dia pareceram ecoar do passado:

"Lia, eu não vou mais te procurar—"

Seguidas por aquilo que ele sussurrara apenas para si mesmo:

"—mas eu estarei sempre no mesmo lugar, esperando por você."

Desta vez, porém, Lucas finalmente compreendeu: não importava se ela tivesse ouvido ou não, ele jamais veria seu retorno.

(Fim)

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