Liana aproximou-se e, com um sorriso suave, pediu que a Sra. Yu os deixasse a sós, garantindo que poderia resolver a situação. No jardim dos fundos, restaram apenas os dois.
— A verdade sobre o assassinato dos nossos pais... eu já sei de tudo — Liana disse, encarando-o fixamente. — Quando foi que você descobriu isso? E por que nunca me contou?
Lucas levantou-se. — Comecei a suspeitar no momento em que a polícia declarou que foi um acidente por embriaguez. Nossos pais sempre foram prudentes; naquela época, eles estavam tomando remédios para gripe, jamais beberiam álcool.
— Quanto a não ter te contado... eu tinha medo de que você também sofresse algum "acidente", como uma colisão de carro.
Ela entendeu as entrelinhas.
— Lia, sinto muito por tudo o que aconteceu — Lucas aproximou-se, tentando explicar: — Durante estes últimos dez anos, nunca cortei o vínculo com a família Xia e comemorei o aniversário da Yasmin todos os anos apenas para baixar a guarda deles e encontrar provas.
Ele retirou aquele cadeado de vida longa (Changming Suo). Com um
click
, o cadeado abriu-se; o interior fora projetado para ser oco, abrigando um minúsculo dispositivo de gravação.
— Os pais da Yasmin só baixavam a guarda perto dela, e a Yasmin era obcecada pelas suas coisas. Eu peguei o seu cadeado para instalar o gravador e coletar evidências.
— Eu nunca a paquerei, nunca gostei dela. Do início ao fim, a única pessoa que eu amei foi você.
Ele viera naquele dia para se confessar e buscar redenção. — Agora, os três membros da família Xia serão punidos. De agora em diante, não permitirei que você sofra nenhuma injustiça, ninguém mais vai te intimidar.
— Lia, vamos para casa comigo, por favor?
Ele usou um tom de voz suave após o longo discurso, mas Liana permaneceu imperturbável. Ela não aceitou o cadeado de volta.
— Eu já disse antes: eu não quero.
— Lucas, mesmo que você tenha tido motivos para tudo o que fez no passado, eu não estou disposta a voltar com você. E mais... — Liana ergueu a mão, revelando um anel de rubi chamativo no dedo anelar. — Eu já estou noiva de outra pessoa. Eu me apaixonei por outro.
Na realidade, aquele era um anel de família que seus pais lhe deram, mas suas palavras foram suficientes para fazer o rosto de Lucas empalidecer. Ele fixou os olhos no anel, em um silêncio mortal.
Liana aproveitou o momento para golpear novamente: — Eu vim aqui para deixar claro: não quero ter nenhum tipo de relação com você. Agora tenho alguém que amo, e sua insistência só me faz sentir mais repulsa.
— Então, não apareça mais na minha frente.
Dito isso, ela não quis mais ficar ali e virou-se para sair, mas, após poucos passos, foi prensada contra a parede por Lucas.
— Eu não acredito — o olhar do homem era afiado, prendendo-a contra a parede. Ele sibilou cada palavra entre os dentes: — Lia, eu não acredito que você se apaixonaria em poucos dias por um homem que mal conhece.
— Eu te conheço melhor que ninguém. Se você franze o nariz, eu já sei do que você tem desejo.
— Esse anel não passa de uma desculpa para me afastar.
Aquilo o dilacerava; ela preferia mentir a perdoá-lo.
Ao ter a mentira exposta, Liana perdeu a compostura por um segundo, mas logo a raiva tomou conta. — É mesmo? Lucas, se você me conhece tão bem, como não sabe que, uma vez que sou traída e magoada, eu jamais olho para trás?
— Ou você acha que, só porque me deu uma explicação e quer me compensar, eu deveria ser eternamente grata, esquecer tudo e te perdoar por ter me batido e me forçado a algo por causa da Yasmin?! Por ter usado seu papel de "irmão" para me apunhalar pelas costas?!
— Lucas, você está sonhando!
Ao ser atingido repetidamente em seu único ponto de fraqueza moral, Lucas cerrou o maxilar, sentindo o coração ser retalhado mil vezes. Era verdade; eles eram iguais, ambos teimosos até o âmago.
Ele lembrou-se de quando eram como uma família de verdade e ela estava relaxada; bastava ela abrir a boca para deixá-lo sem palavras. A dor e a fúria ardiam em seu peito, consumindo o resto de sua sanidade. Ele rosnou:
— Eu sei que você me culpa, mas Liana! O médico disse que eu recuperaria a memória em cerca de dez dias, por que você não pôde esperar um pouco mais?! Eram apenas dez dias! Eu me sacrifiquei tanto por você, sofri tanto... você não podia esperar nem dez dias?!
No momento em que essas palavras saíram da boca dele, a ferida no coração de Liana, que mal começara a cicatrizar, foi violentamente rasgada de novo.