《A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor》Capítulo 16

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Um medo infundado subiu pela espinha de Yasmin, e ela perguntou novamente, com a voz trêmula: — O que foi? Aconteceu alguma coisa?

Lucas continuou em silêncio absoluto. Sem sequer tirar os sapatos, ele entrou na casa seguido diretamente pelos policiais.

Os pais de Yasmin apareceram na sala naquele momento. Ao verem a polícia, suas expressões congelaram, mas eles tentaram manter uma fachada de calma. — O que está acontecendo? Senhores oficiais, a que devemos esta visita?

Um dos policiais exibiu o distintivo. — Os dois, por favor, acompanhem-nos até a delegacia. Precisamos que colaborem com as investigações sobre o caso da morte do casal Lu.

— Isso... deve ser algum mal-entendido, não? O que nós teríamos a ver com isso?

— Se têm algo a ver ou não, a polícia já reuniu provas suficientes. Apenas nos acompanhem — disse o oficial, enquanto os policiais começavam a conduzir o casal Xia para fora, mas Yasmin se colocou no caminho.

— Esperem! Como meus pais poderiam ter qualquer ligação com o caso da família Lu? — Ela olhou para Lucas, implorando por ajuda. — Lucas, diga alguma coisa! O que está acontecendo?

— O que está acontecendo? Você ainda não sabe? — O olhar que Lucas direcionou a ela era gélido como o gelo. — A morte dos meus pais foi causada pelos seus.

Como uma pedra lançada em um lago sereno, a notícia deixou os três membros da família Xia em choque total. A barreira psicológica da Sra. Xia foi a primeira a ruir. Ela não conseguiu conter a pergunta: — Você... você recuperou sua memória?

— Sim, eu me lembrei de tudo. Até o acidente de carro que sofri há seis meses foi obra de vocês, não foi? Foi você quem sabotou os meus freios.

Ao ver o estado de pânico e terror da Sra. Xia, ele não pôde deixar de ironizar: — Na sua próxima vida, se for estragar os freios de alguém, lembre-se de apagar também os registros das câmeras de segurança dos carros ao redor.

As pernas da Sra. Xia fraquejaram instantaneamente; ela só não caiu porque foi amparada pelos policiais que a seguravam.

— Não! Vocês não podem levar meus pais!

Yasmin encarou Lucas com ódio. Ao ver que a primeira coisa que ele fizera ao recuperar a memória foi trazer a polícia para prender seus pais, ela parou de fingir afeição. — Por que meus pais fariam mal a você? E por que fariam mal aos seus pais?!

Diante da fúria dela, Lucas mantinha-se muito mais calmo. — Porque o seu pai, um respeitável professor, abusou de uma aluna e causou a morte dela. Sua mãe foi cúmplice e ajudou a ocultar o corpo. Dois vermes do mesmo ninho, que não merecem um pingo de piedade!

O rosto de Yasmin empalideceu subitamente, seus olhos arregalados pelo choque daquela revelação. Mas Lucas ainda não havia terminado.

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— O crime mais imperdoável foi que, após meus pais descobrirem tudo, seus pais ignoraram os anos de amizade e vizinhança. Eles os embriagaram e forjaram um acidente por embriaguez ao volante, empurrando-os para dentro do rio para morrerem afogados, ainda vivos e indefesos!

— Mas o que seus pais não sabiam é que meus pais estavam doentes e tomando remédios naqueles dias. Eles jamais beberiam álcool!

— E por que me atingir? Eu sabia da verdade. Diga-me, eles não tentariam tirar a minha vida também?

A cada frase, ele dava um passo à frente, forçando Yasmin a recuar passo a passo até que suas costas atingissem a parede. O impacto da verdade foi tão violento que as pernas dela cederam, e ela desabou no chão.

Lucas apenas lançou um olhar frio e desviou o rosto imediatamente, como se olhar para ela lhe causasse náuseas.

A morte de seus pais fora suspeita, e tanto a polícia quanto ele jamais cessaram as investigações. Antes do acidente, ele via frequentemente seus pais discutindo e ouvira fragmentos de conversas que mencionavam a família Xia, então vizinha deles.

Por isso, durante dez anos, ele nunca cortou os laços com os Xia. Como eles eram extremamente vigilantes, ele decidiu que a única forma de encontrar evidências seria através de Yasmin.

Ele foi o "irmão mais velho" atencioso por anos; nunca esqueceu um aniversário, dava presentes e fingia ser o vizinho protetor que jamais esqueceria a amiguinha de infância. Até mesmo quando ela perseguia Liana, ele fingia concordar apenas para manter o disfarce e ganhar a confiança deles.

Ao pensar nisso, Lucas franziu o cenho, tomado por um arrependimento e uma culpa sufocantes. Ele fora um inútil, um canalha. Como pôde dizer aquelas coisas horríveis para a sua Lia?

Toda a verdade fora descoberta há seis meses, escondida por seus pais em seu cofre particular. Mas, antes que ele pudesse levar as provas à polícia, o "acidente" aconteceu.

— Provas... — Yasmin despertou do transe e levantou-se, encarando-o. — Onde estão as provas, Lucas?! Você falou tanto, mas tem provas? São apenas palavras ao vento! Você está nos caluniando!

Lucas soltou um riso curto. — É claro que eu tenho. Antes de vir para cá, já entreguei tudo à polícia. Do contrário, você acha que eles viriam aqui prender alguém sem mandado?

Os policiais finalmente conduziram os pais de Yasmin para a viatura. Os gritos e o pranto dela foram inúteis.

Vendo que a agressividade não funcionava, Yasmin tentou outra tática. — Lucas, eu sei que meus pais erraram, mas pelo amor de Deus, leve em conta que eu salvei sua vida naquele incêndio! Você não pode poupar meus pais por causa disso?

— Me salvou? — O rosto de Lucas tornou-se ainda mais sombrio. — Então você não sabe que foram os seus pais que atearam aquele fogo?

— E mais uma coisa: quem disse que foi você quem me salvou?

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