《A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor》Capítulo 14

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— Vocês se conhecem? — perguntou Augusto, enquanto se colocava silenciosamente entre os dois.

O olhar que aquele homem direcionava a Liana era direto e intenso demais, sem qualquer resquício de boas intenções.

Liana desviou os olhos, usando um tom de voz como se falasse de um completo estranho: — Não o conheço.

Lucas sentiu uma pontada aguda no coração ao ser golpeado por aquela indiferença. Ele tentou avançar, mas Augusto o barrou.

— Senhor, o que pensa que está fazendo? — O tom de Augusto perdera a suavidade que demonstrava antes; seus olhos profundos agora brilhavam com uma nitidez cortante.

Lucas sequer o olhou. Por cima do ombro de Augusto, ele gritou desesperadamente para Liana: — Lia! Por favor, vem para casa comigo! Eu recuperei minha memória! Eu sei que tudo o que aconteceu foi erro meu. Eu te peço perdão, você pode me perdoar, por favor?

Lucas esperava que Liana demonstrasse ao menos um pouco de choque ao saber que ele se lembrava de tudo, mas, do início ao fim, ela manteve uma expressão de absoluta calma.

— Lucas, você deve ter visto o registro familiar e o cartão bancário que deixei sobre a mesa. Eu não te devo mais nada, e nossos laços foram oficialmente cortados. Nada disso vai mudar só porque você recuperou sua memória.

— Portanto, eu não vou voltar com você. O que tínhamos... acabou.

Dito isso, ela segurou a mão de Augusto para se retirar. Lucas, porém, foi mais rápido e bloqueou o caminho dela. Ele tentou segurar o braço de Liana, mas ela recuou bruscamente, esquivando-se do toque.

Agora, ela sentia repulsa até mesmo de ser tocada por ele.

Os braços de Lucas caíram, inertes, ao lado do corpo. Ele engoliu o amargor que subia por sua garganta. — Me desculpe, Lia. Eu sei que errei. Eu sei que você sofreu muitas injustiças nesses últimos seis meses e entendo sua raiva. Mas você sabe... naquela época eu estava sem memória. Eu não te magoei por querer, eu...

— E o que isso importa? — Liana o interrompeu antes que ele terminasse. — Só porque você estava sem memória, as feridas que me causou deixam de ser reais? Só porque você se lembra de tudo agora, eu sou obrigada a deixar tudo passar como se não fosse nada?

— Lucas, o mundo não funciona assim.

Lucas jamais vira uma Liana tão gélida. Ele sentiu como se cada vaso sanguíneo de seu corpo estivesse obstruído por algo pesado, causando uma dor sufocante. Durante toda a viagem, ele não parara de pensar nas atrocidades que cometera; a culpa o consumia, deixando-o em um estado de agonia permanente.

Ele, que outrora preferia se exaurir de trabalhar apenas para vê-la realizar seus sonhos, acabou gritando com ela, insultando-a e até ferindo-a por causa de outra mulher. As palavras que ela dissera no auge da dor —

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"Eu te odeio"

— estavam prestes a enlouquecê-lo.

— Foi erro meu, tudo culpa minha — ele disse com a voz trêmula, aproximando-se com pressa. — Lia, eu sei que você tem todo o direito de me guardar rancor. Eu não peço seu perdão agora, mas vivemos juntos por vinte anos... dê-me apenas uma chance de compensar tudo o que fiz, por favor?

— Eu não quero — a expressão de Liana continuava plana. — Lucas, no momento em que você me forçou a doar sangue para a Yasmin, e em cada uma das vezes que você me machucou para favorecê-la nesses meses, os nossos vinte anos de história foram reduzidos a nada.

— Eu não vou olhar para trás. Eu não te quero mais. É simples assim.

Assim que terminou de falar, ela passou por ele sem hesitar.

Lucas ficou para trás com uma expressão de agonia pura. Seu olhar, fixo nas costas dela, era uma mistura de súplica e desespero. As palavras dela —

"Não te quero mais"

— ecoavam em sua mente como um martelo.

Para ele, aquilo era impossível de aceitar. Eles haviam passado por tanto juntos; anos de apoio mútuo e sobrevivência. Na sua cabeça, ele apenas tivera uma perda de memória, como um longo sono; ao acordar, sua amada estava dizendo que ele não significava mais nada.

Ele não conseguia aceitar, nem ousava imaginar uma vida assim. Num impulso, ele correu e agarrou a mão de Liana, tentando forçá-la a acompanhá-lo. — Vem para casa comigo!

Liana resistiu com todas as suas forças. — Lucas, me solta! Eu não vou voltar com você! Acabou, me deixa em paz!

— Solte-a agora! — Augusto, que assistira a tudo em silêncio até o seu limite, segurou o pulso de Lucas com firmeza, forçando-o a liberar a mão de Liana.

Ele encarou Lucas com um desprezo evidente no rosto.

— Cobiçar a irmã que você mesmo criou e agora persegui-la dessa forma desavergonhada... Você é um homem deplorável.

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