《A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor》Capítulo 13

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Jamais alguém dissera palavras tão gentis a Augusto. Ele lembrava-se de como aprendia devagar e de como todos o ridicularizavam, chamando-o de "cabeça de vento", especialmente tendo uma criança prodígio como Liana para servir de comparação.

Para ele, ela era como um pavão radiante, cuja luz o deixava mergulhado na sombra. E agora, aquele mesmo "pavão" o elogiava, dizendo que ele evoluíra drasticamente...

— Sou muito grato pelo seu incentivo naquela época. Se não fosse por isso, eu não teria persistido na música, nem teria chegado onde estou hoje — Augusto disse com o olhar ardente e solene. — Obrigado, Liana.

Liana baixou a cabeça, sentindo-se um pouco encabulada. A estranheza que sentia em relação a Augusto dissipou-se consideravelmente.

— E também... me perdoe.

Ela ficou confusa. — Perdoar pelo quê?

Mas ele não respondeu diretamente. Apenas perguntou: — Você gostou deste vestido?

— Gostei muito — ela assentiu, mas logo parou, percebendo algo. — Este vestido... foi você quem mandou?

— Sim. Eu era imaturo e agi por pirraça quando éramos crianças; estraguei um vestido seu de propósito.

Augusto lembrou-se de como ficara escondido observando Liana chorar naquela época. Mais tarde, ao saber que o vestido fora um presente da falecida avó dela, ele carregou aquela culpa por anos.

— No dia em que gritei que não estudaria mais piano, eu voltei para casa e preparei uma pilha de presentes para te pedir desculpas. Mas então... o acidente aconteceu e você desapareceu.

— Me desculpe. Este pedido de perdão está vinte anos atrasado.

O olhar do homem era fervoroso e sincero. Liana sentiu que a temperatura da mão dele em sua cintura subitamente se tornou abrasadora. Ela desviou o olhar para o lado. — Está tudo bem. Isso já passou há muito tempo.

Ao fim da dança, Augusto não soltou a mão dela. Ele apontou para o palco de apresentações.

— O professor que nos ensinou queria que nos apresentássemos juntos uma vez, mas o destino não permitiu. Não sei se você estaria disposta a realizar esse desejo agora?

Liana aceitou prontamente. Uma melodia harmoniosa preencheu o salão. O acompanhamento do piano e a melodia do violino fundiam-se com perfeição. Qualquer um ali presente percebia que se tratava de dois músicos de altíssimo nível com uma sintonia invejável.

Ao final, os aplausos foram estrondosos. Liana curvou-se em agradecimento, surpresa por ter tido uma química musical tão boa com Augusto.

Nesse momento, um senhor idoso aproximou-se dela. — Que banquete para os ouvidos! Senhorita Yu, muito prazer. Sou o regente principal da Orquestra de Viena. Gostaria de tomar a liberdade de convidá-la a integrar nossa orquestra. O que me diz?

A surpresa repentina deixou Liana atônita por um momento. — O senhor tem certeza de que sou eu? Eu... eu posso?

Ela jamais imaginou que a oportunidade perdida retornaria para ela desta forma.

— Com certeza! Fiquei admirado com sua performance agora pouco. Minha orquestra precisa justamente de uma violinista. Se você aceitar, podemos assinar o contrato agora mesmo.

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O senhor hesitou por um instante e acrescentou: — Vou garantir a maior remuneração que estiver ao meu alcance, mas... comparado à fortuna de sua família, esse valor será irrisório. Peço que considere.

— Não preciso considerar. Eu aceito entrar para a orquestra.

A alegria dela contagiou Augusto, que aplaudiu com um sorriso. — Liana, parabéns.

Ela assentiu, retribuindo o sorriso. Após o baile, Liana viu Augusto conversando com o regente no corredor. Ela ia se aproximar, mas parou ao ouvi-los:

— Por que você me trouxe aqui, seu espertinho? A "surpresa" que você mencionou era ela, não era?

A voz descontraída de Augusto soou, carregada de um orgulho evidente: — E então, foi ou não foi uma surpresa?

Liana estancou os passos. Os dois conversaram mais um pouco antes de se despedirem. Augusto virou-se e notou Liana parada ali.

— Você ouviu?

Liana assentiu. — Como isso aconteceu? Foi você quem armou tudo?

Augusto não pareceu sem graça por ter sido descoberto. — Bem, na verdade, não foi exatamente uma "armação".

— Anteontem, eu te vi em Hangzhou. Você estava tocando violino do lado de fora do teatro. Estava tão bom que gravei um vídeo e mandei para o regente. Ele ficou louco querendo te encontrar para te recrutar.

Ele caminhou até ela. — Eu apenas... dei um empurrãozinho no destino.

Liana ficou em silêncio por um momento, pensando na decepção daquele dia e na surpresa de agora. Ela sorriu: — Ainda assim, eu devo te agradecer.

Augusto mudou de assunto e perguntou: — Amanhã haverá um concerto de música clássica. Por coincidência, tenho dois ingressos. Teria interesse?

Liana não tinha motivos para recusar. No dia seguinte, após o concerto, Augusto a levou a um parque de diversões e a apresentou a vários amigos da mesma idade no círculo social deles. O dia foi agitado e alegre.

No caminho de volta, Augusto a acompanhou até a porta de casa. — Você se divertiu hoje?

— Sim.

Liana assentiu. No passado, por falta de condições financeiras, ela passava os dias trancada estudando e praticando; raramente tinha a chance de ter um dia tão vibrante.

— Augusto, foi minha mãe quem pediu para você me levar para passear, não foi?

Ela vira sem querer uma mensagem da Sra. Yu no celular dele. Toda aquela sequência de atividades e o cuidado dele com os sentimentos dela tornavam a resposta óbvia.

— Fui descoberto, é? — Augusto riu abertamente. — Na verdade, a tia Yu percebeu que você andava com algo guardado no coração e me pediu para te levar a festas e encontros de amigos para você se distrair.

Liana ainda sentia a sombra de Lucas, mas naqueles dias, vendo como a Sra. Yu ia ao seu quarto toda noite apenas para vê-la antes de dormir, percebeu que, apesar dos vinte anos de separação, o laço de sangue jamais se rompera. Sua família estava lhe dando todo o amor do mundo, inventando formas de entretê-la para que ela não se sentisse sozinha.

Seu coração amoleceu.

— Então, para onde vamos amanhã?

Ela não queria preocupar as pessoas que a amavam. Além disso, o passado era passado; agora, era hora de começar uma nova vida.

Antes que Augusto pudesse responder, alguém gritou subitamente: — Lia!

Liana olhou em direção à voz. Era Lucas. Ele parecia exausto da viagem e viera com tamanha pressa que, em pleno inverno, vestia apenas um sobretudo fino sobre roupas leves.

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