Jamais alguém dissera palavras tão gentis a Augusto. Ele lembrava-se de como aprendia devagar e de como todos o ridicularizavam, chamando-o de "cabeça de vento", especialmente tendo uma criança prodígio como Liana para servir de comparação.
Para ele, ela era como um pavão radiante, cuja luz o deixava mergulhado na sombra. E agora, aquele mesmo "pavão" o elogiava, dizendo que ele evoluíra drasticamente...
— Sou muito grato pelo seu incentivo naquela época. Se não fosse por isso, eu não teria persistido na música, nem teria chegado onde estou hoje — Augusto disse com o olhar ardente e solene. — Obrigado, Liana.
Liana baixou a cabeça, sentindo-se um pouco encabulada. A estranheza que sentia em relação a Augusto dissipou-se consideravelmente.
— E também... me perdoe.
Ela ficou confusa. — Perdoar pelo quê?
Mas ele não respondeu diretamente. Apenas perguntou: — Você gostou deste vestido?
— Gostei muito — ela assentiu, mas logo parou, percebendo algo. — Este vestido... foi você quem mandou?
— Sim. Eu era imaturo e agi por pirraça quando éramos crianças; estraguei um vestido seu de propósito.
Augusto lembrou-se de como ficara escondido observando Liana chorar naquela época. Mais tarde, ao saber que o vestido fora um presente da falecida avó dela, ele carregou aquela culpa por anos.
— No dia em que gritei que não estudaria mais piano, eu voltei para casa e preparei uma pilha de presentes para te pedir desculpas. Mas então... o acidente aconteceu e você desapareceu.
— Me desculpe. Este pedido de perdão está vinte anos atrasado.
O olhar do homem era fervoroso e sincero. Liana sentiu que a temperatura da mão dele em sua cintura subitamente se tornou abrasadora. Ela desviou o olhar para o lado. — Está tudo bem. Isso já passou há muito tempo.
Ao fim da dança, Augusto não soltou a mão dela. Ele apontou para o palco de apresentações.
— O professor que nos ensinou queria que nos apresentássemos juntos uma vez, mas o destino não permitiu. Não sei se você estaria disposta a realizar esse desejo agora?
Liana aceitou prontamente. Uma melodia harmoniosa preencheu o salão. O acompanhamento do piano e a melodia do violino fundiam-se com perfeição. Qualquer um ali presente percebia que se tratava de dois músicos de altíssimo nível com uma sintonia invejável.
Ao final, os aplausos foram estrondosos. Liana curvou-se em agradecimento, surpresa por ter tido uma química musical tão boa com Augusto.
Nesse momento, um senhor idoso aproximou-se dela. — Que banquete para os ouvidos! Senhorita Yu, muito prazer. Sou o regente principal da Orquestra de Viena. Gostaria de tomar a liberdade de convidá-la a integrar nossa orquestra. O que me diz?
A surpresa repentina deixou Liana atônita por um momento. — O senhor tem certeza de que sou eu? Eu... eu posso?
Ela jamais imaginou que a oportunidade perdida retornaria para ela desta forma.
— Com certeza! Fiquei admirado com sua performance agora pouco. Minha orquestra precisa justamente de uma violinista. Se você aceitar, podemos assinar o contrato agora mesmo.
O senhor hesitou por um instante e acrescentou: — Vou garantir a maior remuneração que estiver ao meu alcance, mas... comparado à fortuna de sua família, esse valor será irrisório. Peço que considere.
— Não preciso considerar. Eu aceito entrar para a orquestra.
A alegria dela contagiou Augusto, que aplaudiu com um sorriso. — Liana, parabéns.
Ela assentiu, retribuindo o sorriso. Após o baile, Liana viu Augusto conversando com o regente no corredor. Ela ia se aproximar, mas parou ao ouvi-los:
— Por que você me trouxe aqui, seu espertinho? A "surpresa" que você mencionou era ela, não era?
A voz descontraída de Augusto soou, carregada de um orgulho evidente: — E então, foi ou não foi uma surpresa?
Liana estancou os passos. Os dois conversaram mais um pouco antes de se despedirem. Augusto virou-se e notou Liana parada ali.
— Você ouviu?
Liana assentiu. — Como isso aconteceu? Foi você quem armou tudo?
Augusto não pareceu sem graça por ter sido descoberto. — Bem, na verdade, não foi exatamente uma "armação".
— Anteontem, eu te vi em Hangzhou. Você estava tocando violino do lado de fora do teatro. Estava tão bom que gravei um vídeo e mandei para o regente. Ele ficou louco querendo te encontrar para te recrutar.
Ele caminhou até ela. — Eu apenas... dei um empurrãozinho no destino.
Liana ficou em silêncio por um momento, pensando na decepção daquele dia e na surpresa de agora. Ela sorriu: — Ainda assim, eu devo te agradecer.
Augusto mudou de assunto e perguntou: — Amanhã haverá um concerto de música clássica. Por coincidência, tenho dois ingressos. Teria interesse?
Liana não tinha motivos para recusar. No dia seguinte, após o concerto, Augusto a levou a um parque de diversões e a apresentou a vários amigos da mesma idade no círculo social deles. O dia foi agitado e alegre.
No caminho de volta, Augusto a acompanhou até a porta de casa. — Você se divertiu hoje?
— Sim.
Liana assentiu. No passado, por falta de condições financeiras, ela passava os dias trancada estudando e praticando; raramente tinha a chance de ter um dia tão vibrante.
— Augusto, foi minha mãe quem pediu para você me levar para passear, não foi?
Ela vira sem querer uma mensagem da Sra. Yu no celular dele. Toda aquela sequência de atividades e o cuidado dele com os sentimentos dela tornavam a resposta óbvia.
— Fui descoberto, é? — Augusto riu abertamente. — Na verdade, a tia Yu percebeu que você andava com algo guardado no coração e me pediu para te levar a festas e encontros de amigos para você se distrair.
Liana ainda sentia a sombra de Lucas, mas naqueles dias, vendo como a Sra. Yu ia ao seu quarto toda noite apenas para vê-la antes de dormir, percebeu que, apesar dos vinte anos de separação, o laço de sangue jamais se rompera. Sua família estava lhe dando todo o amor do mundo, inventando formas de entretê-la para que ela não se sentisse sozinha.
Seu coração amoleceu.
— Então, para onde vamos amanhã?
Ela não queria preocupar as pessoas que a amavam. Além disso, o passado era passado; agora, era hora de começar uma nova vida.
Antes que Augusto pudesse responder, alguém gritou subitamente: — Lia!
Liana olhou em direção à voz. Era Lucas. Ele parecia exausto da viagem e viera com tamanha pressa que, em pleno inverno, vestia apenas um sobretudo fino sobre roupas leves.