Enquanto isso, Liana não fazia a menor ideia de que seu nome estava em todas as manchetes. No suntuoso salão de baile, ela retirou a tiara de diamantes e trocou-a por um vestido de gala mais confortável, porém não menos deslumbrante, para aproveitar a festa.
Desde que retornara, na noite anterior, ela experimentara o que significava ser amada sem limites.
Propriedades, joias, ações de empresas... o Sr. e a Sra. Yu despejavam fortunas sobre ela como se dinheiro fosse papel. Eles chegaram ao ponto de preparar uma sala inteira apenas com violinos, incluindo raridades italianas e peças consideradas "tesouros nacionais", cada uma avaliada em mais de dez milhões de reais.
— No seu primeiro aniversário, durante a cerimônia de escolha de objetos, você agarrou um violinho de brinquedo. Assim que teve força nas mãos, aprendeu a tocar sozinha. Na época, seu pai e eu queríamos que você herdasse os negócios da família e ficamos um pouco decepcionados. Mas agora...
A Sra. Yu acariciou o rosto de Liana com uma doçura infinita. — Agora, você pode estudar o que quiser, fazer o que quiser. Nós apoiaremos cada passo seu, desde que você esteja segura e feliz ao nosso lado.
Ao dizer isso, a voz da mãe embargou. Liana, com os olhos marejados, envolveu-a em um abraço terno.
A Sra. Yu preservara cada detalhe da vida de Liana naquela casa: desde o andador que ela usara quando bebê até a decoração original de seu quarto.
O Sr. Yu explicou em voz baixa: — Nestes vinte anos em que você esteve longe, sua mãe só conseguia conciliar o sono se dormisse neste quarto, cercada pelas suas coisas.
O sofrimento daquelas duas décadas não pertencera apenas a Liana. Por isso, agora, os pais sentiam que nenhum mimo ou extravagância seria exagero para compensar o tempo perdido.
— Teria a honra de convidar a Senhorita Yu para a primeira dança?
Um homem surgiu subitamente diante dela, despertando-a de seus pensamentos. Após receber o olhar de aprovação da Sra. Yu, Liana colocou a mão sobre a palma dele.
— Com certeza.
Os dois começaram a deslizar pelo salão, formando um par que parecia ter saído de uma pintura. No entanto, apenas os dois sabiam que o clima era de um leve e cômico desastre; Liana pisara nos sapatos do parceiro várias vezes, arrancando-lhe alguns gemidos baixos de dor.
— Sinto muito... — murmurou ela, o rosto corando de embaraço.
Não era o primeiro pedido de desculpas da noite. As mãos de Liana estavam úmidas de nervosismo; ela definitivamente não estava habituada a bailes de gala.
O homem, porém, manteve a expressão serena e cavalheiresca. — Não se preocupe. Está tudo bem.
Tentando aliviar a tensão, ele perguntou com um sorriso enigmático: — Você sabe quem eu sou?
Liana sorriu de volta. — Eu sei. Você é o Sr. Augusto, o pianista de renome mundial. Quem não o conheceria? Eu costumo assistir aos seus vídeos na internet com frequência.
Augusto apenas sorriu. Ela interpretara mal a pergunta, mas ele não a corrigiu de imediato.
— Você mudou muito. Quando era pequena, era uma garotinha bem atrevida. Jamais diria algo tão diplomático.
Liana ergueu o olhar, desviando a atenção dos próprios pés para o rosto dele. Ele possuía traços profundos, era extremamente bonito e exalava um ar de introspecção e sobriedade.
— Peço desculpas. De fato, mudei muito nesses anos e não guardo muitas lembranças daquela época. "Pequena"? Nós costumávamos brincar juntos?
Augusto assentiu e começou a narrar fragmentos daquele tempo esquecido.
Eles se conheceram nas aulas de música de um mestre renomado. Ela tinha quatro anos; ele, oito. Naquela época, eles não se bicavam. O professor era extremamente rigoroso e vivia criticando Augusto, mas tratava a pequena Liana com uma admiração evidente, enxergando nela um prodígio raro.
Invejoso da confiança e da arrogância natural que ela exalava, o pequeno Augusto vivia tentando atrapalhar os ensaios dela. Em uma tarde, após ser duramente repreendido durante a aula de piano, o professor disparou:
"Veja a pequena Yu! O talento dela nem é o piano, e ela toca melhor que você!"
Ao ouvir Liana soltar uma risadinha abafada, Augusto explodiu. Rasgou as partituras, bateu com força nas teclas e gritou a plenos pulmões que nunca mais tocaria piano na vida.
Liana piscou os olhos. Aquela cena parecia estar emergindo das névoas de sua memória.
Naquele dia, após o término da aula, ela voltara à sala para buscar algo que esquecera. Lá, encontrou o mesmo Augusto que jurara abandonar a música agachado ao lado de uma lixeira, chorando copiosamente enquanto tentava juntar os pedaços das partituras que ele mesmo destruíra.
Ela se aproximou para consolá-lo, mas ele reagiu com amargura.
— Eu não quero sua pena! Sei que você está fingindo ser legal, mas você riu de mim na aula! Todos vocês riem de mim pelas costas, dizendo que eu não tenho talento, que eu sou burro...
— Mas eu... eu amo tocar piano... — ele soluçava, incapaz de conter as lágrimas de um menino de oito anos. — Vocês todos são maus comigo...
Liana, agindo como uma pequena adulta, entregou-lhe um lenço de papel. — Limpe o rosto. Você fica horrível quando chora.
Augusto a encarou com os olhos arregalados de indignação. A expressão dele quase a fez rir de novo, mas ela se conteve.
— Eu não estava rindo de você na aula. Eu estava feliz porque você tocou bem. Você não percebeu? Sua evolução neste último ano foi muito maior que a minha.
— Quem disse que você não tem talento? O amor pelo que se faz é o maior dos talentos.
Naquele momento, o pequeno Augusto esqueceu-se até de assoar o nariz. Ele apenas ficou ali, paralisado, olhando para a menina como se ela tivesse acabado de lhe entregar o mundo.