Lucas olhou para a foto de Liana beijando-o e, ao processar o significado daquilo, sentiu o anel em sua mão arder como se estivesse em brasa. A incredulidade lutava contra um sentimento de desamparo que ele não conseguia dominar.
De repente, um estalo de memória o fez correr em direção ao seu próprio quarto.
Quando criança, ele costumava guardar seus tesouros — aviões de brinquedo, seu primeiro certificado escolar e objetos de valor — no cofre de seu pai. Aos dezoito anos, ele ganhara seu próprio cofre de presente de aniversário; fora a única coisa que ele levara consigo quando fora expulso de casa.
No entanto, por ter esquecido a senha após o acidente, ele nunca conseguira abri-lo. Nos últimos seis meses, ele tentara de tudo: seu aniversário, o de Yasmin, o de seus pais e até a data da morte deles. Nada funcionara.
Se...
Lucas parou diante do cofre, o coração martelando contra as costelas. Ele sabia que, se aquele cofre se abrisse agora, a resposta sobre o anel e sobre seu passado seria revelada de forma irremediável.
Com as mãos trêmulas, ele digitou uma sequência de números: a data de nascimento de Liana.
Após alguns bipes mecânicos, ouviu-se o estalo metálico do desbloqueio.
Click.
O cofre estava aberto, e o coração de Lucas pareceu saltar junto com o som.
Sua respiração tornou-se curta e rasa. Ao abrir a porta pesada, viu maços de dinheiro e envelopes de documentos, mas o que estava no topo era uma foto de família.
Uma foto de quatro pessoas: dois adultos nas extremidades e, entre eles, duas crianças. Um menino mais alto e uma menina menor, que não se pareciam fisicamente, mas eram ambos extraordinariamente belos. Ele se lembrou vagamente de como detestava aquela "irmã" intrusa no início; costumava puxar suas tranças e colocar insetos em sua mochila para assustá-la. Na foto, ele aparecia de rosto fechado, recusando-se a ficar encostado nela.
Porém, colada logo acima dessa foto antiga, havia uma foto de rosto de Liana, tirada para sua formatura no ensino médio.
O fato de estar guardada em seu cofre particular já eliminava qualquer dúvida de que houvesse um "mal-entendido". Mas o golpe final veio quando Lucas virou a foto de Liana e viu sua própria caligrafia no verso:
—
"Desejo o que não posso ter, sinto sua falta acordado ou dormindo. Em pensamento vago, viro-me de um lado para o outro, inquieto na noite."
Fragmentos de memória começaram a explodir em sua mente como flashes ofuscantes. Após um zumbido ensurdecedor nos ouvidos, uma dor de cabeça excruciante o atingiu, como se um cano entupido tivesse finalmente estourado sob pressão.
Ele viu a si mesmo chegando em casa tarde da noite, com o corpo exausto, encontrando uma tigela de macarrão ainda quente sobre a mesa. Viu a luz amarela filtrando-se pela fresta da porta e ouviu a voz doce e infantil de Liana recitando lições — não importava o quão tarde fosse, ela sempre o esperava acordada.
Ele não sabia dizer exatamente quando começara a amá-la. Só sabia que, onde quer que ela estivesse, aquele lugar tornara-se, sem que ele percebesse, o seu único refúgio no mundo.
Por fim, ele lembrou-se de escrever aqueles versos, que ouvira ela declamar, no verso da foto que ele mesmo havia "roubado" dela.
— Lia... — Lucas desabou no chão, o corpo banhado em suor frio, sussurrando o nome dela como um mantra de dor.
Milhares de imagens passaram como um turbilhão. Ele finalmente lembrou-se de quem estava abraçando quando disse
"Eu te amo mais do que tudo"
. Lembrou-se de quem ele beijara com paixão, e por quem ele estava escolhendo um anel de noivado com o coração transbordando de esperança e alegria...
Ele finalmente lembrou-se de sua amada. Lembrou-se de tudo.
Após um longo tempo, a dor física começou a ceder, mas a agonia da alma apenas começava. Lucas levantou-se abruptamente e correu para o quarto de Liana. O cômodo permanecia vazio, e até o perfume dela parecia estar se dissipando no ar.
Ele tentou ligar para ela novamente, mas agora, até o seu segundo número dava o sinal de ocupado da operadora.
Ela o bloqueara de novo.
Tudo o que aconteceu nos últimos seis meses passou como um filme de horror em sua mente, deixando-o em um estado de ansiedade frenética.
Para onde ela iria? Ela estaria tão brava que nunca mais voltaria? Ela seria capaz de perdoá-lo depois de tantas atrocidades?
Tomado por um pressentimento terrível, Lucas estava prestes a sair para ir à delegacia quando recebeu várias mensagens de seu empresário:
[Lucas! Veja esta notícia agora! Esta não é a sua irmã, a Liana? O rosto é igual, o nome também!]
Lucas abriu o link com o cenho franzido. Eram várias postagens virais:
[Versão real de 'A Princesa e a Plebeia'! A lendária princesa perdida da elite de Pequim foi encontrada!]
O artigo continha um vídeo curto de poucos segundos, gravado clandestinamente. No vídeo, uma garota usava uma tiara de diamantes e um vestido de gala deslumbrante. Apenas o seu perfil era suficiente para deixar qualquer um sem fôlego; era uma Liana radiante e majestosa, uma versão dela que Lucas jamais vira.
Abaixo, os comentários dos internautas ferviam:
[Não deixaram ninguém tirar fotos, o editor conseguiu esse vídeo através de contatos secretos. Por que tanto mistério?]
[Estavam presentes as maiores autoridades e nomes do mundo dos negócios, o que você esperava? A propósito, o pai dela não é aquele pioneiro da indústria que sempre aparece na TV?]
[Sim! Ele salvou milhares de empregos no passado e acabou ofendendo alguns criminosos desesperados. Foi por isso que a única filha deles foi sequestrada. A esposa dele quase morreu de tristeza e ficou infértil depois disso.]
[Vocês só falam do passado, mas eu só consigo olhar para aquela coroa real e o vestido cravejado de diamantes... deve valer milhões! Pai, mãe, eu também sou a filha perdida de vocês!]
Liana encontrara seus pais biológicos? Por que ela não contou para ele?
Pelo menos, saber que ela não estava "desaparecida" ou em perigo aliviou metade do peso em seu peito.
Ignorando as mensagens de seu empresário exigindo que ele cumprisse sua agenda de compromissos, Lucas comprou imediatamente uma passagem aérea para Pequim.
Ele estava com a alma em chamas, desesperado para alcançá-la.