《A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor》Capítulo 10

PUBLICIDADE

No mesmo instante em que o Rolls-Royce Cullinan passava por ele, Lucas sentiu seu coração errar várias batidas, sem qualquer explicação lógica. Era como se algo essencial, algo que o mantinha equilibrado, estivesse se esvaindo silenciosamente de sua vida.

— Lucas, a Liana parecia tão arrasada... O que você acha de eu dar este troféu de primeiro lugar para ela? — sugeriu Yasmin.

A imagem da silhueta solitária de Liana partindo não saía da cabeça de Lucas, alimentando uma ansiedade crescente em seu peito. Ele abriu a boca e, para a surpresa de Yasmin, concordou.

— Pode ser. Afinal, você será a futura cunhada dela. Não é bom que a relação entre vocês fique tão desgastada.

Yasmin estancou. Ela apenas fizera a proposta para parecer generosa, acreditando que Lucas, ainda furioso após a briga, recusaria de imediato. Mas ele aceitara... Por quê?

Ao chegarem em casa, porém, encontraram apenas o silêncio e os objetos deixados sobre a mesa. O olhar de Lucas caiu sobre o registro familiar, onde o nome de Liana já não constava mais.

— Isso... será que a Liana quer romper os laços com você de vez? — Yasmin perguntou, notando a expressão cada vez mais sombria de Lucas. Por dentro, ela comemorava, mas sua voz fingia preocupação.

Com o rosto fechado, Lucas pegou o celular para exigir explicações sobre aquele novo "capricho", mas foi recebido apenas pela voz mecânica da operadora. Ao tentar enviar uma mensagem, deparou-se com o temido ponto de exclamação vermelho.

Ela o bloqueara. Ela estava realmente cortando relações com ele.

Uma fúria cega tomou conta de Lucas, que amassou o bilhete de Liana com força bruta.

— Não fique bravo, Lucas. Talvez ela esteja apenas pregando uma peça — consolou Yasmin, fingindo-se culpada. — A culpa é minha por ter causado essa briga entre vocês.

— Não tem nada a ver com você. Ela é quem está sendo irracional — Lucas disparou, deixando a raiva falar mais alto que a razão. — Eu a conheço desde pequena. Quantas vezes eu já não mandei ela sumir da minha frente? Ela nunca ouviu. No final, sempre voltava rastejando para perto de mim.

— Se ela quer brincar de fugir de casa, que vá. Quero só ver se desta vez ela terá dignidade o suficiente para não voltar!

Apesar das palavras duras, o mal-estar não o abandonou. Mesmo após levar Yasmin para casa e a noite avançar além da meia-noite, a chama da fúria em seu peito não se apagava.

Enquanto tomava banho, ele não conseguia evitar o pensamento: onde uma garota sozinha estaria a essa hora? À medida que os minutos passavam, a irritação dava lugar a uma preocupação genuína e a um medo inexplicável. Um medo de que, desta vez, não fosse apenas um "capricho".

De repente, o aroma familiar invadiu seus sentidos — o cheiro do sabonete que ela usara no dia anterior. A imagem daquela pele alva e delicada lampejou em sua mente.

PUBLICIDADE

Ao perceber o rumo de seus pensamentos, Lucas franziu o cenho. Uma sensação absurda de pecado e transgressão subiu por sua espinha, infiltrando-se em seu cérebro. Segundos depois, ele baixou a cabeça, chocado com a própria reação fisiológica.

Ele fechou os olhos, tentando ignorar, mas o perfume parecia persegui-lo, invadindo sua sanidade. Lucas sentia-se partido ao meio: sua mente dizia que detestava Liana, mas seu corpo, de forma involuntária e traiçoeira, reagia a ela com um desejo que ele não deveria sentir.

A luta interna era tão intensa que suas têmporas latejavam. Quando abriu os olhos novamente, o desejo em suas pupilas escuras era denso e assustador.

No silêncio abafado e úmido do banheiro, ouviu-se o som de uma respiração pesada e irregular. O ato durou muito tempo, até que, após meia hora, alguns gemidos roucos escaparam por entre a névoa do vapor.

E, sem que ele mesmo percebesse, um nome escapou de seus lábios em um sussurro sofrido:

"Lia..."

Quando a razão retornou, Lucas encarou as marcas na parede com horror. Pegou o chuveiro e lavou tudo freneticamente, tentando apagar o vestígio de sua fraqueza. Sentindo-se humilhado e tomado por uma fúria renovada contra Liana por ter despertado aquilo nele, ele se lavou repetidas vezes.

Sem sequer terminar de amarrar o roupão, ele pegou outro celular, com um número diferente, decidido a ligar para ela. Mas, achando que seria "dar o braço a torcer" demais, apenas enviou uma mensagem:

[Não pense que eu não sei o que você está tramando. Eu não vou atrás de você! Se você não voltar hoje à noite, não precisa voltar nunca mais!]

Ao ver que a mensagem fora entregue e que este número não estava bloqueado, ele sentiu um breve alívio. No fundo, seu único desejo era vê-la ali, na sua frente.

Mas ele esperou a noite inteira, e Liana não voltou.

Na tarde do dia seguinte, batidas na porta acordaram Lucas, que acabara pegando no sono no sofá da sala. Seu primeiro instinto foi checar o celular: nenhuma resposta.

Decepcionado, abriu a porta e encontrou um entregador.

— Sr. Lucas? Este é um pedido que o senhor fez há seis meses. Por favor, assine aqui.

Lucas já havia esquecido completamente o que encomendara naquela época. Ao abrir a pequena caixa e ver um anel de diamante, a confusão tomou conta dele.

Mas o que fez seu coração disparar e o sangue gelar foi a gravação no interior do aro:

'LC, casa comigo?'

Seis meses atrás... Para quem, exatamente, ele pretendia pedir em casamento?

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia