《A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor》Capítulo 8

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No entanto, ao ver a mulher em seus braços chorar de forma ainda mais lastimável, Lucas ignorou novamente aquele estranho aperto no coração. Ele a ergueu com cuidado, sussurrando palavras de conforto: — Está tudo bem, meu amor. Eu estou aqui. Vou te levar para o hospital agora mesmo.

Antes de sair, ele parou diante de Liana, encarando-a de cima, com um olhar soberbo e autoritário. — É melhor você rezar para que a mão dela não tenha nada. Caso contrário, eu juro que não vou deixar isso barato!

Liana observou as costas dele se afastando apressadamente e, para sua própria surpresa, soltou uma risada seca. A dor latejante em seu braço parecia mais aguda do que a fratura de anos atrás. Era o lembrete final de que, em duas décadas, Lucas jamais a vira como família, e muito menos como a mulher que ele um dia jurou amar.

Seu coração já estava anestesiado pela dor, transmutando-se em uma serenidade sem precedentes. Ela pensou que, após partir, faria de tudo para nunca mais cruzar o caminho de Lucas nesta vida.

À noite, após cuidar de seus ferimentos, a porta da frente foi aberta abruptamente. Lucas entrou apressado, mas estancou ao vê-la. Ele virou o rosto de forma rígida, desviando o olhar para qualquer outro canto da sala.

Liana acabara de sair do banho. As pontas de seus cabelos ainda estavam úmidas e ela vestia apenas uma camisola de alças finas, que deixava à mostra a pele alva e delicada de seus ombros. O contraste do tom rosado de sua pele, da clavícula ao colo, era hipnotizante.

Não era uma vestimenta vulgar, e em outros tempos ele nem notaria, mas após ter visto aquela foto no restaurante, Lucas sentiu sua garganta secar involuntariamente. Parecia que, mesmo àquela distância, o perfume doce do sabonete dela invadia seus sentidos.

Liana não esperava que ele voltasse para casa naquela noite. Ao notar a reação dele, compreendeu o que estava acontecendo; colocou a toalha sobre os ombros para se cobrir e caminhou silenciosamente em direção ao seu quarto.

— Espere.

Ele a chamou no momento em que ela ia fechar a porta.

— Algum problema? — Ela o encarou com um olhar plano, desprovido de qualquer emoção.

Lucas não se aproximou, permanecendo onde estava. — Quero que você desista deste concurso internacional de violino. Não tente disputar a vaga na orquestra com a Yasmin. A mão dela não sofreu nada grave, mas o susto que você causou foi intencional. Considere sua desistência como o pedido de desculpas que você deve a ela.

Seu tom era severo e autoritário, como se o breve momento de tensão sexual de segundos atrás jamais tivesse existido.

— Eu não concordo — Liana respondeu sem hesitar. Ela já esperava que ele viesse cobrar alguma fatura. — Eu treinei arduamente por um ano inteiro para este concurso. Por que eu deveria desistir por causa dela?

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Lucas franziu o cenho, irritado. — Liana, eu sou seu irmão mais velho. Um irmão mais velho é como um pai. Você tem que me obedecer, querendo ou não!

"Como um pai"... O uso da autoridade familiar para esmagá-la fez Liana soltar um riso de puro escárnio. Será que ele tinha cumprido sequer uma fração das responsabilidades de um irmão ou de um pai em tudo o que fizera ultimamente?

— Impossível. Lucas, eu nunca tentei ferir a Yasmin, do início ao fim — sua voz era de uma calma cortante. — Não tentei hoje, nem nas vezes anteriores. Quem deveria pedir desculpas não sou eu.

— Nunca tentou feri-la? Está dizendo que eu sou cego? Liana, agora você mente sem sequer piscar os olhos?!

— Eu sei que você não acredita em mim, mas a verdade é que eu não me importo mais com o que você pensa — Liana o encarou com frieza, mantendo-se firme. — De qualquer forma, não vou desistir do concurso. É impossível.

Dito isso, ela fechou a porta na cara dele, ignorando o rosto do homem que se tornava cada vez mais sombrio.

Faltavam três dias. Liana recebeu a notificação de que o último prêmio em dinheiro de um concurso anterior havia caído em sua conta. Somando isso às economias e ao dinheiro que seus pais biológicos lhe enviaram desde o reencontro, ela finalmente tinha o valor exato para quitar sua "dívida" com a família de Lucas.

Ao longo de vinte anos, ela calculou cada gasto que a família dele teve com ela e decidiu devolver o valor multiplicado por cinco. Incluindo uma "compensação" simbólica pela criação dada pelos pais dele, o total somava trinta milhões de reais.

Trinta milhões para comprar sua liberdade. Para enterrar cada conflito, cada dívida de gratidão e cada laço de sangue simbólico. Liana sentiu, pela primeira vez, uma sensação de leveza quase eufórica.

O último dia chegou. O dia do concurso. Ela arrumou suas malas cedo. Além de seus documentos e algumas mudas de roupa, não levou mais nada daquela casa. Assim que o concurso terminasse, ela partiria direto para o aeroporto.

No entanto, quando apresentou seus documentos na entrada do teatro, o funcionário a informou de algo que a deixou estática: — Um familiar seu ligou informando que você decidiu desistir da competição. Por conta disso, sua inscrição foi cancelada automaticamente.

Foi o Lucas.

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