《A Promessa Esquecida: Quando a Memória Apaga o Amor》Capítulo 4

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Ao lado dele, Yasmin debulhava-se em lágrimas, seus ombros magros sacudindo num pranto convulsivo que despertaria a piedade de qualquer um.

— Lucas, por favor, não culpe a Liana. A culpa é toda minha... Eu sabia que ainda estava fraca, mas quis ser forte e acabei sendo desastrada com o violino dela. É natural que ela esteja furiosa, mas eu só queria... eu só queria agradecer por ela ter salvo a minha vida.

Só então Lucas desviou o olhar para os destroços de madeira no chão, e seu cenho se franziu ainda mais.

Ele sentiu um desconforto súbito, uma pontada de irritação por Yasmin ter destruído aquele objeto, mas logo descartou o sentimento. Afinal, aos seus olhos, Liana estava fazendo tempestade em um copo d’água; era apenas um violino comum. Se quebrou, quebrou. Qual era o grande problema?

Sem conseguir decifrar aquela estranha sensação de aperto no peito, ele simplesmente ignorou o próprio instinto.

— Por causa de um instrumento velho você teve a coragem de empurrar sua cunhada? — disparou ele, com a voz gélida. — Liana, eu sempre achei você uma pessoa difícil de lidar, mas nunca imaginei que pudesse ser tão cruel e malvada!

"Um instrumento velho"... "cruel"...

Sim, ele havia esquecido. Esquecera completamente que aquele violino fora o presente de dezessete anos que ele mesmo dera a ela.

No ensino médio, o talento de Liana para a música tornou-se inegável. Seus professores diziam que ela era um prodígio, um talento que surgia uma vez a cada cem anos. Mas, sempre que a questionavam sobre seguir a carreira musical, ela recusava.

Até a noite de seu 17º aniversário, quando Lucas lhe entregou aquele violino.

Ele dissera:

"Se o seu sonho é a música, vá em frente. Eu estarei aqui."

Naquela noite, ela ficou paralisada, tomada por uma alegria contida. Ela desejava aceitar com todo o seu ser, mas apertava as mãos com ansiedade, acabando por negar seu próprio desejo com uma mentira:

"Não, eu não quero estudar música."

Ela conhecia a realidade financeira da casa. Sabia o quanto custava seguir o caminho das artes e o peso esmagador que isso colocaria sobre os ombros de Lucas.

Mas ele leu seus pensamentos e, com um sorriso terno, afagou sua cabeça.

"Como não quer? Sua professora disse que você passa tardes inteiras tocando. Está na cara que você ama isso."

"Não se preocupe com dinheiro. Se você quer aprender, aprenda. Eu vou bancar você."

Aquele desejo que ela trancara no fundo da alma fora trazido à luz por ele de forma tão generosa que seu coração se derreteu por completo. O violino foi colocado em seus braços, pesado e cheio de promessas.

"Já conversei com seus professores. Você vai seguir o caminho das artes e eu já guardei o dinheiro para os custos."

Só muito tempo depois ela descobriu que aquele dinheiro era fruto de um ano inteiro de trabalho braçal em obras, em turnos dobrados, onde ele dormia menos de cinco horas por dia.

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Como ela poderia não se apaixonar por ele? Por um ano inteiro, ele aceitou o sofrimento físico apenas para abrir as portas do futuro dela.

Mas o homem que antes era seu pilar agora usava palavras como adagas.

A antiga Liana sentiria cada frase perfurar seu coração, mas desta vez, sua expressão era de uma neutralidade absoluta. Ela nem sequer reagiu quando Yasmin, aproveitando que Lucas não olhava, lançou-lhe um sorriso de triunfo e provocação.

— Você tem razão, eu sou cruel — Liana disse, levantando-se lentamente, sem se dar ao trabalho de se defender. — Então, se não quer que sua noiva saia ferida, aconselho que a mantenha bem longe de mim.

O rosto de Lucas escureceu. — O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que você está certo. O violino não importa mais. Nada mais importa.

Suas palavras soavam como ironia, mas o tom era de uma serenidade assustadora. Uma calma que, por um motivo que Lucas não entendia, o deixou subitamente ansioso.

Aquela atitude era o oposto das últimas vezes em que Yasmin "acidentalmente" estragara algo dela e Liana reagira com gritos e choro.

Antes que ele pudesse refletir, seu celular vibrou com uma mensagem, e a inquietação foi deixada de lado.

— O assunto de hoje acaba aqui. Não quero ouvir mais nenhuma reclamação sua.

Após o aviso, ele ordenou que ela se arrumasse. Hoje seria o jantar formal com os pais de Yasmin para tratar dos detalhes do noivado. Como parte da "família", Liana deveria estar presente.

— Eu não vou — ela respondeu com firmeza.

Yasmin imediatamente assumiu uma postura de mágoa, as lágrimas voltando a brilhar em seus olhos. — Liana, você ainda está brava comigo pelo que aconteceu? É por isso que não aceita que eu entre para a família?

— Você ainda está remoendo isso? — Lucas franziu o cenho novamente, ignorando a recusa de Liana. — Guarde esse seu temperamento para depois. Você vai e ponto final.

— Seremos todos uma família a partir de agora. Se você não for, as pessoas vão pensar que os Lucas não aceitam a noiva. Já parou para pensar no que os pais dela, a mídia e os fãs vão dizer sobre ela?

Ele achava que ela estava apenas fazendo uma cena infantil.

O Lucas de agora temia que a reputação de Yasmin fosse manchada, mas ele não tinha a menor ideia da crueldade que era obrigar sua antiga amante a testemunhar os preparativos do casamento do homem que ela amou com sua pior inimiga.

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