《Ela Não é Mais a Mesma: A Vingança Silenciosa da Ex-Mulher》Capítulo 22

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Samuel não conseguia acreditar no que ouvia. Ele ficou paralisado, encarando-a, enquanto suas mãos apertavam as dela inconscientemente com força.

Embora o aperto doesse um pouco, Clarice sentiu mais vontade de rir do que de reclamar. Ela não conteve o comentário: — Você é que nem a Loli, tem uma força bruta de tourinho.

Aquele homem, que costumava ser a personificação da estabilidade, percebeu que a estava machucando e soltou-a apressadamente. Ele pegou as mãos dela e soprou com carinho, cheio de culpa, mas seus olhos transbordavam uma felicidade impossível de esconder.

O casamento foi marcado para dali a dois meses. Mesmo para dois "fazedores" como eles, o prazo era apertado. Samuel decidiu cancelar todos os seus compromissos profissionais para se dedicar exclusivamente aos preparativos junto com Clarice.

Foi nessa jornada que Clarice descobriu como planejar um casamento podia ser prazeroso. Quando se casara com Ricardo, tudo parecia um roteiro pré-definido; os organizadores decidiam tudo e não havia espaço para os desejos do casal. Naquela época, Ricardo também não tinha tempo ou interesse para discutir detalhes com ela.

Agora, a decoração seguia inteiramente o gosto de Clarice, enquanto o vinho e os doces eram das marcas favoritas de Samuel. Com a divisão de tarefas e o entusiasmo mútuo, em apenas um mês quase tudo estava pronto.

Na hora de preencher os convites, Samuel não hesitou em listar todos os seus amigos e familiares. Quando terminou de escrever sua pilha espessa, notou que o espaço à frente de Clarice continuava vazio.

— Clarice, e a sua família?

Ele percebeu que nunca haviam conversado profundamente sobre os parentes dela. Seria algum passado doloroso e secreto? Samuel sentiu uma pontada de autorrecriminação e olhou para ela com ternura: — Não tem problema. Agora você tem a mim. Minha família será a sua família.

Clarice sentiu o coração aquecido e sorriu: — Não é nada tão dramático. Meus pais biológicos me abandonaram; não temos vínculo afetivo.

Naquela cidade antiga, ela vivia apenas em função de Ricardo, por isso também não cultivara grandes amizades. Pensando bem, ela acabou escrevendo o nome de Ricardo no convite.

Ao ver o nome escrito, Samuel sentiu ainda mais compaixão. Ele segurou a mão esquerda dela e beijou sua bochecha, brincando: — Convidando o ex-marido? Vou acabar ficando com ciúmes.

Clarice, sempre zelosa pelos sentimentos alheios, achou que ele realmente se importava e ia descartar o convite, mas ele a impediu. Samuel encostou a cabeça no pescoço dela e sussurrou: — Deixe que ele venha. Quero que ele veja a pessoa maravilhosa que ele deixou escapar.

Após terminarem os convites, Clarice alongou o pescoço dolorido e encostou-se naturalmente no peito de Samuel. Ela perguntou casualmente: — Quando foi que você decidiu que queria se casar comigo de verdade?

Samuel a abraçou com um braço enquanto organizava as canetas na mesa. Pensou um pouco e respondeu: — Não sei exatamente. Mas quando eu estava viajando a trabalho e via o seu vulto em cada pessoa que passava, percebi que não conseguia mais ficar longe de você.

Uma frase simples, mas que soou mais comovente do que qualquer declaração extravagante. O coração errante de Clarice finalmente encontrou seu porto seguro.

Do outro lado, Ricardo recebeu o convite e sentiu uma alegria súbita, que logo se transformou em ironia e impotência ao ler o conteúdo. Ele finalmente a perdera de vez. Luan também estava com o rosto abatido, agarrado ao braço do pai: — Papai, nós perdemos a mamãe para sempre?

Ricardo fechou o convite: — Sim.

Pai e filho estavam mergulhados na melancolia. De repente, o celular tocou. Ricardo olhou para o número desconhecido; ele parecia saber de quem se tratava e, com desprezo, desligou, deletou e bloqueou o contato com movimentos habilidosos.

No dia do casamento, Clarice estava deslumbrante em seu vestido de noiva, e Loli parecia uma boneca como daminha de honra. Ao sair de casa, Clarice acabou batendo a cabeça na porta sem querer. Samuel correu para consolá-la, mas ela sentia uma inquietude estranha, como se algo estivesse prestes a acontecer.

— Mamãe, hoje é o dia mais feliz de todos, por que está com essa cara séria? — Loli esticou as mãos e "desenhou" um grande sorriso no rosto de Clarice.

Diante da fofura da menina, Clarice tentou afastar o pressentimento. A cerimônia começou. Sendo em um lugar pequeno, não houve grandes ostentações. Após o rito simples, chegou o momento da troca de alianças. Loli caminhava lentamente em direção ao altar carregando as joias. Os convidados olhavam com ternura e admiração.

Quando ela estava a apenas dez passos de distância, duas pessoas saltaram subitamente da plateia: uma correu em direção a Loli, e a outra em direção ao altar.

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