《Ela Não é Mais a Mesma: A Vingança Silenciosa da Ex-Mulher》Capítulo 19

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Na noite após o encerramento da exposição, Samuel levou Clarice e Loli para jantar em um restaurante. Enquanto os três conversavam alegremente, Samuel subitamente fixou o olhar em uma direção atrás de Clarice e perguntou: — Aquela é uma pessoa que você conhece?

Clarice teve um mau pressentimento. Ao se virar, confirmou: era Ricardo. Loli também o reconheceu e disse, descontente: — Aquele tio estranho já apareceu antes, perseguindo a mamãe, dizendo que errou e pedindo perdão. Tinha também um menino com ele, muito ríspido e sem educação.

A criança não entendia a complexidade daquelas relações, mas Samuel já havia deduzido bastante. Com um sorriso leve, ele perguntou: — Um ex-marido tentando reconquistar a esposa?

Clarice balançou a cabeça. Talvez pelo efeito do álcool, ou talvez porque o amargor acumulado nesses anos tivesse atingido seu limite, ela sentiu uma vontade avassaladora de desabafar. Contou tudo: desde como conheceu Ricardo até a traição final. Ao terminar, ela estava em prantos, soluçando contra um lenço de papel.

Ricardo, que estava logo atrás, fez menção de se aproximar, mas foi contido por um olhar de advertência de Samuel. Percebendo que não tinha mais o direito ou a posição para intervir, ele voltou a se sentar, observando de longe os ombros de Clarice tremerem. Ele quase podia ouvir os soluços abafados dela.

Antigamente, quando ainda moravam juntos, ele ouvira aquele som muitas vezes. Ele perdia a paciência, ela se sentia injustiçada e se escondia no pequeno closet para chorar baixinho. Aquele som de choro, que antes o irritava, agora se sobrepunha à imagem dos ombros trêmulos dela. Ricardo finalmente enxergou a extensão de seus erros; o amor de Clarice fora desgastado por cada pequeno detalhe de negligência cotidiana até não sobrar nem o pó.

Seu coração se apertou em uma agonia profunda. Doía mais do que quando seu corpo fora perfurado por uma barra de ferro naquele acidente de carro. Detalhes que ele deliberadamente tentara esquecer voltaram à mente: como, no momento crucial, Melissa o usara como escudo, e como Clarice agira heroicamente para salvá-lo, resultando na perda de dois dedos e na impossibilidade de pintar por muito tempo.

Como ela teria sobrevivido àquelas noites frias e sombrias? Inundado pelo remorso, Ricardo cobriu o rosto e chorou copiosamente, sem se importar com as aparências.

Do outro lado, Samuel e as meninas haviam terminado o jantar. Samuel pegou Loli no colo com uma mão e, com a outra, amparou Clarice, conduzindo-as para fora com firmeza. Antes de sair, ele trocou um olhar distante com Ricardo. Como homem, Ricardo reconheceu aquele olhar imediatamente: era uma mistura de aviso e ameaça.

Ricardo cerrou os lábios, mas ainda não queria desistir.

Ao acordar no dia seguinte e recuperar a sobriedade, Clarice percebeu a tolice que fizera na noite anterior e apressou-se em pedir desculpas a Samuel. Ele apenas entregou uma tigela de mingau a ela e disse suavemente: — Não foi nada. — Após ela terminar de comer, ele acrescentou: — O cartório abre hoje.

Clarice estancou, piscando várias vezes até processar o que ele queria dizer: — Você... você aceitou?

O homem assentiu. Ela ficou radiante, abrindo um sorriso genuíno, e imediatamente prometeu: — Fique tranquilo, não vou te causar problemas. Assim que eu conseguir a guarda, podemos nos divorciar quando você quiser. Eu não vou tocar em nenhum dos seus bens.

Samuel achou graça daquelas palavras, que soavam como uma declaração formal de isenção de responsabilidade. Ele não a desmentiu; era tudo muito recente, e ela precisava de tempo para processar as mudanças.

Os dois foram ao cartório após a refeição. Clarice fez questão de vestir uma blusa nova e, raramente, aplicou uma leve maquiagem; estava tudo pronto. Mal haviam entrado no cartório, Ricardo estacionou o carro na porta. Se não estivesse enganado, aqueles eram Clarice e Samuel entrando ali? Não, era impossível. Como Clarice poderia ter se apaixonado por outro tão rápido?

No entanto, ao ver Clarice e Samuel saindo do cartório, cada um segurando uma caderneta vermelha de casamento, sua sanidade se esvaiu completamente. Ele correu em direção a ela, tentando tocá-la: — Clarice, isso é uma brincadeira, não é? Como você pode se casar com ele? Você sequer o conhece!

Clarice manteve a expressão imperturbável, entrelaçando seu braço ao de Samuel e declarando com firmeza: — Eu também não te conhecia bem quando nos casamos, não é? Ricardo, caia na real. Eu não sou mais a Clarice do passado.

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