Clarice virou-se imediatamente, tentando se misturar à multidão. Mesmo assim, Ricardo conseguiu interceptá-la na saída do local da exposição.
— Clarice, que coincidência, não?
Ricardo disse aquelas palavras inoportunas enquanto a encarava. Seu rosto transparecia ansiedade; ele tentava não parecer nervoso, mas suas mãos trêmulas o denunciavam.
Clarice decidiu ser direta e colocar as cartas na mesa: — Ricardo, as palavras que eu disse da última vez não foram claras o suficiente? Por que você continua me perseguindo?
Ele não esperava que ela abrisse a boca para dizer algo tão cortante logo de cara. Ricardo sentiu-se ferido por um instante, mas logo disfarçou sua dor, adotando um tom de voz submisso: — Eu vim para pedir desculpas. Desta vez, é um pedido sincero. Vou me desculpar até que você me perdoe.
Ele demonstrava persistência e determinação — exatamente como costumava fazer por Melissa no passado.
Clarice olhou para ele com frieza, sem sentir qualquer oscilação em suas emoções. Era estranho: antes, vê-lo a deixava ou feliz ou triste, geralmente angustiada e irritada. Até na última vez em que se viram, ela sentira náuseas. Mas desta vez, não sentia absolutamente nada. Nem alegria, nem tristeza, nem vontade de acusá-lo. Para ela, Ricardo agora era apenas um estranho, incapaz de afetar seus sentimentos.
Quanto ao pedido de desculpas dele, era algo totalmente irrelevante. Era como fumaça, que se dispersa com o primeiro sopro de vento.
No entanto, ele não desistiu. Deu um passo à frente, tentando segurar a mão de Clarice, com o rosto cheio de determinação e expectativa: — Eu já resolvi o problema de todas as pessoas que te maltrataram. O Luan também foi enviado para uma escola especializada. No futuro, nunca mais deixarei que você sofra nenhuma injustiça.
Ele acreditava piamente que, ao eliminar esses "obstáculos" e complicações, Clarice voltaria para ele e eles poderiam retomar a vida de onde pararam. Não, ele faria melhor do que antes; ele a protegeria com mais afinco para que ela sentisse sua sinceridade.
Clarice observou aquele homem cheio de promessas e, de repente, sentiu que tudo aquilo era um tédio: — Por quê?
Ricardo ficou confuso com a pergunta: — "Por quê" o quê?
Ela continuou calmamente: — Por que essa obsessão súbita em me reconquistar? É ferocidade competitiva por ter me perdido? Você acha que eu ainda sou a mesma de antes? Ou apenas não se acostumou com uma vida onde ninguém te serve?
Os lábios de Ricardo se abriram e fecharam, ele quis dizer algo, mas as palavras não saíram. Sua mente ficou em branco, sem saber como responder aos questionamentos dela.
Mas Clarice prosseguiu: — Ricardo, você gosta de mim?
Ricardo olhou para ela, atônito.
Gostar?
Ele nunca havia parado para analisar esse sentimento. Ele apenas sabia que era natural que Clarice estivesse ao seu lado e que era óbvio que eles deveriam envelhecer juntos.
Ao ver aquela expressão de confusão, Clarice já tinha a sua resposta. Ela baixou a cabeça com um sorriso amargo: — Ricardo, você continua o mesmo. Não importa o quanto diga que mudou ou como vai me tratar, no fundo você ainda é você. Você continua sendo egoísta, agindo por impulso e pisoteando a sinceridade alheia.
— Quando a sinceridade acaba, ela acaba de vez. Não adianta você se ajoelhar e implorar; ela não volta.
Sua voz era muito suave, como se estivesse prestes a desaparecer. Ricardo sentiu uma sensação de impotência, como se ela estivesse escorregando por entre seus dedos, e tentou desesperadamente reverter a situação: — Se eu encontrar provas de que eu gosto de você, você me daria outra chance?
Clarice quase riu ao ouvir aquilo. Arqueou a sobrancelha e rebateu: — Provas de que gosta de mim? Para você, "gostar" é algo que só existe se você se esforçar para procurar evidências?
— Ricardo, desista. Você nunca vai mudar. E mesmo que mudasse, eu não teria mais nenhum interesse em você.
Depois de falar de forma tão clara, até um tolo entenderia o que ela quis dizer. Clarice pensou o mesmo, mas não imaginava que Ricardo ainda seria capaz de fazer algo que a deixaria ainda mais sem palavras.