A solução mais rápida no momento seria encontrar alguém para um casamento de fachada, obter a guarda legal de Luanzinha e, depois, divorciar-se. No entanto, as pessoas da cidade não eram de confiança; se ela desse o azar de encontrar alguém mal-intencionado, não teria tempo nem de fugir.
Clarice pensou e repensou, e um nome surgiu em sua mente: Samuel.
Ela não sabia se ele tinha uma companheira, mas ele parecia ser o tipo de homem com um forte senso de responsabilidade. Mas como tocar nesse assunto?
Clarice caminhava pelo mercado de rua segurando a mão de Luanzinha, com a mente perdida nessas cogitações, sem perceber as duas pessoas que vinham em sua direção.
— Clarice?
Ricardo olhava incrédulo para a mulher que havia desaparecido há dois meses. Ele movera céus e terra e, finalmente, através do rastro de um e-mail, conseguira localizar o endereço atual dela. Mas quem era aquela menina que ela segurava? A garotinha era espevitada e parecia ter a mesma idade de Luan; provavelmente não era filha dela.
Ricardo sentiu um leve alívio e apressou o passo. Clarice, ao ver os dois à sua frente, sentiu o sangue congelar. Luanzinha percebeu a estranheza, balançou a mão de Clarice com preocupação e perguntou, confusa: — Mamãe?
Ricardo, que já estava perto o suficiente, ouviu perfeitamente a menina chamá-la de "Mamãe!". Ele estancou os passos, sem acreditar no que acabara de ouvir. Em apenas dois meses, ela já tinha uma nova família?
Luan, ao ouvir uma estranha chamar Clarice de mãe, também sentiu um profundo incômodo e gritou: — Ela é a MINHA mãe!
A voz arrogante fez Clarice despertar do transe. Ela pegou Luanzinha no colo imediatamente e virou as costas: — Não conhecemos essas pessoas. No futuro, se os vir de novo, não fale com eles.
Luanzinha assentiu obedientemente, abraçando o pescoço de Clarice, mas sentia medo de que sua "mãe" fosse levada embora. Luan, com seu temperamento de herdeiro mimado, nunca fora ignorado daquela forma. Ele começou a berrar: — Pare aí, bruxa velha!
Ele correu atrás dela e agarrou sua roupa com força, impedindo-a de andar. — Por que você deixa os outros te chamarem de mãe?! Eu não permito! Eu não permito!
Dois meses se passaram, mas Luan continuava o mesmo garoto insuportável de sempre. Clarice puxou o vestido das mãos dele e o encarou com indiferença: — Quem é você? Eu não te conheço.
Luan ficou em choque. Ele nunca imaginou que sua mãe o ignoraria desse jeito. Antes, não importava o quão cruel ele fosse, bastava uma ordem sua para que Clarice fizesse tudo o que ele queria.
Clarice levantou o olhar para Ricardo, indo direto ao ponto: — Nós não temos mais nenhum vínculo. De agora em diante, peço que fique longe de mim e não interfira na minha vida.
Ricardo olhava fixamente para aquele rosto familiar, porém agora estranhamente distante. Os olhos que antes transbordavam amor por ele agora estavam gélidos, sem o menor vestígio de afeto. Ele passara dois meses em uma busca obsessiva para não ouvir algo assim.
— Clarice, pare com isso. Eu sei que errei, e vou me redimir adequadamente. Não importa o que você peça, eu farei.
Ele já havia baixado tanto a sua guarda e o seu orgulho; Clarice não seria insensata a ponto de recusar, seria? No entanto, os olhos dela não mostraram a compaixão ou o perdão que ele esperava. Ela apenas o olhou com um desprezo que beirava a pena: — Então nunca mais apareça na minha frente. Sinto nojo só de olhar para você agora.
Ricardo não conseguia acreditar. Como a mulher que o amara tanto poderia ter mudado dessa forma? Ele esticou a mão para segurá-la, mas Clarice esquivou-se imediatamente, como se temesse ser contaminada pelo toque dele.
Uma senhora que vendia produtos ali perto notou a situação e se aproximou: — Minha filha, precisa de ajuda?
Clarice assentiu: — Por favor, chame a polícia.
A polícia chegou rápido e levou Ricardo e Luan sob a acusação de assédio. Não importava quantas vezes Ricardo gritasse que eram marido e mulher, a resposta de Clarice era apenas uma: — Ele está louco. Nós não somos casados.