《Ela Não é Mais a Mesma: A Vingança Silenciosa da Ex-Mulher》Capítulo 9

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Ricardo esperou por um pedido de desculpas de Clarice por longas duas semanas. Nesse meio tempo, a vida ao lado de Melissa parecia fluir bem, mas, conforme os dias passavam, uma inquietação crescente começou a tomar conta de seu peito.

Usando um check-up médico como pretexto, ele foi ao hospital, pensando em dar uma "oportunidade" a Clarice: se ela demonstrasse o mínimo de arrependimento, ele faria vista grossa e a perdoaria. No entanto, ao chegar à porta do quarto, deparou-se apenas com um leito vazio e impecavelmente arrumado.

Ao questionar no balcão de recepção, recebeu a resposta seca: ela tivera alta há dois dias.

O pânico de Ricardo aumentou. Ele pegou o celular para ligar, mas, ao rolar o histórico de chamadas recentes por um bom tempo, não encontrou o nome de Clarice.

Há quanto tempo não nos falamos?

, pensou, surpreso. Ele buscou nos contatos, apenas para perceber que nem sequer tinha um apelido salvo para ela; não sabia qual daqueles números era o dela. Normalmente, era Clarice quem o procurava, e ele nunca se dera ao trabalho de prestar atenção a esses detalhes.

Após uma hora sentado em um banco do hospital vasculhando o aparelho, finalmente encontrou um número que tinha certeza ser o dela. Ao discar, foi recebido por uma voz mecânica e fria: "Desculpe, o número discado não existe. Por favor, verifique e..."

Ele olhou para a tela, incrédulo.

Como isso era possível?

Ricardo correu para casa. Ao abrir a porta, foi recebido por um cheiro forte de poeira acumulada; parecia que ninguém pisava ali há muito tempo. O apartamento estava ainda mais vazio do que da última vez que ele estivera lá. Seu coração batia descompassado e suas mãos tremiam levemente.

Ao olhar ao redor, avistou um documento sobre a mesa, já coberto por uma fina camada de pó. As palavras

"ACORDO DE DIVÓRCIO"

saltaram aos seus olhos, cravando-se como lâminas em seu coração. Ele se lembrava daquele documento; fora ele mesmo quem o jogara sobre Clarice tempos atrás. Agora, o papel voltava como um bumerangue, atingindo-o em cheio.

A caligrafia delicada e firme de Clarice não mostrava hesitação. A data da assinatura era de um mês atrás — justamente durante o feriado de Ano Novo e o aniversário de casamento em que ele esteve ausente. Sem que ele soubesse, ela planejara tudo silenciosamente por um mês, transformando aquele silêncio em uma faca afiada que agora o golpeava.

Por um instante, Ricardo ficou atordoado, recusando-se a acreditar que ela realmente partira.

Como?

Ela estivera ao seu lado por cinco anos; não importava o quão frio ou rude ele fosse, ela sempre aceitara tudo com resignação. Como pudera, de repente, decidir ir embora? Seria aquilo uma jogada? Um ultimato final?

Ele sentiu uma necessidade urgente de confrontá-la, de exigir explicações pessoalmente, mas, ao tentar pensar onde ela estaria, percebeu que não sabia absolutamente nada sobre ela. O que ela gostava, onde costumava ir, seus hobbies... tudo era um completo mistério. Até o único número de telefone agora era inexistente. Clarice parecia ter evaporado do mundo.

Ricardo não desistiu. Lembrou-se da noite no bar; ele não chamara a polícia, então Clarice deve ter feito o chamado depois. Como um número inexistente poderia ter ligado para a polícia? Com essa ponta de esperança, ele correu para a delegacia.

Mas a resposta do policial foi um golpe devastador: naquela noite, o chamado não fora feito pelo celular dela, mas sim pelo aparelho que ela tomara do próprio agressor.

Imediatamente, a imagem de Clarice surgiu em sua mente: uma mulher coberta de sangue, sofrendo de dor, lutando sozinha para pedir socorro enquanto ele a abandonava. Um gesto tão simples que ele se recusara a fazer.

Ricardo saiu da delegacia em transe, sentindo-se perdido. Quando seu celular tocou, ele atendeu num salto: — Clarice?

Mas a voz do outro lado não era a que ele esperava: — Ricardo, o Luanzinho não para de pedir para ir ao parque de diversões. Vamos?

Ricardo recuperou a consciência por um breve momento e recusou: — Não vou. Faça-o dormir.

Melissa, percebendo o tom rouco e deprimido dele, não entendeu o que estava acontecendo, mas intuiu que não era algo bom para ela. Mordendo o lábio e fazendo-se de frágil, disse: — Ricardo, você sabe que eu sempre senti que devia algo ao Luan... eu também quero tentar ser uma boa mãe para ele, por isso...

A palavra "mãe" atingiu um nervo exposto em Ricardo. Ele respondeu sem pensar, com uma risidez que assustou a si mesmo: — O Luan só tem uma mãe!

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