Na porta da mansão, ao ver o carro que levava Pietro se afastar, Valentina sentiu um aperto involuntário no peito. Por algum motivo, seu coração disparou subitamente, como se algo estivesse escapando de seu controle. Essa sensação estranha a impulsionou a querer ordenar que o veículo parasse.
— Espera...
Antes que pudesse completar a frase, um estalo ecoou no ar e uma chuva de confetes coloridos caiu sobre sua cabeça.
— Feliz aniversário, querida!
Valentina paralisou e virou-se para Iago. Os olhos brilhantes dele transbordavam alegria enquanto ele se ajoelhava diante dela, declarando com devoção:
— Valentina, casa comigo.
Só então Valentina se lembrou de que hoje era o seu aniversário. E Iago havia prometido que a pediria em casamento justamente nesta data. Era uma cena que ela acreditava que a deixaria radiante, mas percebeu que seu coração não estava tão emocionado quanto esperava. Ela imaginava um pedido de casamento em um lugar romântico, cercado de flores, e não em um cenário tão simples diante da própria porta.
Inevitavelmente, a imagem do pedido de Pietro veio à sua mente. Naquela época, ele já havia sido arruinado por ela, tendo perdido quase todo o seu patrimônio para pagar indenizações. Mesmo assim, ele alugou um iate, mandou trazer rosas vermelhas frescas do exterior e, sob uma chuva de fogos de artifício, colocou o anel em seu dedo. Pietro havia feito o impossível para dar a ela a cerimônia mais solene e grandiosa que pôde.
E agora...
Iago esperava pela resposta de Valentina, mas ao vê-la em silêncio por tanto tempo, franziu a testa.
— Valentina?
Ela despertou do transe, reprimindo as emoções confusas. Com um sorriso forçado, disse:
— Desculpe, eu fiquei tão feliz que não consegui reagir na hora.
Os olhos de Iago voltaram a brilhar.
— O anel está no meu bolso. Minhas mãos estão feridas e não consigo pegar, você mesma pode tirar e colocar, por favor?
Quando o anel foi colocado no dedo de Valentina, Iago depositou um beijo suave nas costas de sua mão.
— Agora você é finalmente minha.
Valentina olhou para o diamante de menos de um quilate em sua mão e, de repente, sentiu saudades do anel de esmeralda, uma relíquia de família que Pietro lhe dera. Ao perceber o que estava pensando, sua expressão mudou drasticamente e ela se repreendeu internamente por ser materialista. Iago nunca foi de ostentação, e não havia necessidade de comparar coisas materiais; fazer isso era profanar o sentimento deles.
Com esse pensamento, o sorriso de Valentina tornou-se mais sincero. Ela levantou Iago e o beijou voluntariamente.
— Querida, — murmurou Iago entre beijos, — posso me mudar para cá com você?
Valentina concordou sem hesitar. No entanto, ao ver os empregados retirarem as coisas de Pietro uma a uma, ela disse, agindo por um impulso estranho:
— Esquece. Vamos morar em outro lugar. — Ela inventou uma desculpa para si mesma: — Este lugar ainda tem o rastro do Pietro, eu não gosto disso.
Valentina levou Iago para uma de suas coberturas de luxo. À noite, Iago convidou os colegas de equipe para comemorar o aniversário dela. Após cortarem o bolo, todos entregaram seus presentes. Enquanto abria as caixas sofisticadas, Valentina distraiu-se novamente; lembrou-se de que Pietro havia dito que preparara uma surpresa de aniversário para ela.
O que ele preparou?
A curiosidade crescia em seu peito. Por fim, ela recusou as investidas de Iago e, inventando uma desculpa, voltou sozinha para a mansão onde morava com Pietro.
Ela começou a procurar por todos os cantos, do salão principal ao último andar, mas não encontrou nada. Valentina sentia uma ansiedade corrosiva; ela quase revirou a casa inteira de cabeça para baixo. A assistente, que a acompanhara após o envio de Pietro, não aguentou e interveio:
— Chefe, já que o Pietro sabia que a senhora o estava usando o tempo todo, dificilmente ele teria preparado um presente.
Valentina paralisou, com a mão ainda em um armário. Após um instante, disse com voz grave:
— Ele sabia da verdade e mesmo assim não fez escândalo, apenas perseguiu o Iago. Isso prova que ele ainda me ama. Se ele me ama, ele preparou um presente.
Talvez por teimosia ou para contradizer a assistente, Valentina discou o número de Pietro. Ela queria perguntar pessoalmente onde ele escondera o presente. A assistente, porém, lembrou-a em voz baixa:
— O Pietro recebeu a dose de alucinógenos. Ele está em surto psicótico, não se lembra de mais nada.
Aquelas palavras foram como um espinho cravado no coração de Valentina. Imaginar que os olhos de Pietro, antes cheios de devoção por ela, agora estavam vazios e sem reconhecer ninguém — inclusive ela — causou-lhe uma dor aguda. Um rastro de arrependimento brotou do fundo de sua alma.
Será que fui cruel demais com ele?
— Não — Valentina balançou a cabeça. Iago era seu ponto fraco; Pietro nunca deveria ter tentado machucá-lo. O que aconteceu com ele foi apenas a consequência de seus próprios atos.
Convencida disso, ela desistiu de procurar o presente que talvez nem existisse.
— Vamos embora — disse ela, friamente.
Mas, ao dar o primeiro passo, Valentina parou. No chão, ela finalmente encontrou o que Pietro deixara para ela. Era um bilhete curto, com apenas uma frase:
"Valentina, vamos terminar."
As pupilas de Valentina se contraíram violentamente.