— Pietro? — Iago o barrou no caminho. Sua expressão mudou várias vezes até se estabilizar em uma frieza sombria. — O quanto você ouviu?
Ele balançou a cabeça logo em seguida. — Sabe, não importa o quanto ouviu. Você não vai a lugar nenhum esta noite.
Pietro sentiu o perigo imediato e tentou correr. Mas eram dois contra um, e ele ainda estava se recuperando de ferimentos graves; não havia escapatória. Rapidamente imobilizado e empurrado em direção ao lago, ele sentiu um calafrio percorrer a espinha.
— Iago, você tem coragem de matar alguém?!
— E por que não teria? — Antes que Iago pudesse responder, o outro homem que o segurava interveio. — Não seria a primeira vez.
Dito isso, os dois saltaram no lago arrastando Pietro consigo. A água gelada invadiu instantaneamente suas narinas e boca. Pietro lutou por instinto, mas era impossível se livrar do aperto dos agressores. No auge do desespero, ele ouviu o som abafado de Valentina correndo em direção à margem.
Em um último esforço, ele estendeu a mão para fora da água. No segundo seguinte, Iago o soltou e gritou desesperadamente: — Valentina, me salva! O Pietro quer me afogar!
Pietro viu Valentina pular no lago sem hesitar, nadando com todas as forças na direção de Iago. A mão de Pietro caiu, sem vida, de volta à água.
Não se sabe quanto tempo passou até que um par de mãos o erguesse para a superfície. Mas aquelas mãos não eram de um salvador. Elas o afundavam repetidamente e o puxavam de volta apenas para que ele não morresse de imediato. O ciclo se repetiu até que Pietro estivesse quase sem fôlego, sendo então jogado na margem como um animal morto.
O agressor, desta vez, foi direto: — Minha patroa mandou você guardar bem esse sentimento. Tudo tem um limite. Se você ousar tocar no Iago de novo, ela não terá piedade.
Pietro encolheu-se no chão. Por mais que devesse estar anestesiado por tanta dor, seu coração ainda latejava com a agonia de quem está prestes a morrer.
Duas horas depois, ele conseguiu voltar à base. Ao olhar para o quarto de Valentina, a porta estava trancada; ela parecia dormir profundamente, como se nada tivesse acontecido. No entanto, através do fone de ouvido, ele ouvia as confidências íntimas dela com Iago.
— "Eu já mandei darem uma lição pesada nele. Calma, não tenha medo, isso não vai se repetir," — dizia ela, suavemente. — "Mas, Iago... por que o Pietro está te perseguindo tanto ultimamente?"
Pietro ouvia tudo, sem qualquer expressão no rosto.
Valentina, se você soubesse que tipo de demônio você ama, será que se arrependeria de tudo o que fez hoje?
Ele mal podia esperar por esse dia.
No dia seguinte, a rotina na base parecia normal. Ninguém mencionou o ocorrido, mas Pietro sentia que Valentina estava muito mais distante. Ela ainda usava aquela máscara de ternura, mas a indiferença subjacente era clara. Pietro já não se importava com ela; seu foco era Iago. Iago, que o cumprimentou com um sorriso pela manhã, mas que Pietro sabia que não pararia por ali.
O pressentimento se confirmou. No dia em que Pietro finalmente deveria partir, um grupo de homens invadiu sua casa e o rendeu.
— O que vocês estão fazendo?
Ninguém respondeu. O líder apenas colocou uma venda em seus olhos. A visão de Pietro mergulhou na escuridão, e uma voz fria e distorcida soou no ambiente: — Parece que as duas últimas lições não foram suficientes para você aprender. Você ainda teve a audácia de mandar alguém quebrar as mãos do Iago.
Pietro travou. Quando foi que ele tentou ferir as mãos de Iago? — Eu não fiz nada! — protestou ele. — Eu nunca o machuquei!
A voz continuou implacável: — As mãos do Iago foram feridas. Você deve pagar na mesma moeda.
Em seguida, veio a ordem cruel: — Quebrem cada osso das mãos dele.
Um frio mortal tomou conta de Pietro. Desesperado, ele gritou com todas as suas forças, ignorando qualquer cautela: — Valentina! Você não pode fazer isso comigo!