Uma semana depois, a porta do quarto de Pietro foi aberta. Valentina entrou com um sorriso radiante no rosto, caminhando em sua direção.
— Pietro, nós vencemos! Somos campeões!
No rosto de Pietro, porém, não havia o menor sinal de alegria. Não fazia nem uma hora que a equipe havia conquistado o título e a notícia já tinha cruzado o oceano, tornando-se o assunto mais comentado nas redes sociais. Ele já tinha visto tudo. Se fosse antes, talvez sentisse uma ponta de orgulho.
— Eu sei — respondeu Pietro, após um longo silêncio, com a voz gélida. — E sei também que o Iago roubou todo o meu mérito.
Ao expor o escândalo de forma tão abrupta, Pietro esperava que Valentina perdesse a compostura. No entanto, a mulher ao lado da cama permaneceu calma. Ela apenas se virou e, sem hesitar, desferiu um tapa sonoro no rosto de Iago, que a seguia.
Em seguida, sua voz suave ecoou pelo quarto:
— Pietro, eu trouxe o Iago aqui justamente para que ele te pedisse perdão.
Iago deu um passo à frente, baixando a cabeça.
— Sinto muito, Pietro. Eu prometo que isso não vai se repetir.
Sua atitude de arrependimento parecia sincera, mas os olhos de Pietro não demonstravam um pingo de calor.
— Se você realmente se sente culpado, vá para a internet e conte a verdade a todos.
O rosto de Iago empalideceu instantaneamente. Valentina também guardou silêncio por alguns instantes antes de intervir.
— Pietro, o Iago é a peça central da equipe agora. Se um escândalo desses estourar, a nossa equipe A.Y estará arruinada. A A.Y já passou por um golpe terrível uma vez; não suportaria um segundo.
Pietro sentiu vontade de rir. Ele sabia que Valentina estava "lembrando-o" do episódio de dois anos atrás, quando ele quase destruiu a equipe por causa do suposto uso de substâncias proibidas. Mas quem, afinal, tinha dirigido e encenado aquele golpe devastador?
Os olhos de Pietro ficaram injetados. No fundo, ele queria explodir, gritar e questionar Valentina por que ela o tratava daquela forma. Mas arrancar a máscara de hipocrisia daquelas pessoas agora não lhe traria benefício algum. Atualmente, ele estava sozinho; sua reputação fora enterrada naquela final e, mesmo que fizesse um escândalo, ninguém ficaria ao seu lado. Além disso, se Valentina descobrisse que ele pretendia se juntar à equipe rival em breve, não se sabia que atitudes extremas ela poderia tomar.
Por fim, Pietro apenas disse:
— Quero ficar sozinho. Podem ir.
Valentina hesitou por um segundo.
— Então, descanse bem.
Dito isso, ela saiu do quarto levando Iago consigo. Pouco depois, Pietro reuniu forças para se levantar da cama e os seguiu silenciosamente. No corredor, ao dobrar uma esquina, viu Valentina acariciando o rosto de Iago com ternura.
— Está doendo muito?
— Se você me der um beijo, para de doer.
Logo em seguida, sons de beijos apaixonados vieram do corredor. Pietro fechou os olhos abruptamente. Embora já soubesse que tudo o que Valentina fizera era por causa de Iago, ouvir e ver eram impactos completamente diferentes. Naquele momento, todas as cicatrizes em seu corpo pareciam latejar com uma dor dilacerante. Ele cerrou os punhos com força e retornou ao quarto sem fazer barulho. Todo o seu sofrimento vinha de Valentina. Amar a pessoa errada podia ser algo terrivelmente doloroso.
Mais uma semana se passou e Pietro finalmente recebeu alta. No caminho para casa, Valentina segurava seu braço com carinho, perguntando suavemente:
— O que você quer comer? Quando chegarmos...
No segundo seguinte, sua voz mudou drasticamente de tom.
— Cuidado!
Um jovem, empunhando uma faca de cozinha, corria freneticamente na direção deles. Pietro arregalou os olhos e, por puro instinto, tentou proteger Valentina. Quando o agressor se aproximou, ele percebeu que o alvo era Iago. Mas, no momento decisivo, Pietro sentiu um puxão violento. Valentina o usou como escudo, empurrando-o diretamente na frente de Iago.
Pietro sentiu um frio agudo no peito, seguido por uma tontura avassaladora. Ao cair, ele viu Valentina correr desesperada para proteger Iago e retirá-lo do local da confusão, sem sequer lançar um olhar para trás, para ele. Sua mão tateou o ar, tentando alcançar o rastro deles, antes de cair inerte no chão.
Quando abriu os olhos novamente, Pietro estava de volta ao familiar quarto de hospital. Como da última vez, Valentina estava ao seu lado. Parecia que ele estava preso em um ciclo bizarro onde, não importava o que acontecesse, ele era sempre o único a sair ferido.
Ao vê-lo acordar, Valentina o abraçou imediatamente, como se tivesse acabado de escapar de um pesadelo.
— Pietro, você me matou de susto!
Com essas palavras, as lágrimas dela começaram a cair pesadamente.
— Me perdoa, Pietro... Naquela hora eu me confundi, achei que o Iago fosse você e por isso eu...
A voz de Valentina ficou embargada. A culpa e o pavor em seu rosto faziam parecer que ela realmente tinha medo de perdê-lo. Mas o olhar de Pietro estava vazio. Momentos de crise são os melhores para testar a sinceridade de alguém. Aquele golpe de faca cortou sua última gota de ilusão.
Sem querer mais olhar para a falsa devoção dela, ele virou o rosto para o lado, com a voz rouca:
— Estou cansado. Quero dormir.
O choro de Valentina parou por um instante. Ela o soltou lentamente.
— Está bem. Não vou te atrapalhar.
Ela limpou as lágrimas e saiu silenciosamente do quarto. No instante em que cruzou a porta, a expressão de amor profundo desapareceu completamente de seu rosto.
— Vá investigar. Precisamos pegar quem fez isso hoje a todo custo — ordenou ela ao assistente.
O assistente a observou com cautela.
— A senhora quer fazer justiça pelo Pietro?
Valentina balançou a cabeça.
— O assassino estava atrás do Iago. Se não o pegarmos, temo que o Iago ainda corra perigo.
Enquanto falava, ela levou a mão ao peito. O médico dissera que a situação de Pietro desta vez fora ainda mais grave do que a do acidente de carro; se a faca tivesse entrado um centímetro para o lado, ele estaria morto. Valentina franziu os lábios, sentindo um leve aperto no peito. Mas ela não deu importância ao sentimento; afinal, até um cachorro que você cria por anos gera algum apego, quanto mais um ser humano.
O assistente, porém, suspirou internamente. Ela também estava lá e viu tudo claramente: no momento do ataque, enquanto Pietro instintivamente tentava proteger Valentina, Iago já tinha se encolhido lá atrás.
Quantas pessoas na vida estariam dispostas a levar uma facada por outra? Ela tinha a sensação de que, no futuro, Valentina se arrependeria amargamente.