No local da grande final, o astro do e-sport, Pietro, foi pego em um exame antidoping por uso de substâncias proibidas. Por conta disso, sua equipe perdeu o título de forma devastadora, e fãs enfurecidos, em um surto de violência, quebraram suas mãos. O mundo inteiro o boicotou; sua carreira estava em ruínas.
Apenas sua namorada, Valentina, permaneceu ao seu lado. Ela enfrentou inúmeras dificuldades para garantir que ele se tornasse o treinador principal da equipe. Pietro dedicou cada gota de seu esforço para levar o time ao campeonato mundial, mas, na véspera da viagem, sofreu um terrível acidente de carro.
Enquanto estava deitado na maca de emergência, oscilando entre a vida e a morte, ele ouviu por acaso uma conversa entre Valentina e seu assistente.
"Chefe, forjar aquele exame de doping e mandar quebrarem as mãos dele já foi o suficiente para derrubá-lo do pedestal. Mandar alguém atropelá-lo agora... não seria demais?"
Valentina respondeu com uma frieza cortante: "Se eu não o inutilizar, como Iago poderá assumir o lugar dele?"
"Todas as táticas de jogo foram criadas por Pietro. Somente se ele não comparecer é que Iago poderá levar todo o crédito por essa vitória."
Pietro sentiu como se tivesse caído em um abismo de gelo. No fim, aos olhos de Valentina, ele era apenas uma ferramenta para pavimentar o caminho de seu verdadeiro amor. Lágrimas silenciosas escorreram pelo canto de seus olhos. Só então ele percebeu o erro terrível que foi amar Valentina.
...
Bip —
Um alarme estridente ecoou subitamente na sala de emergência.
"Péssimo! A saturação de oxigênio do paciente caiu para o nível crítico. A situação é perigosa!"
Valentina, que conversava com o assistente, mudou de expressão instantaneamente. "Ele não estava bem agora pouco? Por que piorou de repente?"
Sua voz soou grave: "Façam o que for preciso para salvá-lo. Darei o que for necessário."
No entanto, no momento em que descobriu a verdade, toda a vontade de viver de Pietro desmoronou. As ondas no monitor cardíaco esticaram-se em uma linha reta, carregando um presságio sombrio. Pietro soltou um suspiro agônico, típico de quem está partindo.
Não me salvem. Dói demais. Apenas me deixem morrer. Assim, não terei que encarar os insultos da internet, nem precisarei mais odiar a ingratidão dela...
Mas a realidade não se curvava à sua vontade. Após sofrer torturas e desmaios incontáveis, ele foi brutalmente arrancado das garras da morte.
Três dias depois, quando Pietro abriu os olhos, deparou-se com o rosto cansado de Valentina. Ela ainda era linda, mas Pietro já não conseguia sentir um pingo de amor por ela.
"Pietro, você acordou!"
Ele não se moveu, nem disse uma palavra. No fundo, desejava que tudo aquilo não passasse de um pesadelo. Contudo, a dor lancinante do atropelamento dilacerava seus nervos com uma força avassaladora. Pietro fechou os olhos. Ela era cruel demais. Agora, ele simplesmente não sabia como olhar para Valentina.
Um médico aproximou-se para checar seu estado e comentou em voz baixa, sorrindo: "O senhor tem muita sorte. Por sua causa, a Dona Valentina não poupou despesas para mobilizar a melhor equipe médica e os equipamentos mais modernos do país. Se fosse qualquer outra pessoa, a situação seria fatal. Ela realmente o ama demais."
Pietro não demonstrou nenhum calor ou ternura no olhar. Se Valentina realmente o amasse, como teria coragem de destruir sua reputação e carreira? Como suportaria vê-lo sofrer a dor das mãos quebradas e do acidente? Valentina sabia perfeitamente que o e-sport era o seu sonho. Sabia também que ele tinha intolerância a anestésicos; para ele, aquela cirurgia foi como ser retalhado vivo.
Naquele instante, um ódio intenso brotou no coração de Pietro. Ele fixou os olhos em Valentina e perguntou: "Você realmente queria que eu acordasse?"
O coração de Valentina deu um salto; uma súbita ansiedade a dominou.
"É claro", respondeu ela, com a consciência pesada. "Pietro, eu estava ansiosa para ver você abrir os olhos."
Pietro fechou os olhos novamente. Ele sentiu algo se estilhaçar dentro de seu peito. No fim, a morte do sentimento por alguém acontece em um piscar de olhos.
Ao vê-lo sem reação, Valentina sentiu uma onda de pânico e agarrou o braço do médico. "Doutor, o que está acontecendo?"
O médico examinou as pálpebras de Pietro. "Provavelmente o paciente ainda não está com a consciência clara e está delirando. Em alguns dias deve voltar ao normal."
Valentina finalmente relaxou. Por um momento, achou que Pietro tivesse descoberto algo.
Para garantir que ele descansasse, o médico aplicou-lhe um sedativo. Quando Pietro caiu em sono profundo, Valentina ajeitou o cobertor e instruiu o assistente: "Preciso sair para acompanhar a partida do Iago. Nestes dias, você fica no hospital cuidando do Pietro."
O assistente sorriu discretamente. "Lembro que o Iago prometeu à senhora que, assim que vencesse este campeonato, ficaria com você."
Valentina assentiu. "Se ele vencer, no dia 20 do mês que vem, meu aniversário, ele vai me pedir em casamento."
Ela sorriu, e aquele sorriso era genuíno, nada parecido com a falsidade que demonstrava diante de Pietro.
"E... quanto ao Pietro, o que faremos?"
Valentina hesitou por um segundo. "Tenho meus planos."
Ao chegar à porta, ela lembrou-se de algo e virou-se: "A propósito, aplique mais algumas doses de sedativo nele. É melhor que ele só acorde depois que conquistarmos o título."
"Mas...", o assistente hesitou, "dizem que sedativo em excesso pode prejudicar o sistema nervoso."
Valentina silenciou por um breve momento, mas manteve sua decisão: "Se o cérebro dele for afetado, eu cuido dele pelo resto da vida. Mas Pietro não pode, de jeito nenhum, ser um obstáculo para que Iago conquiste a glória que lhe pertence no mundial."
Valentina não se preocupou em se esconder de Pietro ao falar, sem saber que o homem na cama não era apenas intolerante a anestesias, mas também a sedativos. Mesmo com o coração já sem vida, ao ouvir a crueldade nas palavras dela, lágrimas escorreram silenciosamente por suas têmporas, sumindo no travesseiro.
Muito tempo depois, Pietro limpou o rosto e enviou uma mensagem para o maior rival de Valentina.
"Você não quer vencer Valentina a todo custo? Eu vou te ajudar."
A resposta veio rápida: "Sério? Quando você vem para o nosso lado?"
"No dia 20 do mês que vem."