《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 23

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A porta se fechou, e Beatriz sustentou o olhar com Dona Rosa. Seus olhos eram firmes, sem vacilar.

Após uns cinco minutos de silêncio, Dona Rosa tomou um gole de seu chá e disse com um sorriso brando: "Não tenha medo. Eu conheço a sua história. O velho Matos me contou tudo quando você foi indicada."

"Na época, eu até disse a ele: 'Por mais sofrida que uma pessoa seja, meu departamento não é abrigo de caridade'. Fui bem clara: se ela não tiver competência, eu a mando de volta no primeiro mês!"

"Mas vejo que o faro de Matos continua apurado. Você é impecável no que faz. Talvez o único erro de julgamento da vida dele tenha sido aquele tal de Augusto."

As palavras de Dona Rosa trouxeram um alívio imediato ao coração de Beatriz. Porém, logo em seguida, o tom da diretora mudou.

"Mas escute, Bia... e se isso acontecer de novo? Você vai ter que se explicar para todo mundo, todas as vezes? Hoje a líder sou eu, eu entendo e aceito sua história. Mas e se amanhã você der de cara com um chefe autoritário ou alguém que prefira te demitir só para evitar confusão no setor? O que você fará?"

"Soube que o tal Augusto Amaral andou te procurando. Meu conselho? Resolva isso de uma vez por todas." Ela deu batidinhas rítmicas na mesa, como um alerta. "Um momento de fraqueza ou 'coração mole' hoje pode gerar consequências infinitas amanhã. Ou você acha que ele teria saído tão cedo da custódia se você não tivesse sido condescendente?"

Beatriz hesitou: "Mas tem a criança..."

Dona Rosa riu com amargura. "Isso é problema dele. Você se preocupa com os problemas dele, mas quem se preocupa com os seus? Não me leve a mal por ser dura, Bia, mas pense bem: de onde você acha que saíram esses boatos caluniosos de hoje? Reflita sobre isso."

Beatriz deixou o gabinete em transe, sentindo-se perdida.

Será que eu agi errado esse tempo todo?

Absorta em pensamentos, ela caminhou para fora do ministério em direção ao alojamento dos funcionários. Ao entrar em um beco estreito que servia de atalho, um vulto saltou das sombras e a agarrou pelo pescoço.

Uma lâmina fria foi pressionada contra sua garganta. A voz do homem era rouca, carregada de ódio e malícia.

"Ei, mocinha... você tem ideia do mal que causou?"

Beatriz, que estava distraída, voltou a si instantaneamente. Ela fixou os olhos na faca e tentou manter a calma. "Cidadão, o senhor deve estar me confundindo com outra pessoa."

O homem soltou uma gargalhada sinistra. "Confundindo? Você é Beatriz Farias, não é? A filha de Heitor Farias... a culpada por minha filha estar apodrecendo na cadeia!"

"Por que você não ficou mofando na roça? Tinha que vir para a cidade estragar a vida da minha Isabela?"

"Se você não tivesse aparecido, ela teria usado sua identidade para sempre, e eu estaria vivendo no bem-bom, com um genro militar bancando tudo! Mas você estragou tudo!"

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O homem tinha os olhos injetados. "Por sua causa, eu não pude pagar minhas dívidas de jogo e aqueles marginais cortaram três dedos da minha mão! Como você vai me pagar? Que tal eu cortar três dedos seus também?!"

Enquanto tentava acalmar o agressor, Beatriz tateou o bolso do casaco e encontrou um estilete de papelaria que levara do escritório.

"Então... o senhor é o pai da Isabela Rios?"

O homem bufou. "Demorou para perceber? E não me culpe! Se o seu pai não tivesse inventado de ser herói e se alistado, minha mãe não teria me obrigado a ir também. Eu não teria desertado e não estaria nessa miséria hoje!"

"Já que você destruiu minha vida boa, não pense que terá paz!"

Em um gesto de fúria, ele pressionou a faca, cortando superficialmente o pescoço de Beatriz. O sangue começou a escorrer e a cabeça dela latejou de dor. Ela percebeu, com horror, que estava nas mãos de um psicopata. O desespero tomou conta.

Será que minha vida termina aqui?

Subitamente, ouviu-se um baque surdo.

Beatriz sentiu o braço do homem afrouxar. Sem vacilar, ela se desvencilhou e correu para frente. Ao olhar para trás, viu que Augusto Amaral surgira do nada e golpeara o agressor.

O pai de Isabela, zonzo pelo golpe, rugiu de dor ao reconhecer Augusto. Os dois entraram em uma luta corporal frenética. De repente, o velho Rios desferiu um golpe certeiro com a faca no abdômen de Augusto.

Ao ver Augusto cair, o agressor ainda lhe deu um chute brutal antes de ouvir as sirenes da polícia ao longe e fugir desesperadamente. Antes de sumir, ele gritou: "Beatriz! Você pode fugir hoje, mas não escapará para sempre! Eu volto para te buscar!"

Beatriz estava paralisada, ofegante, tentando processar o terror. Com as pernas trêmulas, ela se aproximou de Augusto, que jazia em uma poça de sangue. Sua voz saiu falha.

"Augusto! Augusto! Acorda, por favor, não apaga!"

Seu coração era um turbilhão de emoções. Como era possível que o homem que ela mais queria distância fosse, novamente, o seu salvador? Será que esse laço maldito com a família Amaral nunca seria cortado?

Augusto abriu os olhos com dificuldade e sussurrou: "Você... você está bem?"

Beatriz rasgou um pedaço de sua blusa para tentar estancar o ferimento dele, mas o sangue não parava de jorrar. Em meio ao pânico, as lágrimas começaram a cair.

"Eu estou bem! Fique acordado! O socorro está chegando... Augusto, você acabou de começar seu negócio, não pode morrer agora!"

Augusto esboçou um sorriso pálido. "Me perdoa? Só um pouquinho... por favor..."

Beatriz cerrou os dentes. "É hora de falar disso agora?!"

Mas a teimosia dele era inabalável, mesmo à beira da morte. "Diga que me perdoa..."

Uma lágrima caiu sobre o peito dele. Beatriz respondeu com a voz embargada: "Eu te perdoo."

Quase no mesmo instante em que as palavras saíram, Augusto fechou os olhos com um sorriso satisfeito e desmaiou.

"Augusto! Augusto! Acorda!"

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