《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 22

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A atmosfera estava leve e descontraída quando, subitamente, uma colega de trabalho apareceu correndo. Ela parou ofegante diante de Beatriz.

"Bia, aconteceu algo terrível! Alguém fez uma denúncia formal contra você."

Beatriz franziu a testa e trocou um olhar rápido com Xavier. Sem perder tempo, ela voltou imediatamente para o Ministério da Cultura. Antes mesmo de entrar na sala, já podia ouvir o alvoroço vindo de dentro.

PÁ!

Dona Rosa bateu com força na mesa, exigindo silêncio. Mas alguns não se intimidaram.

"Eu sempre disse... como uma mulher conseguiria tantas conquistas em tão poucos anos? No fundo, ela deve ter se vendido para subir na carreira!"

"Pois é... se fosse há alguns anos, gente desse tipo estaria na mira de um fuzilamento por conduta imoral!"

"Exato, Dona Rosa! A senhora não pode acobertá-la!"

"O que importa se ela é filha de alguém com méritos? Abandonou o marido e o filho só por causa de um emprego? Que tipo de ser humano faz isso? Ouvi dizer que, antes de vir para cá, ela teve um caso com um oficial de alta patente. Essa história está muito mal contada!"

Os colegas falavam todos ao mesmo tempo, com vozes carregadas de desprezo e malícia.

Beatriz empurrou a porta e entrou. Seus olhos localizaram imediatamente quem liderava o coro de ataques: Clara.

Clara sempre guardou rancor, acreditando que Beatriz só ocupara aquela vaga por indicação, tirando sua chance de ser contratada por Dona Rosa. O que ela não sabia era que aquele cargo de assistente sequer existia; fora criado a pedido do General Matos como uma forma de reparação histórica.

Beatriz não chegou ali "de graça". Antes de assumir, ela se afundou nos estudos por três meses, estudando dia e noite para ser minimamente aceitável aos olhos exigentes de Dona Rosa. Depois, trabalhou dobrado, suportando o gênio difícil da diretora até finalmente ser oficializada como funcionária de carreira.

Mas Clara ignorava o esforço, preferindo acreditar na fofoca. Ao ver Beatriz olhando para ela, soltou um sorriso provocador. Clara não sabia se os boatos eram verdadeiros, mas isso não a impedia de jogar lama. Ela simplesmente não suportava ver o sucesso de Beatriz!

Além disso, ela sabia que esse tipo de calúnia era difícil de combater: para se defender, a vítima teria que reabrir feridas do passado. Clara apostava que Beatriz, sendo uma mulher zelosa por sua reputação, preferiria engolir o sapo em silêncio.

Beatriz percebeu a jogada e sorriu friamente por dentro. Ao ouvir os fragmentos da conversa, entendeu do que se tratava: alguém pegou a história do que aconteceu no Norte e a distorceu completamente, removendo os fatos e deixando apenas a infâmia.

Xavier, ao ouvir as ofensas, ficou tão furioso que parecia prestes a explodir. Ele deu um passo à frente para intervir, mas Beatriz o segurou pelo braço.

Ela balançou a cabeça negativamente para ele, caminhou até o centro da sala e começou a explicar, pessoalmente, toda a trajetória de sua dor.

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Hoje, ela já era capaz de narrar aquele passado de mentiras e manipulações com uma calma absoluta. Observou as expressões dos colegas mudarem: da dúvida ao choque, e do choque a uma profunda compaixão.

Seu coração não vacilou.

"A história é essa. Se alguém ainda duvida, pode pedir os registros oficiais da polícia do Norte. Quem não deve, não teme. Mas, se alguém continuar a espalhar calúnias sem provas..."

Beatriz deu um sorriso gélido. "Então deixaremos a diplomacia de lado e resolveremos isso no tribunal, diante de um juiz!"

Assim que terminou, alguém no fundo da sala gritou: "Isso mesmo! Eu sempre soube que a Bia não era esse tipo de pessoa. Veja só a dignidade dela ao falar; não há por que duvidar."

"Para mim, está claro: tem gente que não suporta ver o brilho dos outros e tenta apagar no momento em que ela está prestes a ser promovida!"

Com esse comentário, muitos se deram conta de que aquele era o período de avaliações para as promoções e bônus anuais. Se houvesse qualquer mancha na reputação de um candidato, o Ministério jamais permitiria a ascensão.

Imediatamente, o clima mudou. Olhares de suspeita e desaprovação recaíram sobre Clara.

Clara entrou em pânico internamente, mas tentou manter a pose: "Eu apenas reproduzi o que ouvi nas ruas! Estava preocupada que a Dona Rosa estivesse sendo enganada!"

Dona Rosa soltou um riso sarcástico. "E você não poderia ter vindo falar comigo em particular?"

A diretora deu um bufo de desdém; ela não tinha paciência para joguinhos tão baixos.

"Este assunto será tratado com extrema seriedade. Vamos verificar os fatos e daremos uma resposta oficial a todos. Mas, se descobrirmos que alguém inventou ou espalhou mentiras deliberadamente..."

Seus olhos afiados varreram a sala. Sem alterar o tom de voz, ela sentenciou: "A punição será exemplar e imediata!"

Aquelas palavras, embora baixas, ecoaram com a autoridade de quem era conhecida como a "Dama de Ferro" do departamento. Todos se calaram instantaneamente.

"Saiam todos. Beatriz, você fica. Quero que apresente todas as provas do que acabou de dizer. Se eu descobrir que mentiu para mim... você sabe o que acontece."

Quando todos saíram, Xavier tentou dizer algo, mas Beatriz o interrompeu com um gesto suave.

Ele a olhou com preocupação: "Vou te esperar na porta."

Beatriz apenas acenou. Ela era inocente e não tinha um pingo de medo no coração.

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