《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 21

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Do outro lado, Beatriz sentou-se no sofá do escritório, sentindo-se exausta e com um gosto amargo na boca.

Sua voz estava levemente rouca quando disse: "Obrigada por agora pouco."

Havia uma névoa de preocupação em seu olhar. Ela não conseguia entender por que não conseguia se livrar de Augusto Amaral. Mesmo tendo renascido, mesmo tendo colocado sua vida nos trilhos, por que aquele homem continuava a persegui-la como uma sombra?

Xavier, vendo a amargura no rosto de Beatriz, deu um tapinha reconfortante em seu ombro.

"Não se preocupe, ele não vai ousar fazer nada drástico."

Afinal, Beatriz agora era uma funcionária pública. Mesmo que Augusto tivesse a audácia de dez homens, ele não se atreveria a atentar contra alguém do governo.

Beatriz soltou um suspiro longo e melancólico, lembrando-se do olhar de posse que Augusto exibira antes de sair. "Espero que você esteja certo."

Mais tarde, ela e Xavier saíram do ministério para jantar. Inicialmente, tinham planejado uma refeição especial, mas após a visita inesperada de Augusto, Beatriz perdeu o apetite e acabou apenas "beliscando" a comida.

Xavier, que permanecia ao lado dela o tempo todo, sentia o coração apertado ao vê-la naquele estado. Ele não parava de colocar comida no prato dela, enquanto um pensamento se formava em sua mente.

Ele perguntou de repente: "Você ainda sente algo por ele? Digo... ainda tem pena dele?"

"De quem?", Beatriz estava distraída. "Do Augusto?"

"Sim."

Ela soltou um riso de escárnio. "Como eu teria pena dele? Eu tenho é pavor!"

Beatriz conhecia bem a natureza de Augusto: um homem obstinado a ponto de ser paranoico. Ele sabia se camuflar muito bem sob uma capa de virtude, mas no momento em que seus interesses eram atingidos, tornava-se implacável.

Assim fora com a farsa da morte em combate, e assim fora quando ele tentou culpar Isabela na delegacia. Quando o benefício dele estava em jogo, ele se tornava frio e maníaco.

O que dava dor de cabeça a Beatriz agora era que, aparentemente, Augusto a incluíra novamente na categoria de "seu interesse pessoal". Isso a fazia lembrar da teoria da sogra na vida passada:

Uma vez Amaral, Amaral até a morte.

Beatriz suspirou sombriamente: "Eu tenho medo do que ele possa ser capaz de fazer."

Aquele brilho de determinação doentia que vira nos olhos dele antes de ele partir a deixava em alerta. Sua vida atual era maravilhosa e ela não queria que ninguém a destruísse. Ao pensar nisso, ela deu um sorriso amargo.

"Talvez eu simplesmente não tenha sorte na vida." Mesmo renascendo, ela parecia não conseguir escapar desses fardos do passado.

Ao ouvir isso, Xavier parou o movimento dos talheres por um instante. Ele refletiu por alguns segundos e disse: "Não pense assim. Nada disso é culpa sua. Minha pergunta não foi por mal, é que eu apenas temia que..."

Ele parou, mudando de ideia. "Esqueça, não é nada. Fique tranquila, ele não vai conseguir causar nenhum estrondo."

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Xavier pensou consigo mesmo que talvez não precisasse contar a ela seus planos. Bastaria resolver o problema.

Ele mexia na comida com o garfo, traçando uma estratégia. Embora o país estivesse vivendo uma abertura econômica e muitos estivessem enriquecendo rápido, Xavier não acreditava que Augusto tivesse se reerguido apenas por mérito próprio e de forma tão limpa.

Portanto, contanto que Beatriz não se importasse com o que acontecesse com o ex, Xavier tinha um enorme espaço para operar. Uma estratégia completa de contenção começou a se desenhar em sua mente. Ele sorriu e voltou a servir Beatriz.

"Não pense mais nisso. Se você continuar pensando nele, eu vou acabar ficando com ciúmes."

Ele brincou para aliviar o clima: "Que tal a Assistente Farias pensar em como conseguir aquele aumento e a promoção? Ouvi dizer que o Ministro das Relações Exteriores tem ótimas referências suas. Não pretende tentar?"

Subitamente, ele fingiu uma expressão pensativa. "Se você conseguir, eu terei uma diplomata como namorada?"

Beatriz, pega de surpresa pela mudança de assunto, sentiu o rosto queimar. Ela pegou um pedaço de carne e o colocou, de forma ríspida mas carinhosa, no prato de Xavier.

"Coma logo! Nem a comida fecha essa sua boca. Diplomata como namorada? Onde já se viu sonhar tão alto?"

Xavier deu uma risadinha vitoriosa. "Note que você não negou ser minha namorada... então está combinado!"

Beatriz resmungou: "Apenas coma sua comida!"

Ao ver que ela tinha voltado a interagir e deixara a melancolia de lado, Xavier sorriu com satisfação. Não fora em vão que ele pedira transferência para a capital três anos atrás. Finalmente, após tanta insistência, ele conquistara o coração dela!

Alguns de seus velhos colegas de farda diziam que essa técnica de "água mole em pedra dura" não funcionaria.

Vejam só

, pensou ele,

deu certo! Eu sou mesmo um gênio!

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