《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 19

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Beatriz levantou os olhos e viu Xavier entrando na sala. Ele exalava uma aura gélida e, ao notar a postura de "novo rico" de Augusto, franziu a testa profundamente.

"Cidadão, por favor, meça suas palavras!"

Augusto soltou um riso de escárnio. "E qual é a diferença entre ser uma assistente e ser um cão? É tudo trabalho de servir café e carregar papel!"

"Para uma mulher da roça como a Bia, chegar até aqui já foi um grande feito, admito. Mas não há necessidade disso; ela não tem vocação para a carreira, está sofrendo à toa. Para quê?"

Augusto, em um gesto exibicionista, ajustou o punho da camisa para mostrar o relógio caro mais uma vez.

"Por que você não volta comigo? Vai viver no luxo, aproveitar a vida como uma rainha em casa. É mil vezes melhor do que se matar de trabalhar aqui, não acha?"

Beatriz e Xavier se entreolharam, ambos compartilhando o mesmo sentimento de asco e fúria contida. Beatriz ia dizer algo, mas Xavier deu um passo à frente, protegendo-a.

Ele encarou aquele homem que, beneficiado pelas novas políticas econômicas, conseguira algum dinheiro.

"Senhor Amaral, se o senhor tem tanto desprezo por nós, os 'cães', então peço que se retire."

"Entretanto, farei questão de relatar o incidente de hoje pessoalmente ao General Matos. Espero que, na presença dele, o senhor mantenha essa mesma arrogância."

Augusto sentiu uma pontada de hesitação e começou a analisar Xavier de cima a baixo. O homem mantinha uma postura impecável, com um olhar firme e austero. Contudo, ele vestia um terno civil em vez de farda, e os punhos daquelas roupas pareciam um pouco gastos pelo uso.

Com isso, Augusto sentiu-se confiante. Um sorriso de deboche surgiu em seu rosto.

"Você? Por acaso você sabe para que lado abre a porta do gabinete do General Matos?"

"Beatriz, é por causa disso que você se recusa a voltar? Não imaginei que sairia de um buraco para cair em outro. Você gosta tanto assim de militares?"

"É uma pena que seu gosto seja tão ruim", suspirou Augusto com uma falsa compaixão. "Como pôde arranjar um homem cujo cargo parece ser ainda menor do que o meu na época? Agora que ele foi para a reserva e não tem dinheiro, deve estar sendo difícil, não é?"

"Se fosse assim, você não deveria ter me denunciado naquele ano!" Um brilho de ressentimento passou por seus olhos. "Se tivesse ficado quietinha no vilarejo, eu teria chegado a postos muito mais altos. Quando eu fosse para a reserva, você seria a esposa de um Diretor! Não seria maravilhoso?"

Augusto riu friamente. "Mas agora também está bom. Graças a você, descobri meu talento para os negócios. Hoje sou um empresário de sucesso. Se você voltar agora, eu esqueço o passado e te aceito de novo. O que me diz?"

Ao perceber que o homem ao lado de Beatriz parecia ser "inferior" a ele em termos financeiros, Augusto estufou o peito. Ele usava sua altura para olhar Beatriz de cima para baixo com um ar de superioridade natural.

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"Antes de vir, achei que você tivesse subido na vida e pudesse me dar algum apoio político. Mas vejo que, após três anos, continua sendo uma simples assistente. Tudo bem, não importa. Venha comigo."

Enquanto falava, ele contornou Xavier e parou ao lado de Beatriz.

"Ou você prefere continuar mofando ao lado desse pobretão que nem farda tem mais?"

Nesse momento, o pequeno Thiago não aguentou e interveio:

"É verdade, mamãe! Volta com a gente para ter uma vida boa. Por que ficar fugindo? Mulher que fica andando por aí sozinha só dá o que falar. No vilarejo todo mundo diz que você fugiu com outro e traiu meu pai. Volta logo para desmentir isso!"

"A comida da vovó é horrível. Volta para cozinhar para mim, eu não aguento mais o tempero dela."

Xavier soltou uma risada curta, incrédulo.

Seria possível que esse Augusto Amaral tivesse perdido o juízo? Como a memória dele era tão curta? Ele nem sequer reconhecia o homem que, anos atrás, fora o responsável por notificá-lo de suas missões e punições?

Xavier, sendo subordinado direto e sobrinho do General Matos, cansara de fazer o papel de mensageiro para o tio. Qualquer pessoa minimamente informada saberia quem ele era, mas Augusto parecia estar agindo como um cego.

Pensar que, no passado, Xavier chegara a admirar aquele jovem oficial por sua suposta bravura ao salvar o General... agora via que seu critério de avaliação fora péssimo!

Xavier ia retrucar com sarcasmo, mas Beatriz deu um passo à frente, colocando-se entre os dois homens.

"Augusto Amaral, profissionalmente ou pessoalmente, por ética ou por direito, eu não tenho mais nenhuma ligação com você. Pare de me perseguir. Cada um segue o seu caminho. Eu sigo a minha estrada e você a sua. Não nos perturbemos mais!"

"Se continuar com esse assédio, não hesitarei em mandá-lo de volta para a carceragem!"

"Não se esqueça: eu só não levei o processo adiante naquela época por consideração aos idosos e às crianças. Mas se eu decidir reabrir o caso, você acha mesmo que empurrar toda a culpa para a Isabela Rios será o suficiente para te salvar?"

O rosto de Augusto escureceu. Ele não esperava que Beatriz fosse proteger aquele "outro" homem de forma tão enfática.

Sua voz tornou-se gélida: "Pense bem no que está fazendo. Não venha se arrepender depois!"

Beatriz respondeu com firmeza absoluta: "Fique tranquilo. Eu jamais me arrependerei!"

O impasse terminou em um clima pesado de hostilidade. Antes de sair, Augusto fez questão de esbarrar o ombro no de Xavier.

"A Beatriz é minha. Vamos ver quem ri por último!"

Xavier deu um sorriso enigmático: "Ex-marido, eu te aconselho a conhecer os seus limites."

Para alguém com a influência de Xavier, derrubar um homem que enriquecera através de meios duvidosos seria tão fácil quanto apagar uma vela. Mas Augusto não captou o aviso nas entrelinhas; seus olhos brilhavam apenas com a ganância da posse.

Soltando um bufo de desdém, ele pegou a mão do filho e saiu do ministério com um ar de falsa importância.

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