Na sala de visitas, Augusto Amaral, vestindo um uniforme de fábrica desbotado e gasto, segurava a mão do filho enquanto esperava sentado em uma poltrona de couro. Assim que viu Beatriz entrar, ele se levantou em um salto, visivelmente alterado.
"Bia, finalmente te encontrei! Por favor, vamos voltar para casa."
Ao lado dele, o pequeno Thiago, com os olhos marejados e uma expressão de desamparo, chamou baixinho: "Mamãe, eu senti tanto a sua falta..."
Beatriz sentiu um nó na garganta, mas manteve o olhar gélido. "Cidadão, qual é exatamente a minha relação com o senhor?"
O rosto de Augusto empalideceu e ele forçou um sorriso amarelo, tentando parecer amigável. "Você é minha esposa!"
Ele esfregou as mãos nas calças, demonstrando nervosismo. "Eu sei que agora você tem certo desprezo por mim, mas eu ainda sou seu marido! Por que não volta comigo? Aqui é terra estranha, vamos para o nosso lugar."
"Eu sei que errei, mas eu mudei! Juro que não tenho mais nada com a Isabela. Eu aprendi a lição, de agora em diante vou sustentar vocês dois e nunca mais deixarei nada de ruim acontecer. Por favor, Beatriz... vamos para casa."
Havia uma obstinação doentia em sua voz, uma insistência em levar Beatriz de volta que a deixava profundamente irritada.
"Eu não sou sua esposa, Augusto. Se você tivesse um pingo de decência, iria embora agora mesmo. Eu me lembro bem que sua sentença foi de quatro anos em liberdade condicional. Se você causar qualquer problema nesse período, voltará direto para a prisão!"
Augusto sorriu de forma bajuladora. "Eu tenho sido um cidadão exemplar nesses anos, a organização até abrandou as restrições. Agora sou um homem livre e limpo. Acredite em mim, eu mudei de verdade! Faça isso pelo nosso filho, volte para mim."
Dito isso, ele agarrou a mão de Beatriz com força e, ignorando a resistência dela, tentou forçar o filho a segurá-la também.
"Rápido, Thiago, chame a mamãe! É a sua mãe!"
O menino hesitou, assustado, mas obedeceu ao pai: "Mamãe... vamos para casa, eu quero a minha mamãe!"
Beatriz sentiu um nojo profundo, como se uma serpente estivesse rastejando por seu braço. Ela puxou a mão com violência.
"Augusto Amaral! Você enlouqueceu?! Você ainda se considera um homem? Cadê a coragem de assumir as consequências do que fez?"
Ela não conseguia conceber como ele tinha audácia de aparecer ali. Ele não sabia que ela estava presente quando ele tentou culpar Isabela de tudo no interrogatório? Sua verdadeira face já fora revelada; como ele ainda tinha coragem de encenar esse papel?
Ao ver que Beatriz não cedia, Augusto começou a perder a paciência.
"Assumir o quê? Sim, eu errei no passado ao deixar você e o menino para trás, mas eu mudei, não mudei?!"
"Eu mudei, e daí? Apenas me perdoe! Você quer realmente que o seu filho cresça sem mãe?"
Beatriz soltou um riso amargo e olhou para Thiago. A imagem daquela criança acuada era muito diferente da lembrança que ela tinha do filho da outra vida, que a forçava a se humilhar. Mas, mesmo assim, ela não cairia na mesma armadilha duas vezes!
"Sinto muito, senhor Amaral, mas eu não vou a lugar nenhum com o senhor!"
Augusto não conseguia processar a rejeição. Ele a olhou com um ar de súplica manipuladora: "Eu finalmente entendi... a pessoa que eu amo de verdade é você! Naquela época, eu fui apenas seduzido pela Isabela, ela que não me deixava em paz!"
"Quando você sumiu, eu quase enlouqueci de tanto procurar! Eu já tinha decidido viver só com você, só não esperava que você fosse me denunciar pelas costas..."
"Mas tudo bem, você já fez a denúncia, já se vingou. Agora que a raiva passou, venha comigo. A família Amaral não funciona sem você, eu te imploro."
"Você está aqui ralando há três anos para ser apenas uma assistente. Seria muito melhor retirar as queixas e me ajudar a recuperar meu posto militar. Mesmo que eu não volte a ser Coronel, posso conseguir um cargo administrativo com um bom salário. Isso é muito melhor do que a vida que você leva aqui!"
"Eu não quero ver você sofrendo no trabalho. Mulher nasceu para cuidar do lar, essa vida de escritório é cansativa demais para você!"
"Assim que eu recuperar meu status, prometo que darei a vida boa que vocês merecem. Trarei você e minha mãe para a cidade, tudo bem? Vamos voltar e oficializar tudo, seremos uma família de verdade!"
O peito de Beatriz subia e descia rapidamente; ela estava prestes a explodir de fúria. Naquele momento, sua vontade era dar um tapa sonoro naquela cara lavada.
Ela chegou a pensar que talvez ele tivesse aprendido algo, mas cada palavra dele transbordava a mesma incapacidade de assumir erros. Ele continuava sendo o mesmo homem desprezível que fugia da responsabilidade e diminuía as mulheres! Ele agia como se o fato de ter "pedido desculpas" fosse um favor que ela deveria aceitar de joelhos.
Com as mãos tremendo de raiva, Beatriz apontou para a porta.
"Augusto, pelo bem dessa criança, não vou chamar a polícia para te levar daqui agora. Saia da minha frente imediatamente!"
Augusto franziu a testa e agarrou o pulso de Beatriz com brutalidade.
"Sair? Se eu sair, você vem comigo! Minha mãe já disse: uma vez que você entrou para a família Amaral, você nos pertence na vida e na morte! Volte comigo agora e vá cumprir seu dever de nora!"
Ele se recusava a acreditar que, depois de tanta "humildade" da parte dele, ela ainda não o perdoaria. Seu olhar tornou-se perigoso e ele apertou o braço dela com ainda mais força.
Augusto fixou os olhos em Beatriz, deliciando-se ao ver a expressão de temor surgir no rosto dela. A antiga sensação de poder e controle retornou. Aproveitando-se de sua estatura e força física, ele a encurralou e sibilou:
"Beatriz Farias, eu não viajei milhares de quilômetros para voltar de mãos vazias! De um jeito ou de outro, você vai voltar comigo!"
Para ele, ela era uma posse. E ele não permitiria que ela escapasse de suas garras.