《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 14

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Em meio à luta desesperada, os olhos de Augusto brilharam subitamente e ele começou a gritar: "Foi tudo culpa da Isabela! Foi a Isabela Rios que armou tudo! Ela já era casada com o meu irmão, mas não parava de me seduzir!"

"Pensem bem, que tipo de mulher seduz o próprio cunhado? Ela é uma devassa! Uma vagabunda, uma adúltera de marca maior!"

"A culpa é toda dela, eu não tive nada a ver com isso! Além do mais, eu nem sabia quem tinha passado no vestibular na época. Ela me garantiu que a Beatriz tinha sido reprovada. Eu sou inocente!"

"Eu fui enfeitiçado, sim, foi isso! Fui enganado por ela! Excelências, eu não sabia de nada, sou uma vítima!"

Ele gritava a plenos pulmões, tentando se desvincular de qualquer crime, empurrando para o abismo a mulher que ele dizia amar perdidamente até ontem.

"Líderes, oficiais, foi a Isabela! Eu apenas tive um momento de fraqueza!"

Os dois interrogadores se entreolharam com profundo desprezo. Um deles perguntou friamente: "E quanto à bigamia? Você se casou no vilarejo e depois veio para a capital viver essa farsa?"

Dito isso, o oficial bateu com a certidão de casamento falsa sobre a mesa.

"Falsificação de documento público. O que você tem a dizer sobre isso agora?"

Augusto começou a suar frio. "Oficial, o que o senhor está dizendo? Eu jamais ousaria falsificar um documento. Isso foi tudo armação da Beatriz Farias, nada tem a ver comigo."

"Eu fui coagido! Ela insistiu em se casar comigo e falsificou os papéis sozinha. Naquela época, eu..."

"Quando estávamos no vilarejo, ela era a intrusa. Foi ela quem me seduziu!"

Diante do interrogatório oficial, ele já estava completamente desestruturado. Para se livrar das acusações, Augusto não hesitava em usar os métodos mais baixos e cruéis.

"E quanto àquela criança, oficial... ela me forçou! Se não fosse assim, por que eu não o criaria? Foi a Beatriz que me obrigou a tudo!"

O interrogador soltou uma risada sarcástica diante de tamanha loucura.

"Augusto Amaral! Tenha modos! Você é um militar, um homem feito! Tenha um pingo de dignidade. Um homem do seu porte físico ser 'forçado' por uma mulher franzina do campo? Você acha que alguém vai acreditar nisso?"

"Ou você quer nos convencer de que se casar com a Dona Beatriz foi por força, ter um filho foi por força, e viver juntos por anos também foi por força? E ela cuidar da sua mãe idosa e aceitar suas humilhações no silêncio da roça... isso também foi sob ameaça dela?!"

Augusto silenciou. Suas mentiras não tinham o menor fundamento. Mas ele não aceitava perder o status que conquistara.

Após hesitar muito, ele fixou o olhar com uma falsa determinação: "Eu não sabia de nada disso. Só sei que fui seduzido pela Isabela para vir para a capital. O resto eu desconheço."

"Quanto ao filho, ela insistiu em ter a criança. Eu não tive escolha, não podia obrigá-la a fazer um aborto."

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O interrogador olhou para ele com um misto de gelo e decepção. Era inacreditável que o outrora glorioso Coronel Amaral, tido por todos como um homem de responsabilidade e fibra, tivesse uma alma tão covarde e sem vergonha! Ele desfrutava de todos os bônus, mas não queria carregar nenhum dos ônus.

Suspirando, o oficial puxou uma cortina atrás de si, revelando algumas silhuetas.

"Dona Beatriz, Isabela Rios... as senhoras têm algo a dizer?"

No mesmo instante, Augusto levantou a cabeça bruscamente, com o rosto lívido. Seus lábios tremiam, ele tentou formular uma frase, mas ao encontrar os olhares das duas mulheres, baixou a cabeça derrotado e não disse mais nada.

Beatriz exibia um sorriso carregado de ironia. Ela já esperava que Augusto agisse sem a menor dignidade no momento do aperto.

Afinal, que tipo de homem ele poderia ser? Um homem que conseguia manter a esposa no interior servindo à mãe enquanto mantinha a cunhada na cidade... Alguém que abandona a própria mãe e o filho no vilarejo não pode ter um pingo de caráter!

Beatriz lembrou-se de quando Augusto prometeu ao irmão, no leito de morte, que cuidaria da viúva e seria o seu porto seguro para sempre. Agora, via-se que o "cuidado" dele era levá-la para a cama. Ele não tinha medo de que a alma do irmão voltasse para assombrá-lo?

Ela soltou um riso frio: "Senhores oficiais, por favor, apliquem a lei conforme o rigor necessário. Eu não tenho nada a acrescentar."

Dito isso, ela saiu da sala de interrogatório sem olhar para trás.

Ao ver Beatriz partir, Augusto entrou em pânico total. Aquilo era apenas uma estratégia desesperada de defesa, não eram seus sentimentos reais! No calor do momento, ele tentou se levantar para correr atrás dela, mas foi imediatamente contido pelos policiais.

"Fique sentado e quieto!"

Em outra sala separada, Isabela Rios, tendo ouvido cada palavra de Augusto, estava à beira de um surto psicótico. Ela esmurrava a mesa com os olhos injetados de sangue.

"Augusto Amaral! Eu espero que você apodreça no inferno!"

Augusto, percebendo que já tinha perdido tudo, explodiu também: "Eu? A culpa é toda sua! Foi você quem teve essas ideias de jerico!"

Os dois, separados apenas por um vidro, começaram uma discussão deplorável, lavando a roupa suja diante das autoridades. Era o fim melancólico de uma farsa construída sobre mentiras e traição.

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