《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 11

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Do outro lado, Beatriz Farias deixou o gabinete do General e só então percebeu que suas costas estavam encharcadas de suor frio. Instintivamente, soltou um suspiro de alívio e esfregou as palmas das mãos, ainda úmidas de nervosismo.

Somando a vida passada e a atual, esta era a primeira vez que ela entrava no gabinete de uma autoridade tão importante! Agora, parando para pensar, percebia o quanto tinha sido audaciosa ao bloquear a porta daquela maneira.

Ao seu lado, o Coronel Xavier percebeu seu estado e soltou um breve riso compreensivo.

"Não precisa ter medo. O General Matos é apenas um pouco severo na aparência."

"Fique tranquila, os fatos que você relatou serão tratados com o máximo rigor. Ainda hoje, Augusto Amaral e Isabela Rios serão notificados de seus afastamentos imediatos."

"Eu analisei as evidências que você entregou, elas são muito contundentes. O que resta agora é apenas uma verificação formal para selar o destino dos dois. Neste momento, quem deve estar em pânico são eles, não você."

Graças às palavras encorajadoras do Coronel Xavier, Beatriz foi relaxando aos poucos. Sim, ela estava ali em busca de justiça; não havia dito uma única mentira, então por que o nervosismo? Quem tinha culpa no cartório eram aqueles dois criminosos!

Xavier observou a mudança na postura dela, balançou a cabeça com um sorriso e permaneceu em silêncio enquanto caminhavam.

Após cerca de dez minutos, Xavier apontou para um pequeno prédio de três andares à frente: "Este é o alojamento dos funcionários. Como são quartos individuais, o espaço é um pouco limitado, espero que não se importe."

Beatriz balançou a cabeça negativamente. "Ter um lugar para ficar já é o suficiente."

Ela comentou com um toque de autodepreciação: "No vilarejo, a mãe do Augusto já me fez dormir até em estábulo de gado para me humilhar. Ter um teto de verdade já é um luxo para mim."

O Coronel Xavier estacou por um momento, surpreso. "Isso não vai mais acontecer."

Ele não imaginava que aquela mulher, que se mostrara tão calma e digna no gabinete, tivesse passado por tamanhas privações.

Eles pararam diante de uma porta e ele indicou: "Este é o seu quarto. Pode ficar aqui em segurança. Se tiver qualquer dúvida ou precisar de algo, me procure. Aqui está o número do meu gabinete."

Beatriz pegou o pedaço de papel. "Não estou causando muito transtorno ao senhor?"

Xavier negou prontamente. "Esta é uma missão dada pelos meus superiores, você não incomoda em nada. Apenas descanse."

Observando que Beatriz ainda parecia tensa, ele piscou levemente e brincou para descontrair: "Agora você pode começar a pensar no que vai pedir como reparação à organização. Quando tudo isso terminar, o Estado certamente irá compensá-la."

Beatriz acenou com as mãos, recusando a ideia. "Eu só quero justiça. O resto não importa, desde que o Augusto e a Isabela recebam a punição que merecem."

Nesta nova vida, esse era o seu desejo mais ardente. Ela queria uma resposta, uma prestação de contas!

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Por que ela teve que agir como uma empregada para a família Amaral enquanto eles viviam no luxo e ainda a oprimiam? Por que Augusto tinha tanta certeza de que ele era o centro do universo dela e que ela morreria sem o seu apoio? Por que ela deveria ceder e entregar tudo o que era seu por direito para Isabela?

Ela queria apenas equidade.

Xavier olhou para a expressão de mágoa e determinação no rosto da mulher e suspirou.

"Fique tranquila, a justiça virá. Agora preciso voltar ao trabalho. Se houver qualquer emergência, ligue para o meu gabinete."

Ele lhe entregou outro papel. "Mas, Dona Beatriz, a senhora também deve começar a pensar no seu futuro. Aconteça o que acontecer, a organização irá apoiá-la. Não deixe que a família Amaral a mantenha prisioneira do passado."

Beatriz recebeu o papel em silêncio, sentindo uma pontada de desorientação.

Futuro?

Só quando ficou sozinha no quarto é que a ficha começou a cair. Ela finalmente podia pensar no amanhã? Ela realmente tinha se livrado da sombra dos Amaral?

As lágrimas começaram a cair silenciosamente enquanto seus dedos trêmulos tocavam os lençóis brancos e limpos da cama.

"Parece um sonho."

Em duas vidas, ela jamais imaginou que dormiria em um lugar tão acolhedor e limpo. E muito menos que teria o direito de planejar um futuro.

"Graças a Deus, graças a Deus..."

Sentada na cama, Beatriz chorou convulsivamente. A corda que estivera esticada ao limite durante todo o dia finalmente relaxou. Antes disso, ela estava disposta a tudo, até ao sacrifício final para derrubá-los. Mas quem diria que o destino abriria um caminho onde não parecia haver saída?

Ela recompôs-se, com o olhar firme. Já que Deus lhe dera esta oportunidade, ela a agarraria com todas as forças!

Sim, ela teria um amanhã. Ela teria uma vida!

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