《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 10

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Longe do hospital, Augusto Amaral pedalava sua bicicleta freneticamente pelas ruas da capital, em uma busca incessante pelo paradeiro de Beatriz.

Ele percorreu feiras, armazéns de suprimentos e até centros comunitários — todos os lugares onde Beatriz poderia, hipoteticamente, ter ido. No entanto, uma pessoa adulta parecia ter evaporado; não havia o menor rastro dela.

O céu começou a escurecer e, ao ver o sol se pondo no horizonte, o desespero de Augusto cresceu. Ele se encostou exausto em um poste de luz, com a mente inundada por pensamentos catastróficos de que ela teria sido sequestrada. Mas logo descartava a ideia: estávamos nos arredores da vila militar, que criminoso ousaria agir ali?

Esmagando a guimba de cigarro entre os dedos, ele rangeu os dentes e, agarrando-se à última ponta de esperança, voltou para o condomínio militar. Ele se recusava a acreditar que alguém pudesse simplesmente sofrer uma combustão espontânea e sumir.

Começou a perguntar de porta em porta, mas a maioria dos vizinhos apenas o encarava com confusão. Após muito explicar, finalmente alguém pareceu se lembrar.

"Beatriz? Ah, aquela maluca? Coronel, por que ainda está atrás dela? Se quer um conselho, não seja tão caridoso. Ela veio aqui fazer escândalo e agora sumiu... não é a oportunidade perfeita para se livrar dela?"

"É verdade, Coronel. Para que se preocupar? Já que ela se foi, aproveite o sossego."

"O senhor acabou ganhando um presente do destino. Agora pode viver sua vida em paz."

"Eu não diria isso... uma louca solta por aí é um perigo para a sociedade. Melhor achá-la logo para internar em um hospício."

Os vizinhos falavam simultaneamente, repetindo a palavra "louca" tantas vezes que o rosto de Augusto começou a arder de vergonha e irritação. Ele apertou o guidão da bicicleta com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

"Ela não é louca! Ela é... ela é..."

Ela é a esposa que eu desposei oficialmente no interior!

As palavras travaram em sua garganta, como se algo o sufocasse. Entre sua carreira brilhante e a verdade nua e crua, ele hesitou. O rosto ficou vermelho como uma pimenta, mas nem um único som saiu de sua boca.

Os vizinhos, assustados com a reação súbita de Augusto, recuaram alguns passos.

"Coronel, mas não foi o senhor mesmo quem disse que ela era uma demente? Nós não dissemos nada além do que o senhor nos contou."

"Pois é, o senhor mesmo disse que essa tal Beatriz era uma louca que perseguia sua família."

No meio da confusão, alguém comentou em tom de brincadeira: "Por que o Coronel está tão ansioso? Não vai me dizer que está apegado a essa mulher? O senhor já tem uma esposa, não pode cometer um erro ético desses."

Aquela frase atingiu Augusto como um soco. Ele empalideceu, sentindo um vazio no estômago.

Apegado a ela? Eu?

Ele soltou uma risada mental forçada. Como seria possível? Ela era apenas a peça de sacrifício que ele usava para encobrir sua relação com Isabela Rios. Como ele poderia sentir falta dela?

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Augusto, trêmulo, tentou se justificar: "Ela realmente não regula bem... eu só tenho medo que ela cause problemas para os outros andando por aí sem rumo."

"Eu não tenho nada com ela. Só estou ajudando por consideração ao fato de virmos do mesmo vilarejo. Afinal... ela é como uma irmã de criação para mim."

No momento em que essas palavras saíram de sua boca, ele sentiu uma pontada aguda e persistente no peito. Assustado com aquela dor estranha, ele murmurou um pedido de desculpas apressado, pegou sua bicicleta e saiu quase correndo.

Caminhando sem rumo, ele se sentia perdido. O que estava acontecendo? Seria possível que ele estivesse... apaixonado por ela?

Assim que esse pensamento surgiu, Augusto balançou a cabeça violentamente. Impossível. Ele amava Isabela, a descendente de um herói nacional. Como poderia gostar de Beatriz, filha de um desertor covarde?

Em transe, ele chegou à porta de casa. Isabela Rios o esperava, com um olhar carregado de preocupação fingida.

"Augusto, se acalme. As crianças estão sentindo sua falta. A Beatriz deve estar apenas confusa e saiu para caminhar... ela deve voltar daqui a pouco. Ela não abandonaria o filho, não é?"

"Além do mais, e se ela tiver voltado para o vilarejo? Não adianta nada você se matar de procurar aqui."

Isabela observava as reações dele e sondou cautelosamente: "Augusto... quando você a encontrar, o que vai fazer? Vai mandá-la de volta para a roça de uma vez?"

"Se quer saber minha opinião, o que está feito, está feito. Deixe que ela parta. Ninguém no condomínio sabe que nós somos cunhados, podemos viver nossa vida em paz, entende? Não deixe que ela se enfie no meio de nós dois novamente."

Augusto franziu o cenho na mesma hora.

"O que você está dizendo? Como pode dizer que a Bia está se 'enfiando' no meio de nós?"

"Ela sempre cuidou da minha mãe com toda a dedicação. Sem ela, quem vai cuidar da velha? E outra, ela é uma mulher da roça. Sem o meu apoio e o meu dinheiro, como ela vai sobreviver?"

Ao ouvir isso, o olhar de Isabela gelou.

"Augusto... você não consegue desapegar dela, não é?"

Caso contrário, por que ele insistiria em manter Beatriz por perto, se Isabela já havia assumido totalmente a identidade social dela na capital? Isabela estava farta de ser "a outra" aos olhos de Beatriz, enquanto o resto do mundo a via como a esposa legítima.

Agora que o escândalo tinha estourado, por que não aproveitar para cortar os laços de vez?

Augusto olhou para ela com incredulidade: "O que você quer dizer com isso?"

Ele jamais admitiria que não conseguia largar Beatriz. Para ele, ela não passava de... ela era apenas...

Os pensamentos fervilhavam e ele apenas gesticulou com impaciência.

"Chega. Não comece com caraminholas. Amanhã eu vou até a casa da minha mãe ver se ela apareceu."

"Só quero encontrá-la para garantir que esteja bem. Se algo acontecer com ela, a responsabilidade cairia sobre nós, não é?"

Dito isso, com a pressa de quem esconde um segredo sujo, ele entrou em casa, dando um abraço frio e protocolar no filho antes de se isolar.

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