《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 6

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Assim que o médico terminou o atendimento, Beatriz tentou se levantar para sair, mas foi barrada por Augusto Amaral, que acabara de pagar as despesas da enfermaria.

"Não se mexa. Esse ferimento ainda não fechou, onde pensa que vai?"

Beatriz olhou para aquela expressão de falsa preocupação e sentiu apenas sarcasmo. Para quem ele estava fingindo?

Com um riso amargo, ela disse friamente: "Vou à polícia prestar queixa."

Augusto suspirou, impaciente. "Alguém já chamou a polícia, e eu já resolvi tudo. Descanse e recupere-se. Eu fiz com que retirassem a queixa; não foi nada grave, não precisamos incomodar os oficiais por causa disso."

"Não foi nada grave?!" A voz de Beatriz subiu de tom, aguda e indignada. Ela apontou para a própria testa: "Mais de vinte pontos não é nada grave para você?"

Augusto fechou o rosto: "Francamente, Beatriz... ele é apenas uma criança. Como você, uma adulta, pode ser tão mesquinha? Eu já castiguei a mãe dele, a Isabela. Ordenei que ela cante hinos de benção para você durante uma hora hoje na Companhia. Não tente levar isso adiante."

Ele falava com uma arrogância tal, como se aquele "castigo" fosse uma honra suprema concedida a ela.

Beatriz sentiu o rosto empalidecer de fúria: "Isso é o que você chama de castigo?"

Fazer uma artista do exército cantar... esse era o castigo dele?!

Augusto escureceu o olhar: "Bia, não abuse da minha paciência. Se você não tivesse vindo para a capital sem aviso, nada disso teria acontecido."

Seu olhar era carregado de censura, como se Beatriz fosse a única culpada por todo o caos. Ela soltou um suspiro de derrota, sentindo as forças se esvaírem.

"Então me deixe ir. Me liberte."

Deixe-a partir; ela realmente não queria mais ter qualquer vínculo com a família Amaral.

Ao ouvir isso, a expressão de Augusto gelou completamente.

"Você quer o divórcio? Impossível! Eu jamais concordarei em me divorciar de você!"

Beatriz riu por dentro. Divórcio? Eles nem tinham uma certidão de casamento real, como poderiam se divorciar?

Augusto continuou, tentando ser "paciente": "Bia, não estamos bem assim? Você fica no vilarejo cuidando da minha mãe e do menino, e eu luto aqui fora por um futuro melhor. Envio dinheiro todos os meses... por que não podemos continuar desse jeito?"

"Além do mais, você é uma mulher do campo. Se me deixar, para onde vai? Vai morrer de fome. Por que não se aquieta e aceita ser a esposa de um Coronel?"

Beatriz soltou uma gargalhada gelada: "Esposa de Coronel? Uma criada que cuida da sogra e do filho sem receber um centavo? O que você não quer é perder uma empregada gratuita, isso sim!"

O rosto de Augusto obscureceu instantaneamente. "Como ousa falar assim! Beatriz, não se esqueça: foi a minha família que pagou pelo jazigo do seu pai! Se não quer que as cinzas dele sejam jogadas ao vento, trate de se comportar!"

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Beatriz levantou-se num salto, os olhos faiscando: "Augusto Amaral, você não se atreveria!"

Aquele era o túmulo de um herói condecorado!

Augusto zombou: "O que me impediria? O túmulo de um desertor... meu pai só cuidou disso por caridade. Na época da repressão severa, os restos dele deveriam ter sido pulverizados!"

Bofetada!

Beatriz desferiu um tapa violento no rosto dele. O movimento brusco arrancou a agulha do soro de seu braço, e o sangue começou a escorrer por sua mão.

Ela estava no limite da indignação: "Eu não permito que insulte meu pai. Ele foi um herói!"

Augusto franziu o cenho, com o olhar carregado de desprezo.

"O pai da Isabela é que é o herói. O seu pai não passou de um desertor! Um fracassado! O médico disse que você precisa de repouso, mas vejo que está bem disposta. Chega de desperdiçar recursos aqui, vamos para casa!"

Beatriz resistiu. "Eu não vou! Me solte!"

Mas não importava o quanto ela lutasse, não conseguia se livrar do aperto de Augusto. Aquelas mãos que um dia pareceram calorosas, agora eram como algemas de aço prendendo-a sem piedade.

Augusto a arrastou de volta para a residência e a trancou no porão. Através da porta, ele sentenciou:

"Fique aí e reflita! Amanhã cedo eu te mando de volta para o vilarejo!"

"E aquela sua papelada de registro... eu a rasguei. Nem pense em sair para trabalhar. Uma mulher deve ficar em casa servindo ao marido e educando o filho! Trabalhar fora é uma indecência! Quando chegar ao vilarejo, direi à minha mãe para vigiá-la de perto. Nem tente fugir!"

Beatriz esmurrou a porta com desespero: "Augusto Amaral! Me tire daqui!"

Como ele ousava destruir seus documentos? Aquilo era sua liberdade, sua única esperança de recomeço!

Mas não importava o quanto ela gritasse ou batesse, ninguém respondeu. O silêncio que se seguiu foi o som do seu mais profundo desespero.

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