《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 5

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Esta foi a primeira boa notícia desde o seu renascimento. Beatriz Farias voltou para a vila militar sentindo uma rara pontada de alegria.

No entanto, assim que empurrou a porta, foi recebida por uma bacia de água fervendo. O líquido escaldante atingiu seu braço, deixando a pele instantaneamente vermelha e inchada.

Em seguida, Isabela Rios avançou sobre ela, rasgando suas roupas e gritando a plenos pulmões: "Peguem a amante! É ela! É a vagabunda que está tentando seduzir o meu Augusto!"

Beatriz não foi páreo para o ataque furioso e vulgar de Isabela. Em poucos segundos, seu braço já ferido começou a sangrar abundantemente, e suas roupas foram rasgadas em farrapos, deixando grandes áreas de sua pele expostas.

Nesse momento, Isabela a empurrou com força no chão e, diante de todos os vizinhos que se aglomeravam, apontou o dedo para o seu nariz: "Vejam só! Olhem todos! Essa mulher não tem vergonha na cara, está tentando roubar o marido dos outros, uma adúltera!"

"Ela já perseguia o Augusto lá no interior e agora veio até a cidade para continuar com a sem-vergonhice. Por favor, vizinhos, vocês precisam me ajudar!"

As senhoras da vizinhança, ao ouvirem que Beatriz era uma suposta amante, lançaram olhares de profundo desprezo e nojo.

"Que descarada! Uma moça jovem dessas, com tanta coisa para fazer na vida, e se prestando a perseguir homem casado?"

"Olhem as roupas dela... dá para ver que é uma perdida. Coitado do Coronel Amaral, sendo importunado por uma criatura dessas!"

As pessoas ao redor, inflamadas de indignação, começaram a insultá-la. Afinal, ninguém gostaria de ver o próprio marido cercado por uma mulher de má reputação. Alguns mais exaltados começaram a jogar ovos podres e restos de vegetais em Beatriz.

Ela tentava se proteger como podia, mas era inútil. "Eu não sou amante!", gritava ela.

Mas ninguém estava disposto a ouvir suas explicações. Em poucos minutos, ela estava coberta de lixo e exalava um odor insuportável. Quando tentou se levantar para explicar novamente, foi chutada de volta pela multidão enfurecida.

"Explicar o quê? Nós sabemos muito bem há quanto tempo a Isabela e o Coronel vivem aqui juntos!"

"Além disso, o pai da Isabela, o falecido Geraldo Farias, foi um herói condecorado! Você tem coragem de tentar roubar o marido da filha de um herói da pátria? Onde está a sua honra?!"

Beatriz olhou para Isabela com total incredulidade.

Geraldo Farias... aquele era o

seu

pai! Ela havia crescido com a avó materna e, por isso, usava o sobrenome Farias da parte da avó. Como Isabela tinha a audácia de usurpar aquela honra?

Uma chama de fúria subiu ao seu peito. Beatriz explodiu: "Isabela, sua..."

Antes que pudesse terminar, a multidão silenciou subitamente. Beatriz olhou para trás e viu Augusto Amaral parado ali, acompanhado de Thiago.

Sentindo como se tivesse encontrado um salvador, ela apontou para Thiago: "Eu e o Augusto somos casados! Aquele ali é o nosso filho!"

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Todos os olhares se voltaram para o menino. No entanto, Thiago, seu próprio filho, balançou a cabeça em negação.

"Ela não é minha mãe! Ela é só uma louca!"

Beatriz ficou paralisada, em estado de choque. Em seguida, ouviu a voz de seu "marido", Augusto:

"Peço perdão pelo transtorno, vizinhos. Como eu já disse, ela é uma prima distante que não regula bem da cabeça. Minha mãe a acolheu por caridade, mas ela criou essa obsessão por mim e agora teve outro surto, insistindo que é minha esposa."

Ele juntou as mãos em um gesto de desculpas: "Sinto muito por esse espetáculo."

O burburinho recomeçou com força. "É amante mesmo! E ainda por cima é maluca!"

"Maluca? Para mim ela está fingindo para conseguir o que quer. Que mulherzinha ordinária!"

Beatriz, cercada por risos e escárnio, sentiu o mundo girar e caiu sentada no chão. Ela era a esposa legítima; Isabela é que era a verdadeira intrusa! Por que Augusto estava caluniando-a daquela forma? Por que Isabela estava roubando a glória de seu próprio pai?

Em meio ao torpor, ela viu Isabela Rios. A mulher exibia um sorriso vitorioso no canto da boca, com um olhar carregado de deboche que parecia dizer:

Veja só, tudo o que é seu, agora me pertence.

De repente, o filho de Isabela, Lucas Rios, saiu correndo de dentro de casa com um tijolo na mão. Ele avançou contra Beatriz e desferiu vários golpes contra a cabeça dela.

"Eu não vou deixar você maltratar a minha mãe!", gritava o menino enquanto batia.

Beatriz sentiu a dor aguda perfurar seu crânio e flashes de luz explodirem em sua visão. "Pare!", ela tentou dizer.

Mas ela não tinha mais forças para reagir e acabou desmaiando.

Quando acordou, Beatriz estava na enfermaria da vila. Sua testa havia recebido mais de vinte pontos para estancar o sangramento. O médico que fazia o curativo olhou para o rosto bonito dela com um suspiro de pena.

"Que lástima... vai ficar uma cicatriz horrível."

Mas, naquele momento, Beatriz não se importava com cicatrizes. Sua única vontade era colocar aqueles agressores atrás das grades.

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