《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 3

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Na manhã seguinte, bem cedo, Beatriz Farias pegou seus documentos e foi até o Cartório de Registro Civil.

Pelo caminho, sentia os olhares atravessados e ouvia os sussurros de quem a chamava de "a louca de ontem". Beatriz não lhes deu atenção; caminhou de cabeça baixa até entrar no prédio.

"Bom dia, cidadão. Eu gostaria de dar entrada no meu divórcio."

O escrivão pegou os documentos, analisou-os por um momento e franziu a testa: "Dona Beatriz, esta certidão de casamento é falsa."

Beatriz estacou, sentindo um calafrio percorrer todo o seu corpo. Ela forçou um sorriso trêmulo: "Por favor, olhe de novo... Como poderia ser falsa?!"

O funcionário olhou para ela com piedade: "Sinto muito, senhora. Mas é realmente uma falsificação."

Aquelas palavras soaram como o martelo de um juiz, estraçalhando o que restava do seu mundo. Beatriz desabou no chão, com a mente em branco.

A certidão era falsa?

Então, o que significavam toda a responsabilidade e a culpa que ela carregou em sua vida passada?

Beatriz começou a chorar e rir ao mesmo tempo; as crenças que ela sustentou por décadas desmoronaram naquele instante. As pessoas ao redor, ouvindo o diálogo, não economizaram no deboche.

"Olha só, se não é a louca de ontem! O que ela veio fazer aqui agora? Divórcio? Será que ainda está tentando perseguir o Coronel Amaral?"

"Para mim, o juízo dela sumiu de vez. Imaginar que um homem como o Coronel é marido dela... que falta de vergonha!"

"Vejam o estado dela, deve estar tendo outro surto!"

As risadas e insultos a deixaram sem chão. Trêmula, ela pegou a certidão de volta. Com o rosto pálido, fez menção de sair, mas o escrivão acrescentou:

"Porém, Dona Beatriz, o Coronel Amaral está sim oficialmente casado. O registro foi feito com uma mulher de nome idêntico ao seu, Beatriz Farias, mas que posteriormente mudou o nome legal para Isabela Rios."

Isabela Rios?!

Beatriz parou bruscamente. Suas mãos e pés congelaram enquanto um pensamento sinistro tomava forma em sua mente.

"Cidadão, eu imploro... deixe-me ver esse registro! Por favor!" ela exclamou desesperada.

O funcionário, percebendo que algo estava muito errado, assentiu: "Vou levá-la até o setor de arquivos para checar isso."

No arquivo, Beatriz ouviu a verdade da boca da arquivista.

Em 1977, uma mulher chamada "Beatriz Farias" foi aprovada com honras na Universidade de Brasília. Ao se formar, em 1981, ela mudou seu nome para Isabela Rios e ingressou na Companhia de Dança e Artes.

Mas Beatriz lembrava-se perfeitamente: em 1977, foi

ela

quem prestou os exames de admissão. Isabela nem sequer participou, porque alegava estar de luto pelo marido morto!

Na época, após os exames, Augusto disse a ela que ela havia reprovado. Ele a consolou, dizendo para não ficar triste, pois ela "sempre teria a ele". Logo em seguida, ele a pediu em casamento e lhe entregou aquela certidão.

Beatriz ainda se lembrava de como o jovem Augusto estava corado e com o olhar esquivo quando disse "casa comigo". Ela pensou que era o ápice do amor, o destino de dois namorados de infância.

Agora, ela via com clareza: não era timidez, era o nervosismo de quem cometia um crime!

No ano do casamento, Augusto disse a ela: "De agora em diante, não vamos para lugar nenhum. Vamos viver felizes para sempre aqui no vilarejo!"

Naquela época, ela chorou de emoção, acreditando ter encontrado um homem que a valorizava de verdade. Mas, ao repassar a cena, percebeu que ele só queria trancafiá-la no interior para sempre, garantindo que ela jamais descobrisse a verdade!

O corpo de Beatriz ficou tenso. Ela olhou para os documentos, vendo as honrarias e o futuro brilhante que Isabela Rios obteve ao roubar sua identidade. Viu a foto de Isabela sorrindo radiante por causa do sucesso alcançado.

Ela tremia de ódio e amargura.

Na vida passada, sem diploma e sem estudos, ela teve que sobreviver apenas com trabalho braçal pesado, terminando seus dias congelada sob um viaduto. Enquanto isso, a ladra que roubou sua vida morava em uma mansão aquecida, tinha um emprego respeitável, abraçava o marido dela e desfrutava de tudo o que, por direito, pertencia a Beatriz!

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