《O Preço da Traição: Uma Nova Chance na Vida》Capítulo 2

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Na manhã seguinte, bem cedo, Beatriz Farias estava prestes a cruzar a porta quando foi segurada com força pelo filho, Thiago Amaral.

"Aonde você vai?"

"Para Brasília. Vou atrás do seu pai."

Thiago estacou por um segundo e soltou uma risada debochada: "Ficou louca? Meu pai morreu. Que pai você vai procurar?"

Beatriz fixou os olhos nos dele.

Então ele realmente não sabia. Augusto Amaral tinha sido capaz de esconder a verdade até do próprio filho.

"Você não sabe de nada, não é? Pois então venha com a sua mãe e veja com seus próprios olhos."

Ela agarrou o pulso do menino com firmeza e o arrastou em direção à estação ferroviária.

O trem sacolejou por um dia e uma noite inteira. O filho passou de birras e escândalos a um silêncio exausto, até que pegou no sono encostado na janela. Beatriz, porém, não pregou o olho.

Na sua vida passada, ela só tinha ido a Brasília uma única vez. Foi naquela ocasião que viu Isabela Rios beijando o seu homem, e logo em seguida seu próprio filho correu para agredi-la. Depois disso, ela definhou até morrer debaixo de um viaduto.

Mas esta vida seria diferente.

Assim que desceram do trem, Beatriz arrastou o filho, pedindo informações até chegar ao saguão de uma grande repartição pública. Ela se jogou contra o balcão de atendimento.

"Cidadão, vim buscar a pensão por morte do meu marido, Augusto Amaral. Ele faleceu há três anos em uma operação contra bandoleiros!"

O funcionário franziu a testa, confuso, e começou a folhear os registros no balcão.

"Augusto Amaral? Senhora, tem certeza de que não errou o nome? O único Augusto Amaral que temos aqui é o Coronel Amaral, do Comando Militar. Ele até foi promovido justamente por causa do mérito naquela operação!"

Beatriz sabia perfeitamente que ele estava vivo, mas ao ouvir que ele havia subido de cargo usando aquela mentira como pedestal, uma fúria incontrolável queimou em seu peito.

Na vida passada, se ela tivesse tido a coragem de vir até a capital e fazer uma única pergunta, teria descoberto tudo. Mas não, ela ficou no interior agindo como uma serva por vinte anos, consumindo sua juventude e destruindo sua saúde, esperando por uma promessa que nunca seria cumprida.

Que idiota! Como ela foi idiota!

Ela puxou o filho, que estava parado feito um tonto ao seu lado, e caiu de joelhos no chão com um baque seco.

"Meu marido não morreu?! Mas então por que recebemos a notificação oficial do falecimento? O senhor sabe o que aconteceu de verdade três anos atrás? Nós não aguentamos mais tantas notícias ruins!"

Thiago, forçado a se ajoelhar junto com ela, soltou um berro e começou a chorar. Instantaneamente, todos no saguão viraram a cabeça para olhar, começando um burburinho frenético.

"Augusto Amaral? O Coronel? A esposa dele não é a Isabela Rios, da Companhia de Dança? Quem é essa mulher do interior dizendo que é mulher dele?"

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"Agora que você falou, eu me lembrei... o Coronel veio do interior. Será que essa aí é uma daquelas noivas de infância que ficaram para trás?"

Beatriz, ajoelhada no chão, permitiu que um leve e imperceptível sorriso surgisse no canto dos lábios.

Falem. Façam barulho. Quanto maior o escândalo, melhor.

De repente, seu braço foi agarrado com violência e ela foi içada para cima. Ao erguer o rosto, deu de cara com uma fisionomia terrivelmente familiar.

Era Augusto!

Ele estava com o rosto lívido de raiva: "O que você está fazendo aqui?!"

Os olhos de Beatriz ficaram vermelhos instantaneamente e as lágrimas rolaram: "Meu bem, você está vivo! Por que não voltou para casa?! Se a situação no vilarejo não estivesse tão desesperadora, com a gente passando fome, eu nunca teria vindo até aqui pedir a pensão! Já que agora você é Coronel, pode levar a mim e ao seu filho para morar com você, não pode? Nós não vamos embora, leve-nos para casa!"

Os olhares ao redor tornaram-se carregados de julgamento.

Augusto forçou um sorriso amarelo e tentou explicar para a multidão: "Peço desculpas pelo espetáculo, pessoal. Esta é uma prima distante, ela teve uma febre muito alta quando criança que afetou o juízo... minha mãe a acolheu por caridade, mas agora ela cismou que é minha esposa e veio fazer esse escândalo na cidade."

As pessoas ao redor pareceram subitamente convencidas: "Ahhh... eu bem que achei estranho. O Coronel jamais seria um canalha de abandonar a família. É só a prima doida que se apaixonou pelo primo!"

Alguém ainda sugeriu: "Se ela está doente, precisa de tratamento. Devia interná-la em um hospital psiquiátrico, quem sabe não tem cura?"

Augusto assentiu seriamente: "Vou considerar isso."

Beatriz arregalou os olhos. Para se proteger, aquele homem era capaz de jogá-la em um hospício!

"Augusto Amaral, você..."

Sua boca foi tapada com força. Augusto a arrastou pelo braço para fora da repartição. Thiago, sem entender nada, os seguiu de perto. Os três entraram em uma confusão de empurrões até chegarem à vila militar. Só depois de trancar a porta de casa é que Augusto a soltou.

Beatriz arquejava, com os olhos injetados de sangue.

"Augusto, por que você disse que eu sou sua prima e que sou louca?! Eu sou uma pessoa normal, sou a esposa que você desposou com todas as formalidades!"

Augusto olhou para ela e, percebendo que não havia mais plateia, suavizou o tom, mudando de máscara.

"Bia, você não entende. Naquela situação, o que eu poderia dizer? Que eu tenho duas mulheres? Quer que eu perca meu posto de Coronel?"

Ele então abriu a portinha de um quartinho de despejo, cheio de velharias e entulho, onde havia apenas uma cama de campanha estreita em um canto.

"Dê um jeito de passar a noite aqui. Amanhã cedo eu te coloco no trem de volta."

Beatriz engoliu o seco e perguntou: "Há um quarto de hóspedes logo ali, por que não posso ficar nele?"

"Não!" A voz de Augusto subiu de tom. "Aquele quarto é da Isabela, ela guarda os figurinos de apresentação dela lá! Você não pode entrar!"

Percebendo que tinha sido brusco demais, ele fingiu uma expressão de culpa.

"A casa está no nome da Isabela, tudo aqui é dela. Eu não mando em nada, Bia. Não dificulte as coisas para mim, está bem?"

Beatriz olhou para o relógio de marca brilhando no pulso dele e depois para o depósito imundo onde ele queria enfiá-la. Ela soltou uma risada amarga. Com as memórias da vida passada, ela sabia que Augusto era quem mandava em tudo. Isabela era apenas a desculpa conveniente que ele usava para descartá-la.

"Augusto, você realmente não manda em nada aqui?"

Ele desviou o olhar: "Por que eu mentiria para você? Seja boa, não faça cena. Durma aqui esta noite e amanhã volte para o vilarejo."

"Fique lá cuidando do meu filho e da minha mãe. Eu prometo enviar dinheiro todo mês. Seja obediente!"

Ele deu as costas e saiu. Beatriz ficou parada, observando-o desaparecer pela porta principal.

Ele realmente não a amava. Na verdade, era pior que isso. Desde o início, ela foi apenas uma ferramenta: alguém para cuidar dos velhos, criar o pequeno e manter de pé uma casa que ele já tinha abandonado. Enquanto ele vivia o luxo em Brasília nos braços de Isabela Rios, ela era o animal de carga no interior. Ele mandava dinheiro para a mãe e presentes para o filho, mas para ela, ele deixou apenas o fardo de ser a "viúva" de um herói.

Nesta vida, porém, ela não aceitaria mais o silêncio. O destino de ser descartada como lixo não se repetiria.

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