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《Ela Foi Embora, e o Amanhã Parou》Capítulo 23

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O coração de Ricardo esfriou completamente diante daquelas palavras. Ele observou, impotente, Cecília se afastar até que suas mãos caíssem ao lado do corpo. Seus olhos exaustos tornaram-se avermelhados, marejados de lágrimas. Uma sensação profunda de impotência e desespero o dominou, tornando sua respiração errática e pesada.

Ricardo permaneceu sentado em um canto sozinho por muito tempo. Somente quando o restaurante estava prestes a fechar e um funcionário veio avisá-lo, ele finalmente voltou a si. Ele estendeu a sacola que carregava e implorou ao garçom por um favor.

Embora os ovos quentes tivessem ajudado a desinchar, eles não foram suficientes para aliviar a dor de Cecília. Ocupada com as compressas, ela sequer jantou. O Sr. e a Sra. Cavalcanti trouxeram um bife para o quarto e, ao verem o estado de seu joelho, ficaram extremamente preocupados. Por coincidência, uma camareira veio trazer toalhas limpas e eles aproveitaram para perguntar sobre medicamentos.

Ao ouvirem que o hotel possuía remédios disponíveis por 100 euros, eles compraram um kit imediatamente. Pouco depois, a funcionária trouxe a medicação. Cecília estranhou ao ver a caixa de remédios lacrada. Ela havia perguntado à equipe de limpeza à tarde e lhe disseram que o hotel não vendia medicamentos. Como a versão da história mudara tão drasticamente em apenas duas horas?

Ela sentiu uma ponta de suspeita e quis questionar mais, mas o Sr. Cavalcanti já estava aplicando o remédio em sua perna.

— Ceci, nós já pagamos. Não se preocupe de onde veio o remédio, o importante é cuidar desse machucado primeiro.

— Exato — concordou a mãe. — Ficou tão feio que nem sei se você conseguirá caminhar amanhã. Que tal descansarmos dois dias antes de seguirmos para a Islândia?

As preocupações de Cecília foram dissipadas por aquelas palavras reconfortantes. Após uma noite de repouso, embora ainda houvesse hematomas, a dor havia sumido. A família seguiu o plano original rumo à Islândia.

O reencontro com sua tia, a quem não via há muito tempo, deixou Cecília radiante. As duas tornaram-se inseparáveis a cada minuto. Sob a dança das auroras boreais, Cecília ergueu as mãos e fez seus desejos de vinte e três anos.

— Espero que neste novo ano eu possa ver um mundo ainda mais vasto, conhecer mais pessoas interessantes e que todos ao meu redor tenham saúde e paz.

Ao ouvir desejos tão contidos, a tia soltou uma risadinha, cutucando-a com o cotovelo em um tom provocativo:

— Só isso? Não vai desejar para si mesma um encontro com um homem maravilhoso e viver um romance avassalador?

Cecília sabia que a tia estava brincando e ia retrucar, quando avistou uma silhueta familiar. A dez metros de distância, Ricardo Almeida estava parado em meio à multidão, com os olhos fixos nela. A tia seguiu o olhar de Cecília, seus olhos brilharam e ela exclamou animada:

— Olha só, aquele rapaz ali é um gato! Por que você não tenta?

Ricardo ouviu o comentário e imediatamente ficou tenso e inquieto; sua expressão era um misto de timidez e expectativa. Cecília desviou o olhar, com uma voz mais lúcida do que nunca:

— Não existe essa possibilidade, tia.

A tia, desconhecendo os conflitos entre os dois, ficou surpresa:

— Quanta certeza! Pelo seu tom de voz, parece até que o conhece... como se fosse aquele tipo de ex-namorado com quem a gente jura nunca mais falar na vida.

A brincadeira impensada acertou em cheio a realidade. Mas, após passar por tanto e depois de tanto tempo, Cecília realmente havia superado tudo. Por isso, ao falar do passado, sentia-se leve e sem ressentimentos.

— E realmente não haverá nenhum contato, tia.

Ao ouvi-la dizer isso com um sorriso, Ricardo sentiu como se uma faca atravessasse seu coração. Seus olhos se encheram de lágrimas quentes. Ao redor deles, todos tiravam fotos e faziam pedidos, mas ele permanecia irremediavelmente sozinho.

Ele ergueu a cabeça, observando o brilho das luzes do norte no horizonte, enquanto memórias há muito enterradas emergiam em sua mente. No seu aniversário de dezoito anos, ele também fizera um pedido. Ele disse que, nesta vida, escalaria a montanha mais alta, mergulharia no mar mais profundo, saltaria de paraquedas e veria a aurora boreal mais romântica.

Cecília estava ao seu lado naquela época e repetia cada palavra que ele dizia, como um eco. Agora, eles estavam finalmente sob a aurora boreal.

Mas já haviam se perdido um do outro na imensidão do mundo.

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