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《Ela Foi Embora, e o Amanhã Parou》Capítulo 19

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A expressão de perdão ou a surpresa esperada por Ricardo não apareceram no rosto de Cecília. As três palavras curtas e secas que ela disparou fizeram a expressão dele congelar instantaneamente.

Ele não conseguia entender. Ele havia aberto seu coração, contado seus sentimentos mais profundos... por que ela continuava agindo como se não se importasse? Através da janela do carro, ele encarava aquele rosto gélido e sentia sua própria respiração tornar-se pesada e difícil.

Mas o tempo estava correndo. Ele só podia continuar sua confissão, sem reservas:

— Ceci, agora a única pessoa que eu amo é você. Me dê só mais uma chance, por favor! Eu juro, desta vez não cometerei as mesmas bobeiras. Vou declarar nosso relacionamento para todo mundo, vou te tratar bem como antes... Se você quiser, podemos ficar noivos agora mesmo. Eu te darei um futuro claro e seguro, eu prometo!

Cada frase de Ricardo soava solene e definitiva. Observando tamanha sinceridade, Cecília baixou o olhar, mas seus olhos permaneciam lúcidos. Se aquelas palavras tivessem sido ditas dois meses atrás, ela certamente teria acreditado. Infelizmente, o mundo não é feito de "e se". E ela não queria mais nenhum futuro ao lado dele.

— Eu não acredito que você me ame, e muito menos acredito que tenhamos um futuro. Se era só isso que tinha a dizer, posso te responder com clareza: entre eu e você, não existe a menor possibilidade.

A última centelha de esperança no peito de Ricardo foi extinta. Seu rosto escureceu, seu corpo tremia levemente e as veias saltavam nas costas de suas mãos cerradas. Seus olhos, transbordando angústia, fixaram-se nela, e sua voz saiu embargada:

— Por quê? Ceci, eu já admiti meu erro... por que você simplesmente não consegue me perdoar? Você esqueceu que um dia disse que só queria estar comigo? Esqueceu que prometeu que nunca nos separaríamos?

Cecília, é claro, lembrava-se de cada palavra. Afinal, ela realmente considerara Ricardo Almeida e o sentimento que nutriam como a coisa mais preciosa de sua vida. Infelizmente, todas as promessas têm um prazo de validade, delimitado pelo tempo em que ela ainda o amava.

Agora, ela e Ricardo eram praticamente estranhos. Qual era a necessidade de falar em promessas ou sentimentos passados? Por isso, ela não lhe deu a chance de continuar com seu teatro de arrependimento.

— E você? Esqueceu que disse que me via apenas como uma "irmã" e que a vida ao meu lado não tinha perspectiva? Esqueceu que disse que amaria qualquer pessoa, menos a mim? Esqueceu que disse que nunca mais queria me ver? Você se lembra de tudo, menos do que você mesmo fez, não é?

O semblante de Ricardo foi definhando sob o peso daquelas palavras contundentes. As piadas e as frases cruéis ditas da boca para fora naquela época voltaram como bumerangues, atingindo em cheio o seu coração. Ele balançava a cabeça sem parar, tentando negar a realidade:

— Não é isso, Ceci... eu ainda não sabia que te amava, por isso falei aquelas coisas...

— E quando você usou o nosso relacionamento secreto como troféu para se gabar com seus amigos na boate, você pensou que esse dia chegaria?

Essa única pergunta desvendou o mistério que atormentava Ricardo. Ele finalmente entendeu por que ela tivera aquele atrito com Isadora e por que, depois daquela noite, nada voltou a ser como antes. Ela ouvira a conversa deles do lado de fora do camarote!

Ao perceber isso, Ricardo sentiu a mente zumbir; seu sangue parecia correr em sentido contrário. Ele tentava desesperadamente formular uma explicação. Por puro instinto, enfiou a mão pela fresta da janela, tentando segurar a mão dela para impedi-la de partir, para ganhar mais alguns segundos.

Mas o tempo havia acabado. Cecília não hesitou um segundo sequer e fechou o vidro. A mão dele ficou presa, tornando-se arroxeada instantaneamente, mas ele se recusava a retirá-la. Fios de sangue começaram a escorrer pelo vidro, e o cheiro metálico invadiu o ar.

Cecília franziu o cenho, lançou-lhe um olhar de desprezo e baixou o vidro apenas o suficiente para empurrar aquela mão inerte para fora. Após fechar a janela novamente, ela deu partida no carro, deixando para trás apenas uma frase final, carregada de dignidade:

— Esse seu amor hipócrita e egoísta... guarde-o para a Isadora. Eu, Cecília Cavalcanti, não preciso dele.

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