localização atual: Novela Mágica Moderno Romance Ela Foi Embora, e o Amanhã Parou Capítulo 13

《Ela Foi Embora, e o Amanhã Parou》Capítulo 13

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Ricardo recuperou um pouco da lucidez e tentou explicar-se rapidamente:

— Isa, eu só quero entender por que ela imigrou tão de repente, me dê um tempo...

O autocontrole de Isadora rompeu-se completamente. Ela não resistiu e desferiu um tapa violento no rosto dele, com os olhos injetados:

— Você foi quem disse que me amava há oito anos, e agora é você quem quer fugir do altar! Você jurou que via a Cecília apenas como uma "irmã", mas dormiu com ela durante todos esses anos! Ricardo Almeida, existe alguma palavra verdadeira que saia da sua boca?!

Em um instante, o silêncio tomou conta do salão. O Sr. e a Sra. Almeida olhavam para o filho com absoluta incredulidade. Ao lado, o Sr. Menezes, bufando de raiva, deu outro tapa certeiro em Ricardo e retirou-se do local levando a filha consigo.

Desta vez, ninguém ousou impedi-los.

Ricardo caiu sentado no chão com o impacto. Seu rosto inchou rapidamente, a visão ficou turva e um fio de sangue escorreu pelo canto da boca. No entanto, ele parecia não sentir dor; apenas observava, atônito, as costas dos Menezes desaparecendo. Ele não disse uma única palavra para detê-los.

Seria porque não conseguia falar, ou porque não queria? Nem ele mesmo sabia. O casamento terminou antes mesmo de começar.

Naquela mesma noite, a família Menezes devolveu todos os presentes e dotes, anunciando o rompimento definitivo entre as famílias. A sala dos Almeida, ainda decorada com os símbolos festivos do matrimônio, parecia alegre aos olhos, mas estava mergulhada em um silêncio fúnebre.

Ricardo sentou-se sozinho no sofá, encarando a mansão vizinha completamente às escuras. Flashes de memória invadiram sua mente, todos, sem exceção, envolvendo Cecília. Aos cinco anos, de mãos dadas no balanço do jardim; na pré-adolescência, sendo o modelo para os desenhos dela; na vida adulta, em cada beijo e abraço compartilhado...

Foram dezoito anos como amigos inseparáveis e, de repente, tornaram-se amantes clandestinos.

"Amantes". Que palavra inoportuna. Mas era a única que Ricardo encontrava para descrever os últimos cinco anos. Ela não era sua namorada oficial, mas tudo o que faziam extrapolava — e muito — os limites da amizade.

As declarações de amor sussurradas entre os lençóis, ditas apenas para aumentar o prazer, haviam se gravado em seu coração sem que ele percebesse. De tanto repetir a mentira, ele acabou acreditando nela. Ele apenas não havia notado.

Somente agora, após perdê-la completamente, Ricardo finalmente compreendeu seu próprio coração.

Sim, ele gostava de Isadora. Mas, durante os anos em que ela esteve ausente, esse sentimento transformou-se em uma obsessão. O desejo pelo que não podia ter cegou seus olhos, fazendo-o acreditar que era leal ao passado. No entanto, sob o desgaste do tempo, ele já havia se apaixonado por Cecília.

Era por isso que ele sentia fúria quando ela se afastava; por isso que seu coração vacilava ao ouvi-la confessar seu amor; e por isso que o pânico o dominou ao saber de sua partida.

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Para Ricardo, perder Cecília para sempre era muito mais inaceitável do que não ter Isadora. Se tivesse que escolher entre as duas, agora ele tinha apenas uma resposta: ele queria Cecília ao seu lado.

Ele não conseguia imaginar como seria sua vida sem ela. Não teria com quem compartilhar um bom vinho, ninguém para entender seus pensamentos mais estranhos ou ouvir suas histórias repetidas centenas de vezes. A única pessoa que o compreendia estava agora a milhares de quilômetros de distância, do outro lado do oceano, e ele havia perdido o contato.

Só de pensar nisso, Ricardo sentia um calafrio na espinha. Por isso, ao saber que os Menezes haviam rompido o noivado, sua primeira reação foi, estranhamente, um suspiro de alívio.

O Sr. e a Sra. Almeida ainda não haviam se recuperado do choque. Encararam o filho por um longo tempo antes de criarem coragem para perguntar:

— A Isadora disse que você e a Ceci...

O segredo guardado por tanto tempo fora exposto ao mundo. Ricardo não sabia como encarar os pais. Após um longo silêncio, ele apenas assentiu.

O casal sentiu falta de ar. Respiraram fundo, olhando para o filho com uma mistura complexa de sentimentos.

— Desde quando? Por que não disse nada? Se vocês estavam juntos, por que insistiu em casar com a Isadora? A decisão da Ceci de imigrar tem a ver com você, não tem?

— Como você pôde ser tão inconsequente?! Temos décadas de amizade com os Cavalcanti. Se vocês se amavam, acha mesmo que não apoiaríamos? O que você fez com a Ceci é imperdoável! Como vai olhar na cara dos pais dela?

Ricardo estava com a mente em frangalhos, sem saber o que responder. O quarto mergulhou novamente no silêncio. Somente após muito tempo ele conseguiu organizar os pensamentos e manifestar-se:

— Tudo isso foi erro meu, do início ao fim. Amanhã mesmo vou para a Espanha pedir perdão à Ceci.

O Sr. Almeida deu um longo suspiro de frustração:

— Depois do que você fez, ela deve ter ido embora com o coração destruído. O Sr. Cavalcanti e a esposa provavelmente nem sabem disso ainda. De que adianta você ir sozinho? Nós iremos com você para pedir desculpas formalmente à família dela!

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