《Ela Foi Embora, e o Amanhã Parou》Capítulo 7

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No meio do banquete de aniversário, Ricardo e Isadora anunciaram publicamente a data do casamento. Foi nesse momento que Cecília descobriu que hoje não era apenas o aniversário de Ricardo, mas também a festa de noivado dele com Isadora.

O salão irrompeu em aplausos trovejantes e todos se apressaram em oferecer seus parabéns. Sentada sozinha em um canto, Cecília observou os dois se beijarem com rostos transbordando felicidade; seu coração, porém, não sentiu mais nenhuma oscilação.

Na hora do brinde, Isadora, de braços dados com Ricardo, aproximou-se com um sorriso radiante e ergueu a taça.

— Cecília, você e o Rico são tão próximos... quando nos casarmos, você aceitaria ser minha madrinha?

— Sinto muito, mas terei compromissos naquele dia. Não poderei comparecer ao casamento — respondeu Cecília de forma direta.

Ao ouvir a recusa cortante, a expressão de Ricardo mudou instantaneamente. Ele lançou-lhe um olhar frio e disse com uma voz extremamente ríspida:

— Se a pessoa vem ou não, tanto faz. O que importa é que o presente chegue.

Cecília assentiu levemente, sua voz soando límpida:

— Fique tranquilo. Dada a nossa "amizade", farei questão de enviar um envelope bem generoso.

Seu tom era sincero, como se estivesse realmente abençoando o casal. Lembrando-se das palavras que ouvira dela na loja dias atrás, um turbilhão de emoções complexas passou pelos olhos de Ricardo.

Nesse momento, uma melodia alegre de piano começou a tocar. Sem saber o que dizer, ele puxou Isadora para o centro da pista de dança. Os holofotes seguiam o movimento gracioso dos dois, que flutuavam pelo salão como duas borboletas. Os convidados ao redor observavam com inveja, desfazendo-se em elogios.

— Que casal perfeito! Combinam tanto... mas noivar com apenas um mês de conhecimento, não será um pouco precipitado?

— Você não entende nada. O herdeiro dos Almeida é apaixonado pela senhorita Menezes há anos. Agora que finalmente a conquistou, é claro que quer oficializar logo para garantir seu lugar.

Cecília encostou-se no sofá e observou em silêncio, com pensamentos confusos. Ela aprendera a dançar com Ricardo. Naquela época, faltava sintonia entre os dois e, de salto alto, ela vivia pisando no pé dele. Ele não se irritava; apenas sussurrava com um sorriso malicioso no ouvido dela:

— Cada pisada vale um beijo, viu?

Naquele dia, Cecília aprendeu a dançar. Os pés de Ricardo ficaram marcados de roxo, e os lábios dela ficaram inchados de tanto serem beijados por ele. Ela acreditara que ele também a amava e que, no mundo dele, ela ocupava o lugar de namorada. Mas, ao ver com os próprios olhos o empenho dele em agradar Isadora, Cecília percebeu o quão ridícula fora sua ilusão.

Em meio a essas reflexões, um homem se aproximou e fez uma reverência, convidando-a para dançar. Ela não queria ir, mas diante da insistência dele e vendo que todos estavam na pista, aceitou para não estragar o clima da festa.

Os dois estranhos revelaram uma harmonia inesperada, movendo-se suavemente ao som da música melódica. As mãos quentes do homem pareciam ter um efeito tranquilizador e, aos poucos, ela relaxou, imersa no ritmo.

Aquela foi a primeira vez na noite que Ricardo viu Cecília sorrir, e seu semblante fechou na hora. Seus olhos, transbordando desagrado, fixavam-se nela constantemente, fazendo-o perder o compasso da dança várias vezes. Percebendo a distração do noivo, Isadora lançou-lhe um olhar hesitante.

Quando a música mudou de ritmo, todos trocaram de par na pista. Ao sentir a mão de Ricardo segurando a sua, Cecília estancou por um breve segundo antes de baixar o olhar.

Apenas uma volta depois, o desastre aconteceu.

O enorme lustre de cristal no teto soltou-se e despencou com um estrondo violento. Instintivamente, Ricardo soltou a mão de Cecília e correu para proteger Isadora, tirando-a da área de perigo num solavanco.

Deixada para trás, Cecília mal conseguiu se equilibrar. O lustre raspou em seu ombro ao cair, abrindo um corte profundo e extenso em sua mão. O sangue jorrou, tingindo seu vestido branco de um vermelho vivo.

Uma dor aguda disparou por seus nervos e ela não conseguiu conter um gemido de dor, seu rosto tornando-se mais pálido que papel.

A poucos metros dali, Ricardo abraçava Isadora, confortando-a com doçura enquanto a levava apressadamente para fora. Do início ao fim, ele não olhou para Cecília nem uma única vez.

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