localização atual: Novela Mágica Moderno A Herança no Vaso de Conservas Capítulo 13 O Covarde em Colapso

《A Herança no Vaso de Conservas》Capítulo 13 O Covarde em Colapso

A noite em Chongqing era um dragão de luzes. Mas o mundo de Marcos desmoronou em um instante, mergulhando na escuridão absoluta.

Ele permaneceu sentado naquele café onde perdera toda a dignidade, imóvel por um longo tempo.

Os gritos de Júlia e o choque térmico do café gelado em seu rosto ainda estavam gravados em sua pele e em sua memória.

Os olhares e cochichos dos outros clientes eram como agulhas espetando o que restava de seu orgulho. Ele se tornara um palhaço.

Um palhaço miserável e patético, despojado de todos os disfarces e exibido em praça pública.

Sobre a mesa, repousavam silenciosamente aqueles papéis. A citação judicial. A petição de divórcio.

A decisão de bloqueio de bens. Cada palavra parecia um ferro em brasa, queimando seus olhos.

Clara.

A mulher que ele acreditava ter deixado para trás.

A mulher que, em sua memória, era sempre dócil, resiliente e submissa. Como ela o encontrara? Como ela soubera de tudo aquilo?

Ele não conseguia processar. Sua mente era um turbilhão de confusão, uma massa informe de pensamentos desconexos.

Ricardo, o homem que se apresentou como assistente jurídico, já havia partido. Antes de sair, deixou uma frase gélida: — Sr. Marcos, nos vemos no tribunal.

Tribunal.

Essas duas palavras o fizeram estremecer da cabeça aos pés. Ele pegou o celular freneticamente, os dedos tremendo ao discar o número de Clara.

"O número chamado está ocupado no momento..."

Ele tentou de novo.

"O número chamado não pode receber chamadas de sua linha..."

Bloqueado. Ela o colocou na lista negra. Ela não daria a ele nem a chance de explicar, implorar ou se defender. Um pânico avassalador, como uma maré alta, começou a afogá-lo.

Ele saiu disparado do café, tropeçando até chegar ao "Portal da Montanha", o antigo ninho de amor com Júlia.

Abriu a porta e encontrou o caos. As coisas de Júlia haviam sumido. Restavam apenas as malas dele, empilhadas de qualquer jeito no meio da sala, como lixo sem dono.

Sobre a mesa de centro, um bilhete. A caligrafia de Júlia era apressada e furiosa:

"Marcos, você é um mentiroso completo! Um lixo de ser humano! Me arrependo amargamente de ter te conhecido! Meu advogado entrará em contato sobre o dinheiro que você me deve!"

Advogado.

De novo, um advogado. Ele desabou no sofá, sentindo que toda a sua energia fora drenada. Lembrou-se do dinheiro.

Dos 600 mil reais. Abriu imediatamente o aplicativo do banco. Quando viu o saldo exibindo um cortante

"R$ 0,00"

, sua última linha de defesa psicológica ruiu.

Contas congeladas. Ele estava sem um centavo, preso em uma cidade onde não conhecia ninguém. Como uma fera enjaulada, sem saída.

O medo — um medo sem precedentes — agarrou seu coração. Não era o medo do processo ou da perda material. Era o medo do laudo genético, o medo visceral daquela doença hereditária.

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Ele sempre acreditara que, fugindo para longe e fingindo que ela não existia, a doença não o encontraria.

Achava que, com dinheiro e uma namorada jovem, venceria a maldição gravada em seu DNA.

Mas Clara rasgara o véu. Expusera a ferida sangrenta sob a luz do sol, diante dele mesmo.

De repente, sentiu uma leve pontada de dor na lombar. Talvez fosse psicológico. Ou talvez... o demônio estivesse começando a despertar. Encolhido no sofá, ele tremia violentamente, como uma criança perdida chorando na escuridão.

Começou a ligar loucamente para todos que pudessem ter contato com Clara.

Amigos dele, amigos dela, seus sogros.

Quando alguém atendia, ele desatava a chorar. Dizia que estava errado, que foi um momento de confusão.

Dizia que estava muito doente, à beira da morte. Dizia que Clara era cruel e queria matá-lo. Tentava se pintar como a vítima desesperada para ganhar a simpatia de quem quer que fosse.

Do outro lado, eu acabara de sair do banho. Sentada na cama do hotel, secava o cabelo.

Meu celular passara a tarde no silencioso. Ao checar agora, vi dezenas de chamadas perdidas e uma pilha de mensagens desconexas.

Dos meus pais, de amigos... mas a maioria de números desconhecidos.

Não precisei pensar muito para saber quem era. Não abri nenhuma. Apaguei todas, uma por uma. Dra. Fabiana tinha razão: eu precisava tratá-lo como um morto. E não se conversa com mortos.

Abri meu notebook e comecei a atualizar meu currículo. Eu estava há três anos sem trabalhar.

Minha experiência como supervisora administrativa em uma multinacional parecia algo de uma vida passada. Senti uma pontada de insegurança. Mas, ao digitar cada palavra, ao organizar minhas competências e conquistas, aquela sensação familiar de competência voltou aos poucos.

Eu não era apenas uma dona de casa que lavava, cozinhava e cuidava de doentes. Eu fora uma mulher independente e eficiente no mundo corporativo.

Apenas recolhera minhas asas por aquele homem, por aquele suposto lar. Agora, eu as abriria novamente.

Enquanto revisava o texto, Fabiana ligou. — Já limpou o lixo? — a voz dela soava leve. — Sim, apaguei tudo — respondi.

— Fez bem. Ele está no fim da linha e vai usar qualquer artifício para te assediar e te abalar. Sua única tarefa é não ouvir, não olhar e não pensar nele. — Eu entendo.

— Em Chongqing, Marcos está em colapso total. Júlia também já contratou um advogado para reaver o dinheiro. Ele está cercado por todos os lados; não tem mais força para reagir. Nosso pleito é que ele saia de mãos vazias e pague uma indenização alta por danos morais. Com as provas que temos, as chances de vitória são enormes.

A voz de Fabiana era firme, como um tônico para minha alma. — Estou preparando os materiais para a audiência. Descanse estes dias e recupere suas energias. — Certo, Dra. Fabiana.

— Ah, mais uma coisa — Fabiana fez uma pausa. — Sobre o bracelete que seu sogro deixou, já contatei um órgão de perícia oficial. Amanhã, quando puder, leve a peça para avaliação. — Combinado.

Desliguei, fechei o computador e fui até a janela. Lá fora, as luzes da cidade brilhavam. Ergui meu pulso, observando o bracelete de jade.

Sob a luz do quarto, ele emitia um brilho suave, mas resiliente. Lembrava o olhar do meu sogro em seus momentos finais: havia arrependimento e tristeza, mas também uma entrega e uma esperança depositadas em mim.

Pai, pode descansar em paz. Eu não vou te decepcionar. Vou me reerguer e viver. E viverei melhor do que nunca.

Olhando para a vista noturna deslumbrante, senti uma paz profunda. Eu sabia que a guerra ainda não terminara, mas a balança da vitória já estava firmemente em minhas mãos.

O colapso de Marcos era apenas o primeiro pagamento dos juros por tudo o que ele fez. E eu, com calma e estratégia, faria com que ele pagasse a dívida inteira.

Com juros e correção.

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