localização atual: Novela Mágica Moderno A Herança no Vaso de Conservas Capítulo 10 A Caça e o Caçador

《A Herança no Vaso de Conservas》Capítulo 10 A Caça e o Caçador

A eficiência da Dra. Fabiana era assombrosa. No segundo dia após eu contratá-la, sua equipe já estava em plena operação.

No terceiro, ela me informou que os investigadores enviados a Chongqing já estavam posicionados. No quarto dia, recebi um e-mail criptografado.

Dentro, havia o dossiê detalhado de Marcos em Chongqing. Ele estava morando em um condomínio de luxo chamado "Portal da Montanha".

Usava o próprio documento de identidade; não fizera o menor esforço para se esconder. Talvez, na cabeça dele, mudar de cidade equivalia a mudar de mundo. Ele acreditava que eu, a esposa descartada no "velho mundo", jamais seria capaz de encontrá-lo.

Ele era arrogante demais. E me subestimava profundamente.

O e-mail continha várias fotos tiradas à distância pelos investigadores. Nas imagens, Marcos vestia uma camisa de linho casual e usava óculos de armação dourada.

Ele estava sentado em um café ao ar livre, com um latte à sua frente.

O sol banhava seu rosto enquanto ele semicerrava os olhos, ostentando um sorriso relaxado e satisfeito.

Ele parecia... estar vivendo maravilhosamente bem. Não havia vestígio de culpa ou ansiedade. Parecia até mais robusto do que quando partira, com um semblante corado e saudável.

Meus dedos apertaram o mouse com tanta força que as juntas ficaram brancas. Ao fundo da foto, viam-se as camadas de montanhas e os arranha-céus infinitos de Chongqing.

Enquanto isso, nos últimos seis meses, o meu mundo se resumira às paredes brancas de um hospital e ao cheiro penetrante de antissépticos.

Com que direito? Como ele podia, em sã consciência, desfrutar do sol e do café ali, enquanto eu e o pai dele agonizávamos no inferno?

Uma fúria gélida subiu da sola dos meus pés direto para a cabeça. Desliguei o computador, peguei o celular e reservei a primeira passagem aérea para Chongqing naquela mesma tarde. Fabiana me disse para esperar, que ela cuidaria de tudo. Mas eu não podia esperar.

Esta não era a guerra dela. Era a minha. Eu precisava encarar meu inimigo. Queria que ele me visse.

Queria que soubesse que eu não era um lixo que ele poderia descartar à vontade. Eu não estava ali apenas para cobrar uma dívida; eu estava ali para exigir um acerto de contas fatal.

Quatro horas depois, o avião pousou no Aeroporto Internacional de Jiangbei. Um ar úmido e quente, misturado ao aroma picante de pimenta e especiarias do

hot pot

, me atingiu em cheio.

Aquela era Chongqing. Uma metrópole construída sobre montanhas — tridimensional, mágica e crua. Um lugar perfeito para se esconder, mas também perfeito para caçar.

Não entrei em contato com os investigadores da Dra. Fabiana; não queria espantar a caça. Peguei um táxi e fui direto para o condomínio "Portal da Montanha".

Não entrei no prédio. Instalei-me em uma casa de chá do outro lado da rua, escolhendo uma mesa próxima à janela.

Pedi o chá mais amargo do cardápio e mantive os olhos fixos na portaria do condomínio, sem desviar por um segundo.

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Eu sabia que ele sairia.

Eu era como um predador paciente, esperando que a presa entrasse no meu raio de alcance.

O tempo passava lentamente. O céu escureceu e as luzes da cidade começaram a acender, transformando Chongqing em um mar de estrelas artificiais.

Eu já estava na terceira bule de chá, que passou de fervente a gelado em minhas mãos.

Justo quando pensei que ele não apareceria naquele dia, um vulto familiar surgiu no portão. Era ele. Marcos.

Ele vestia roupas esportivas pretas, parecendo ter acabado de sair da academia. Caminhava com passos leves, quase saltitantes, e parecia até cantarolar algo. Meu coração disparou. O sangue rugia em minhas veias.

Mas ele não estava sozinho. Ao lado dele, caminhava uma mulher. Uma garota muito jovem, mal passava dos vinte anos.

Ela usava calças de yoga justas que delineavam suas curvas juvenis, o cabelo preso em um rabo de cavalo alto e um sorriso inocente e radiante no rosto. Ela segurava o braço de Marcos, colando o corpo ao dele, tagarelando sem parar sobre algo.

Marcos inclinava a cabeça para ouvi-la, com um sorriso de adoração no rosto. Ele esticou a mão e deu um leve peteleco no nariz dela. Um gesto que, um dia, ele fizera comigo.

Senti meu estômago revirar. Uma náusea violenta me atingiu. Então, era esse o "compromisso social" dele.

Aquelas eram as risadas femininas que eu ouvia ao telefone. Ele não estava sofrendo em isolamento; estava vivendo uma vida nova, alegre e vibrante.

Usando o patrimônio comum do nosso casamento para sustentar uma universitária jovem e bonita.

Enquanto ele se divertia, o pai dele definhava em uma cama, sendo devorado pela doença até não restar nada além de ossos.

Enquanto ele gozava a vida, eu estava de joelhos no chão, limpando excrementos e secreções purulentas.

Que ironia cruel. Que piada de mau gosto.

Peguei o celular e apontei para eles. Capturei aquela cena de falso idílio amoroso, aquela imagem nauseante, com clareza absoluta. Na foto, eles sorriam docemente, como um casal apaixonado no auge do romance.

Olhei para a foto e também sorri. Mas as lágrimas escorreram sem controle, caindo sobre a tela fria do aparelho.

Marcos, você realmente merece o pior.

Limpei o rosto e enviei a foto para a Dra. Fabiana com uma única frase:

"Doutora, minha presa apareceu."

"E olhe só: veio em dose dupla."

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