localização atual: Novela Mágica Moderno A Herança no Vaso de Conservas Capítulo 9 O Conselho da Advogada

《A Herança no Vaso de Conservas》Capítulo 9 O Conselho da Advogada

Encontrar o paradeiro de Marcos era apenas o primeiro passo. O passo seguinte exigia que eu tivesse em mãos a lâmina mais afiada para retalhar sua máscara de hipocrisia e retomar tudo o que me pertencia por direito. Essa lâmina era a Lei.

Passei um dia inteiro pesquisando pelos melhores advogados de família da cidade. Analisei currículos, casos de sucesso e avaliações de clientes.

Eu não buscava um conciliador; eu precisava de uma guerreira. Alguém que lutasse ao meu lado, capaz de despedaçar o inimigo e garantir a vitória.

Finalmente, fechei em um nome:

Dra. Fabiana

. Uma advogada com mais de quinze anos de carreira.

Em seu perfil, não havia frases de efeito, apenas uma diretriz clara:

"Especialista em disputas patrimoniais e responsabilização de cônjuges culpados. Meu foco é o benefício máximo do meu constituinte."

Era ela. Liguei para o escritório e agendei uma consulta para o dia seguinte.

Na tarde seguinte, entrei em um dos edifícios corporativos mais luxuosos do centro. O escritório da Dra.

Fabiana ocupava meio andar, com uma decoração em tons frios, minimalista e profissional, exalando uma autoridade inquestionável.

Uma recepcionista me conduziu a uma sala de reuniões privativa. Minutos depois, a porta se abriu e uma mulher de terno cinza-chumbo entrou.

Tinha cerca de quarenta e cinco anos, cabelos curtos, maquiagem impecável e olhos afiados como os de uma águia.

— Sra. Clara? — Ela estendeu a mão. Sua voz era como sua aparência: direta e cortante.

— Dra. Fabiana, prazer — respondi, apertando sua mão firme e quente.

Sentamos no sofá. Ela dispensou as formalidades e foi direto ao ponto: — Tivemos uma breve conversa por telefone, mas agora quero que você me conte tudo o que sabe, do início ao fim. Sem omitir detalhes.

Assenti e retirei a caixa de ferro da mochila.

Coloquei-a sobre a mesa de centro e a abri. Relatei minha jornada nos últimos seis meses: da partida repentina de Marcos à morte do meu sogro, culminando na descoberta na velha casa.

Usei um tom calmo, como se narrasse a história de outra pessoa.

Sem lágrimas, sem acusações emocionais.

Apenas fatos gélidos.

Fabiana ouviu em silêncio, assentindo ocasionalmente. Seu olhar permanecia fixo em mim, analítico.

Quando espalhei diante dela os diários de Helena, os laudos do Sr. Donato e, por fim, o laudo genético de Marcos, vi uma centelha brilhar em seus olhos.

Ela pegou o exame de Marcos e o leu minuciosamente, franzindo levemente a testa.

— Abandono afetivo e material. Os fatos são claros e as provas, contundentes — declarou ela, fechando a pasta. — Mais do que isso: foi um ato deliberado e premeditado.

— A demissão dele e a suposta "viagem" foram arquitetadas para fugir da responsabilidade de cuidar do pai e para se livrar de você, a quem ele já via como um "fardo" futuro.

Juridicamente, a conduta dele beira o criminoso sob a ótica da omissão de socorro e abandono de incapaz.

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"Abandono". A palavra ecoou em minha mente. Eu sempre o vi como egoísta e covarde, mas não tinha processado que ele havia cruzado a linha da legalidade.

— O que fazemos agora? — perguntei, com uma leve trepidação na voz que nem eu mesma notei.

Fabiana inclinou-se para frente, fixando seus olhos nos meus. Sua postura me transmitiu uma calma instantânea.

— Clara, primeiro você precisa definir seu objetivo. Você quer apenas o divórcio ou quer que ele pague pelo que fez?

— Quero que ele pague — respondi sem hesitar.

— Ótimo — um sorriso de aprovação surgiu nos lábios da advogada. — Então, minhas recomendações são as seguintes:

Primeiro:

Vamos entrar imediatamente com a ação de divórcio litigioso. O fundamento será o abandono do lar e a grave violação dos deveres conjugais.

Segundo:

Pedido de bloqueio de bens. Precisamos rastrear todo o patrimônio em nome dele: imóveis, veículos, contas bancárias, ações e, principalmente, o destino da indenização que ele recebeu ao se demitir. Temos que impedir que ele dissipe o patrimônio.

— Eu descobri que ele está em Goiânia — mostrei a ela o print da multa de trânsito.

— Excelente — ela assentiu. — Isso nos economiza tempo. Minha equipe enviará investigadores a Goiânia para localizar o endereço exato e monitorar os ativos dele lá.

Terceiro: Partilha de bens.

Embora o apartamento seja um bem comum, dado o comportamento culposo dele e o fato de você ter arcado sozinha com todos os encargos familiares e cuidados paliativos do sogro, pleitearemos a maior parte da meação, ou até a totalidade. O fato de você ter alugado o imóvel foi uma decisão acertada; os frutos desse aluguel pertencem a você agora.

Quarto: Danos morais.

A conduta dele nestes seis meses causou um abalo psicológico profundo. Vamos exigir uma indenização robusta por danos morais.

Por último...

— Ela olhou para o bracelete de jade no meu pulso. — Faremos uma perícia técnica nesta peça. Além de ser uma herança valiosa, ela é o reconhecimento material do seu sogro pelo seu esforço. No tribunal, esse bracelete será uma prova emocional poderosa.

Fabiana analisava cada ponto com uma lógica impecável. A névoa em minha mente começou a se dissipar, dando lugar a uma força e determinação que eu nunca soube que possuía.

— Entendido — eu disse. — Dra. Fabiana, confio o caso inteiramente à senhora.

— Fique tranquila — ela se levantou. — De agora em diante, você não precisa fazer nem dizer nada. Não o procure, não responda a nenhuma mensagem dele, caso ele apareça. Finja que ele está morto. O restante é comigo.

Saí do escritório quando a noite já havia caído. Os outdoors e luzes da cidade acendiam-se um a um, como rios de luz. Parei diante do prédio e olhei para o alto. O vento batia no meu rosto, frio, mas meu peito ardia com um fogo novo.

Marcos, seus dias de tranquilidade acabaram. Nesta guerra, não vou te dar nenhuma chance de escapar.

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