localização atual: Novela Mágica Moderno A Herança no Vaso de Conservas Capítulo 8 A Cidade Inexistente

《A Herança no Vaso de Conservas》Capítulo 8 A Cidade Inexistente

O dinheiro que eu tinha em mãos me proporcionava uma estabilidade temporária, mas eu sabia que estava longe de ser o suficiente.

Eu não poderia morar em um hotel para sempre. Precisava traçar um plano de longo prazo para o meu futuro, e o primeiro passo desse plano era desmascarar, de uma vez por todas, a grande mentira de Marcos.

Ele não tinha ido viajar a trabalho?

Em que cidade?

Em qual projeto?

E quem era a mulher que cuidava das suas "relações de negócios"?

Sentei-me à escrivaninha do quarto do hotel e abri o notebook. Sobre a tal "viagem", eu tinha apenas uma informação vaga: uma filial no sul do país, um projeto de energia renovável.

A empresa se chamava "Tecnologia Aurora". Era a única empresa onde ele trabalhava de forma estável nos nossos três anos de casados.

Abri o buscador e digitei o nome da empresa. O site oficial apareceu imediatamente, com um design moderno e tecnológico.

Procurei a página de "Fale Conosco", que listava a sede e todas as filiais. Não encontrei a cidade do sul que ele havia mencionado. Pensei que, talvez, por ser um escritório novo, ainda não tivessem atualizado o site.

Liguei para o departamento de Recursos Humanos da sede. Quando atenderam, respirei fundo e usei um tom profissional, calmo e decidido.

— Olá, bom dia. Sou da central de cartões de crédito do banco tal. Precisamos confirmar algumas informações do funcionário de vocês, o Sr. Marcos. Ele solicitou um cartão Platinum e precisamos validar o vínculo empregatício e o local atual de trabalho.

Era um truque que eu tinha visto em filmes. Não sabia se funcionaria. Do outro lado da linha, uma voz feminina jovem pareceu hesitar.

— Marcos? — Sim, Marcos — repeti com firmeza. — Só um momento, vou verificar no sistema.

Ouvi o som das teclas do computador pelo fone. Meu coração subiu à garganta. Cada segundo parecia um século.

— Sinto muito, senhora — disse a moça. — Não consta nenhum funcionário com esse nome em nosso sistema atual.

Não constava? Como era possível?

— Tem certeza? Marcos, do setor de desenvolvimento. Ele está na empresa há três anos — insisti, tentando manter a voz estável.

— Ah, a senhora fala daquele Marcos... — a voz dela mudou. — Ele se desligou da empresa há quase seis meses.

Demitido. Há seis meses. Exatamente a época em que ele me disse que "viajaria a trabalho".

Minha mente explodiu. Embora eu já suspeitasse das mentiras, ouvir a verdade nua e crua daquela forma me causou uma vertigem súbita.

— Ele saiu? — minha voz fraquejou levemente.

— Sim, foi uma saída bem repentina. Ouvimos dizer que foi por motivos pessoais. — E... a senhora saberia me dizer para onde ele foi? — Isso nós não sabemos informar, é sigiloso.

A voz da mulher tornou-se cautelosa. Percebi que, se continuasse perguntando, ela desconfiaria.

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— Entendo. Muito obrigada.

Desliguei o telefone e senti minhas forças se esvaírem. Ele não tinha viajado a trabalho. Ele tinha pedido demissão e evaporado.

Cortou todas as pontes, destruiu qualquer rastro e rompeu o último vínculo que nos unia. Quão cruel pode ser o coração de um homem?

Após a fúria, veio um frio cortante na alma. Por que ele faria isso? Apenas pelo medo de adoecer?

Ele pediu demissão, não tinha mais fonte de renda... de que ele estava vivendo? Onde se escondia? Um turbilhão de perguntas girava em minha cabeça.

Forcei-me a raciocinar. Por mais longe que ele fugisse, sempre haveria um rastro. Comecei a repassar cada detalhe antes de sua partida. Nossa última conversa... o barulho ao fundo, música, risadas de mulher.

Ele disse que era um compromisso social. Mas que compromisso social um homem desempregado teria? A única possibilidade era que ele estivesse vivendo uma vida paralela. Uma vida nova da qual eu não fazia parte.

Abri as redes sociais dele. Instagram, Facebook... todas as postagens pararam há seis meses.

A última era uma foto de paisagem com a legenda: "Um novo começo". Era uma foto do saguão de embarque do aeroporto. Ele tinha planejado tudo meticulosamente.

Justo quando eu estava prestes a desistir, lembrei-me do carro. O Volkswagen branco que ele dirigia há dois anos. Ele partiu dirigindo aquele carro. E um carro sempre deixa pegadas.

Baixei imediatamente um aplicativo de consulta de infrações de trânsito. Digitei a placa e o número do chassi.

Eu tinha todos esses dados gravados na memória. A página carregou por alguns segundos. Então, uma multa apareceu na tela.

Data: o dia seguinte à partida dele. Local: Rodovia BR-153, trecho de Goiânia. Motivo: Excesso de velocidade. Valor: 130 reais. 4 pontos na carteira. Status: Paga.

Goiânia. Então a tal "cidade do sul" era, na verdade, Goiânia. Ele enganou a todos. Fugiu para a capital de Goiás, uma cidade que nunca fez parte da nossa rotina ou dos nossos planos.

Teria sido ele a pagar a multa? Ou a nova "ela" que estava ao seu lado? Olhei para as letras frias na tela do celular e, lentamente, um sorriso gélido surgiu em meu rosto.

Marcos. Eu te encontrei.

Você achou que fugindo para uma cidade desconhecida poderia recomeçar do zero? Esqueceu-se de que nada fica escondido para sempre.

O que você deve a mim, e o que deve a esta família... eu farei você pagar.

Cada centavo, cada lágrima.

Com juros.

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