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《Nunca Mais Serei a Esposa Invisível》Capítulo 23: O Final

Clarice estava no terraço, observando Mel molhar o jardim lá embaixo. A menina vestia um vestido amarelo suave e cantarolava uma canção infantil sem ritmo, pulando de um lado para o outro, parecendo radiante de felicidade.

"Em que está pensando?"

Um par de mãos quentes a envolveu por trás, e o queixo de Gabriel repousou suavemente em seu ombro. Ele ainda trazia consigo o leve aroma de antisséptico do hospital, sinal de que acabara de chegar do trabalho.

"Estou pensando...", Clarice nem precisou se virar para soltar um riso involuntário. "Pensando na primeira vez que nos vimos, quando você trouxe a Mel para comprar livros ilustrados."

Gabriel deu uma risada baixa, e seus olhos por trás das lentes douradas transbordaram ternura:

"Naquele momento, eu pensei: como essa minha caloura da faculdade pode continuar tão linda depois de tanto tempo?"

"Que galanteador!", Clarice deu um tapinha de leve no ombro dele, rindo com vontade.

O som das risadas atraiu a atenção de Mel no jardim. A menina largou o regador e correu para cima como uma borboleta: "Tio! Tia Clarice! Que segredinhos vocês estão contando?"

Gabriel abaixou-se para pegar a sobrinha no colo e deu um beijo em seu rostinho sujo de terra:

"O tio está perguntando para a Tia Clarice se ela quer ficar com a gente para sempre."

Os olhos de Mel brilharam instantaneamente, e suas mãozinhas agarraram a roupa de Clarice:

"É verdade? A Tia Clarice vai ficar com a gente para sempre?"

O coração de Clarice sentiu-se envolto em uma doçura infinita. Ela pegou Mel nos braços e, sob o olhar expectante da menina, assentiu: "Se a Mel quiser, eu vou."

"Eu quero! Eu quero!", comemorou Mel, abraçando o pescoço dela antes de se virar para Gabriel. "Tio, coloca logo o anel na Tia Clarice! Igualzinho na televisão!"

Com as pontas das orelhas levemente avermelhadas, Gabriel tirou uma caixinha de veludo vermelho do bolso e ajoelhou-se.

"Clarice," a voz dele tremia um pouco, "você aceita..."

"Eu aceito", antes mesmo que ele terminasse a pergunta, Clarice deu sua resposta firme. Embora houvesse lágrimas em seus olhos, seus lábios exibiam a curva da felicidade.

O casamento foi marcado para três meses depois. No dia da cerimônia, o sol estava excepcionalmente radiante. Clarice vestia um vestido de noiva branco e minimalista, carregando um buquê de flores silvestres colhidas por Mel, caminhando em direção a Gabriel sob as bênçãos dos convidados.

Quando o celebrante os declarou oficialmente marido e mulher, Mel não conteve a ansiedade e jogou-se nos braços de Clarice, chamando-a alegremente de "Titia".

Ao fundo, atrás de muitos convidados, estavam três figuras solitárias: um homem e duas crianças.

"Eu cuido disso", Gabriel apertou a mão dela, tentando tranquilizá-la.

"Não, eu mesma vou", Clarice respirou fundo, segurou a cauda do vestido e caminhou até a entrada.

Assim que a porta se abriu, Alice correu em sua direção: "Mamãe! Você está tão linda hoje!"

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Clarice deu um passo atrás, evitando o abraço, e perguntou friamente: "O que vieram fazer aqui?"

O olhar de Henrique recaiu sobre o local do casamento atrás dela. Sua voz estava rouca, carregada de nostalgia e melancolia:

"Não temos más intenções... só queríamos te desejar felicidades."

"Não é necessário", a voz de Clarice era calma e resoluta. "Por favor, retirem-se."

Sua voz não era alta, mas era contundente. O rosto de Henrique empalideceu de imediato; ele segurou as mãos das duas crianças que começavam a choramingar, com um olhar que beirava o desespero.

"Vitor, Alice... vamos embora."

"Não!", Alice soltou-se da mão do pai e tentou abraçar as pernas de Clarice, desabando em prantos: "Mamãe, por favor, olha para mim! Olha para mim!"

Clarice olhou para baixo, para a filha que um dia fora a joia de seus olhos. Ela não se inclinou; apenas afastou gentilmente as mãozinhas da menina:

"Adeus, Alice. E adeus, Vitor. Não venham mais me procurar. Vivam a vida nova de vocês."

"Eu também terei a minha própria vida agora."

Ao se virar, ela ouviu o soluço contido de Henrique e o choro dilacerante das crianças atrás de si. Mas, ao caminhar de volta para a festa e ver Mel correndo em sua direção com uma cestinha de flores, e Gabriel sorrindo para ela sob a luz do sol... aqueles sons tornaram-se distantes e nublados.

Mais tarde, Clarice soube pelo antigo mordomo que as coisas não iam bem na família Henrique. Após a expulsão de Isabela, a casa virou um caos. Henrique vivia mergulhado no trabalho, e as crianças foram enviadas para um internato, tornando-se cada vez mais rebeldes e difíceis. Eles tentaram procurá-la novamente na Cidade das Nuvens, mas foram impedidos pelos seguranças na entrada do condomínio.

Às vezes, Clarice sonhava com o passado. Sonhava com as noites em claro cuidando da febre de Vitor, ou com o sorriso dos dois ao chamá-la de "mamãe" pela primeira vez.

Ao acordar, Gabriel sempre percebia imediatamente e a envolvia em seus braços, confortando-a com doçura.

"Clarice... você se arrepende?", perguntou ele uma vez, hesitante.

Clarice olhou para os dois gatos de rua que brincavam com Mel no jardim e balançou a cabeça:

"Meus dias agora são felizes, e o caminho à frente é cheio de luz. Eu não vou mais olhar para trás."

Nesse momento, Mel correu com os gatinhos no colo, com o rosto sujo de grama, perguntando alegremente:

"Tia! Eles são tão fofos, podemos adotá-los?"

"Claro que podemos", respondeu ela rindo, acariciando com amor o rostinho suado de Mel. "Esta é a nossa casa, você quem manda."

A luz do sol filtrava-se por entre as folhas das árvores, projetando sombras salpicadas sobre os três.

As nuvens sombrias que um dia a cobriram jamais a alcançariam novamente.

FIM

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