《Nunca Mais Serei a Esposa Invisível》Capítulo 21

Dentro do ateliê de cerâmica, tudo finalmente havia se acalmado.

Clarice moldava a argila em suas mãos de forma mecânica, com os nós dos dedos empalidecidos pela força que exercia.

Mel sentava-se silenciosamente ao seu lado, lançando-lhe olhares preocupados de vez em quando.

"Tia Clarice...", a menina finalmente não aguentou e falou, com os olhos brilhantes e repletos de preocupação. "Você está muito triste? Tia, você parece muito infeliz."

As mãos de Clarice pararam por um instante. Ela forçou um sorriso: "Não é nada, Mel. Não se preocupe comigo, continue fazendo a sua tigelinha."

Gabriel aproximou-se em silêncio e colocou suavemente um copo de água morna ao lado dela. "Quer descansar um pouco?", perguntou ele.

Ela balançou a cabeça negativamente, com o olhar fixo na tigela de cerâmica que moldara pela metade — a forma estava torta e irregular, exatamente como o seu estado de espírito naquele momento.

Os olhos inchados de tanto chorar de Vitor e Alice não paravam de surgir em sua mente, deixando seu peito sufocado.

"Eles... pareciam mais magros", disse ela baixinho, soando mais como um monólogo interno.

Gabriel não respondeu, apenas permaneceu ao lado dela em um silêncio acolhedor.

A luz do sol filtrava-se pela vidraça, incidindo sobre a bancada de trabalho. A tigelinha que Mel moldava reluzia suavemente sob a claridade.

"Tio," a pequena Mel pensou por um momento e subitamente sugeriu: "Vamos fazer um presente para a Tia Clarice!"

Gabriel afagou carinhosamente o cabelo da sobrinha e disse suavemente: "Claro, Mel. O que você quer fazer?"

"Uma casinha!", exclamou Mel, entusiasmada. "Assim... a Tia Clarice terá uma casa nova!"

Aquelas palavras inocentes da criança fizeram o nariz de Clarice arder. Ela olhou para a menina concentrada na argila e para Gabriel, que a orientava com dedicação, e percebeu subitamente — sem que notasse, aquelas duas pessoas haviam se tornado uma parte essencial de sua vida.

"Mel," perguntou ela com a voz mansa, "por que quer fazer uma casa para mim?"

A menina ergueu o rosto, com os grandes olhos límpidos e sinceros:

"Porque a tia está triste. O tio disse que uma casa deve ser um lugar que faz a gente feliz. Eu quero que a tia fique feliz de novo."

Os olhos de Clarice marejaram novamente.

Gabriel, sentindo-se um pouco sem jeito, ajustou os óculos; as pontas de suas orelhas estavam levemente avermelhadas. "Inocência de criança... Clarice, por favor, não fique triste."

"Obrigada a vocês", disse Clarice subitamente. Sua voz estava embargada, mas ela logo abriu um sorriso entre as lágrimas. "Conhecer vocês... me faz muito feliz."

Mel imediatamente se jogou nos braços dela, envolvendo o pescoço de Clarice com suas mãozinhas:

"Tia, então vamos ficar juntos para sempre, tá bom? Como uma família de verdade!"

A mão de Gabriel parou no ar, e um pedaço de argila escorregou entre seus dedos. Seu olhar cruzou com o de Clarice, e ambos coraram ao mesmo tempo.

"Mel," ele repreendeu suavemente, "não diga essas coisas, você vai deixar a tia pressionada. Ela..."

"Não tem problema", Clarice sorriu levemente e acariciou o cabelo da menina. Seu olhar para Gabriel era suave, porém firme. "É uma honra para mim... fazer parte da vida de vocês."

Diante dela, os dois pares de olhos se iluminaram instantaneamente, como duas duplas de estrelas cintilantes.

Clarice olhou para aquelas duas figuras, a grande e a pequena, e não pôde evitar uma risada. A dor opressiva em seu peito foi gradualmente substituída por um novo sentimento.

Era uma sensação de paz e segurança que ela não experimentava há muito, muito tempo.

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