《Nunca Mais Serei a Esposa Invisível》Capítulo 19

O jato particular de Henrique pousou no aeroporto da Cidade das Nuvens ainda naquele dia.

O sol estava tão forte que chegava a arder nos olhos; ele semicerrou as pálpebras, observando os guarda-costas descerem os dois filhos do avião.

"Papai, a gente vai mesmo ver a mamãe?", perguntou Alice, erguendo o rostinho com olhos que oscilavam entre a expectativa e a ansiedade.

"Com certeza", Henrique ajustou o paletó, com uma voz firme e decidida. "Sua mãe ficará radiante ao ver vocês."

O assistente aproximou-se rapidamente e entregou uma pasta: "Sr. Henrique, confirmamos a localização da patroa. Ela está em um ateliê de cerâmica na zona leste, acompanhada por... aquelas duas pessoas."

Dentro da pasta havia uma foto tirada às escondidas: Clarice estava agachada diante de uma garotinha, limpando ternamente uma mancha de barro de seu rosto. Ao lado dela, um homem alto de óculos a observava com um sorriso. A luz do sol que entrava pelas janelas de vidro banhava os três, criando uma cena de calor familiar que chegava a ferir a vista de Henrique.

Os dedos de Henrique se contraíram involuntariamente, amassando as bordas da foto. Aquele olhar que o homem dirigia a Clarice era algo que ele conhecia bem — era a ternura que ele próprio nunca demonstrara a ela.

"Prepare o carro", ordenou ele friamente. "Vamos para lá agora."

Durante o trajeto, Vitor e Alice permaneceram estranhamente quietos. Eles ficaram debruçados na janela, observando a paisagem da cidade desconhecida, com as mãozinhas apertando nervosamente as barras de suas roupas. Henrique notou que as crianças haviam vestido propositalmente as roupas que Clarice lhes comprara no ano passado — embora já estivessem um pouco apertadas.

"Papai," Vitor perguntou subitamente em voz baixa, com uma expressão de extrema insegurança em seu semblante infantil. "Você acha que a mamãe vai nos perdoar?"

Henrique não respondeu de imediato. Ele se lembrou da expressão de dor de Clarice no vídeo ao ser empurrada da escada, e de seu vulto decidido ao partir.

"Vai sim", acabou dizendo, sem saber se mentia para os outros ou para si mesmo. "Sua mãe ama vocês mais do que tudo, como ela poderia não querer vocês?"

O carro parou diante do ateliê "Barro e Arte". Através da fachada de vidro, Henrique avistou Clarice imediatamente. Ela vestia uma camiseta branca simples e calças jeans, com o cabelo preso casualmente, concentrada em moldar um pedaço de argila. O sol dourava seu perfil, fazendo-a parecer suave e radiante.

A pequena Mel, subitamente, pegou um punhado de barro e o passou de brincadeira no rosto de Clarice. Para surpresa de Henrique, em vez de se zangar, Clarice riu e tentou retribuir a brincadeira. Ela sorria com tanta vontade, parecendo genuinamente feliz — era um riso que Henrique não via há eras.

"Mamãe!" Ao ver a cena, Alice desvencilhou-se da mão do guarda-costas e correu para dentro do ateliê. Henrique não teve tempo de impedi-la e apressou o passo para segui-la.

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No instante em que a porta se abriu, o sino tocou suavemente. Clarice ergueu o olhar ao som, e o sorriso congelou em seu rosto.

"Alice?", sua voz tremeu levemente. Seu olhar passou pela criança e pousou em Henrique. Mas a expressão em sua face não era de alegria; era de resistência e frieza.

"O que... o que vocês estão fazendo aqui? Como me encontraram?"

Mel olhava curiosa para os estranhos que invadiram o local, escondendo-se instintivamente atrás de Clarice. Gabriel levantou-se e, discretamente, colocou-se à frente das duas.

"Mamãe!" Vitor também entrou correndo e agarrou-se à perna de Clarice, com os olhos transbordando lágrimas. "Sentimos tanto a sua falta! Mamãe, você esteve com essas duas pessoas todo esse tempo? É por causa deles?"

O olhar que ele dirigiu a Mel era carregado de hostilidade e ressentimento, o que fez a menina apertar ainda mais a barra da roupa de Clarice, assustada.

Clarice paralisou, com as mãos suspensas no ar, sem saber se deveria retribuir o abraço. Ao notar o olhar agressivo de Vitor, ela pareceu despertar subitamente, e seu semblante tornou-se gélido. Ela não os abraçou; pelo contrário, deu um passo para trás.

Seu olhar oscilou entre as duas crianças e Gabriel, fixando-se por fim em Henrique.

"O que veio fazer aqui?", sua voz era baixa, mas afiada como uma lâmina.

Henrique deu um passo à frente, ignorando a presença de Gabriel e focando apenas no rosto de Clarice:

"Clarice... viemos buscar você para ir para casa."

"Pare com isso, o castigo já foi suficiente e as crianças já entenderam o erro... Vamos, volte conosco."

O ateliê mergulhou em um silêncio sufocante. Outros clientes e funcionários pararam o que estavam fazendo para observar a cena.

"Casa?", Clarice soltou um riso de escárnio. "Que casa?"

"Mamãe, volta com a gente!", Alice implorava, balançando a mão de Clarice. Não havia mais rastro da arrogância de antes, apenas súplica e desejo. "Prometemos nunca mais te deixar brava!"

"É verdade, mamãe," Vitor apressou-se em dizer. "Nós expulsamos a Tia Bela! O papai disse que agora só você será nossa mãe!"

A expressão de Clarice mudou ligeiramente. Ela se agachou para ficar na altura das crianças:

"Eu não vou voltar com vocês. Porque nem tudo neste mundo se resolve apenas com um pedido de desculpas."

"Por quê?", Alice começou a chorar copiosamente. "A mamãe não nos ama mais?"

Aquela pergunta foi como uma faca cega, cravada impiedosamente no coração de Clarice.

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