《Nunca Mais Serei a Esposa Invisível》Capítulo 18

Henrique estava parado diante da janela panorâmica de seu escritório, os nós dos dedos batendo ritmicamente sobre a mesa de mogno.

As fotos que o assistente acabara de entregar estavam espalhadas sobre a mesa, cada uma delas parecendo uma lâmina cravada em seus olhos.

"Tem certeza de que é ela?", sua voz soou perigosamente baixa.

"Absoluta", o assistente limpou o suor da testa. "A patroa abriu uma livraria na Cidade das Nuvens e o negócio vai bem. Estas fotos foram tiradas na semana passada."

Nas imagens, Clarice aparecia à porta de uma livraria chamada "Clarice". A luz do sol filtrava-se pelas folhas das árvores, projetando sombras salpicadas sobre ela. Ela vestia um vestido simples de linho, o cabelo estava um pouco mais curto do que quando partira, e ela se inclinava para dizer algo a uma garotinha de cinco ou seis anos.

Havia em seu semblante uma suavidade que Henrique não via há muito tempo.

O que mais o irritava, porém, era o homem ao lado dela — alto, elegante, com um olhar que caía ternamente sobre Clarice por trás das lentes de armação dourada. O homem carregava a menina nos braços, e a imagem dos três juntos exalava uma harmonia sufocante.

"Quem é esse homem ao lado dela?", Henrique pressionou o polegar com força sobre a foto, deixando um rastro borrado no rosto do rival.

"Parece ser um veterano da faculdade da patroa, o nome dele é Gabriel. A menina é sobrinha dele, filha da irmã falecida. Eles mal tinham contato na universidade, parece que se reencontraram por acaso na Cidade das Nuvens."

"No entanto, a patroa parece gostar muito da menina... elas brincam juntas com frequência, e esse Gabriel sempre as acompanha."

"Chega, não precisa dizer mais nada", Henrique o interrompeu com um gesto, sentindo uma pontada de amargura desconhecida no peito.

Como Clarice ousava? Como ousava olhar para outro homem daquela maneira? Aquela doçura... deveria pertencer apenas a ele.

Nesse momento, a porta do escritório foi aberta abruptamente. Alice e Vitor entraram correndo descalços, com vestígios de lágrimas nos rostinhos.

"Papai!", Alice agarrou-se à perna dele. "A Lúcia disse que encontraram a mamãe! É verdade?"

Henrique pegou a filha no colo, seu olhar recaindo sobre os olhos sorridentes de Clarice na foto. Três meses haviam se passado; ela não ligara uma única vez para os filhos, mas era capaz de sorrir tão abertamente para a criança de outro homem em uma terra estranha?

"Vamos buscar a mamãe, por favor?", Vitor puxou a barra do paletó de Henrique. "Estamos com saudade..."

A voz do menino era como uma faca cega, cortando lentamente o coração do pai. Henrique olhou para a imagem daquela "família feliz" na foto e soltou um riso frio.

"Prepare o jato", disse ele ao assistente, enquanto limpava as lágrimas de Alice. "Vamos trazer a mamãe para casa."

Ele se recusava a acreditar que Clarice estivesse realmente interessada naquele médico. Para ele, aquilo era apenas uma provocação — afinal, ela o amara tanto que suportara seis anos de indiferença. Ele tinha certeza de que, se fosse pessoalmente com as crianças, o coração dela amoleceria. Afinal, Clarice nunca suportou ver ele ou os filhos sofrendo.

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Enquanto isso, no ateliê de cerâmica "Barro e Arte" na Cidade das Nuvens, Clarice estava concentrada moldando um pedaço de argila. A pequena Mel estava debruçada na mesa ao lado, com o rostinho sujo de barro.

"Tia Clarice, olha o coelhinho que eu fiz!", a menina mostrou orgulhosa uma escultura toda torta.

Clarice aproximou-se para ver e, subitamente, passou um pouco de barro na ponta do nariz de Mel: "Que coelhinho lindo! Mas o coelhinho não deveria ter um nariz redondinho?"

Mel deu risadinhas e pegou um punhado de argila para contra-atacar. Enquanto as duas brincavam, Gabriel aproximou-se trazendo três xícaras de chá quente, com as lentes dos óculos levemente salpicadas por um pingo de barro.

"Vocês duas...", ele balançou a cabeça com resignação, mas sem conseguir esconder o sorriso. "Transformaram o ateliê em um campo de batalha?"

A luz do sol entrava pela claraboia, iluminando a mesa. Gabriel pegou um lenço e, de forma natural, limpou uma mancha de barro na bochecha de Clarice. Seus dedos hesitaram ao tocar a pele dela; percebendo a proximidade, as pontas de suas orelhas ficaram levemente avermelhadas.

Mel observava a cena com um sorriso travesso. Ela largou o barro e olhou para Clarice com olhos brilhantes: "Tia Clarice, eu estou tão feliz. Seria tão bom se pudéssemos ficar sempre assim, eu, o tio e você, juntinhos para sempre."

O coração de Clarice deu um salto. Ela ergueu os olhos e encontrou o olhar terno de Gabriel por trás das lentes. Havia naquela expressão uma expectativa cautelosa que a fez estremecer.

Contudo, ao pensar em Henrique e naquelas duas crianças... seu olhar inevitavelmente se obscureceu, e ela permaneceu em silêncio.

"Mel", Gabriel interveio suavemente para quebrar o silêncio, empurrando uma pequena tigela que moldara para a sobrinha. "Olhe esta aqui, gostou?"

A atenção de Mel foi desviada com sucesso, e ela esqueceu a pergunta. Clarice baixou a cabeça, os dedos acariciando inconscientemente a superfície áspera da argila. Ela sentia um calor no peito, mas misturado a uma melancolia difícil de explicar.

Ela sabia que Gabriel estava lhe dando espaço — assim como fizera durante todos esses três meses, mantendo sempre uma distância respeitosa, sem nunca ultrapassar os limites.

"Vou trocar a água", disse ela subitamente, levantando-se com pressa.

No banheiro, Clarice encarou seu reflexo no espelho. Três meses haviam se passado; as olheiras haviam sumido, os lábios não estavam mais cerrados de tensão e as marcas em seu corpo haviam desbotado. O sol e a brisa da Cidade das Nuvens pareciam estar cicatrizando feridas invisíveis.

Mas, quando Mel falou em "ficar juntos para sempre", a imagem que surgiu em sua mente foi o rosto de Vitor e Alice — os dois filhos que ela carregou por nove meses e que a empurraram escada abaixo.

Seria possível esquecer o passado completamente?

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