Os empregados agiram com rapidez, arremessando as malas de Isabela, uma a uma, para fora dos portões da mansão.
Suas bolsas de grife, joias, acessórios e cosméticos de luxo ficaram espalhados pelo chão, parecendo nada mais do que uma pilha de lixo desorganizado.
"Você vai se arrepender!", gritava Isabela, histérica, do lado de fora. "Você acha que a Clarice ainda te quer? Ela já estava farta de você há muito tempo!"
O portão pesado se fechou diante dela com um estrondo, silenciando os insultos sórdidos.
A sala mergulhou em um silêncio aterrador.
Henrique abaixou-se lentamente e puxou os dois filhos para um abraço. Os corpos deles tremiam, e as lágrimas que caíam molhavam o tecido caro de seu terno.
"Papai... a mamãe não quer mais a gente de verdade?", perguntou Alice, entre soluços.
A garganta de Henrique deu um nó.
Ele se lembrou do vulto decidido de Clarice partindo, e do acordo de divórcio que ele mesmo assinara sem ler. Uma dor aguda perfurou seu peito.
"Não", disse ele em voz baixa, mais para convencer a si mesmo do que aos filhos, com o cenho profundamente franzido. "A mamãe ama muito vocês... Ela jamais suportaria deixá-los para sempre. Provavelmente só saiu para espairecer um pouco."
"Então por que ela não volta?", Vitor ergueu os olhos marejados, seu pequeno rosto sombrio. "É por causa daquele dia... que a gente empurrou ela da escada?"
Henrique não conseguiu sorrir; apenas limpou as lágrimas do filho com esforço.
"O papai vai encontrar a mamãe."
Após os empregados levarem as crianças para o andar de cima, Henrique permitiu-se desabar no sofá. Ele pegou o celular e ligou para o assistente, ordenando com voz grave: "Descubra o paradeiro de Clarice. Agora mesmo."
Ao desligar, o olhar de Henrique pousou no retrato da família sobre a lareira. Fora tirado há três anos; Clarice estava no canto da foto, com um sorriso nitidamente forçado.
Naquela época, os olhos dele sequer notavam a presença dela, muito menos sua expressão. Agora, revisitando a memória, ele percebeu que fora o seu desprezo constante que a fizera desistir de todos eles.
"Senhor", o mordomo interrompeu seus pensamentos suavemente. "O jantar está servido. Devo chamar o patrãozinho e a menina?"
Henrique assentiu, ainda com o cenho fechado: "Hoje eu jantarei com eles."
Na sala de jantar, Vitor e Alice comiam desanimados, sem rastro da agitação de outrora. Devido à negligência que sofreram recentemente, as duas crianças, antes saudáveis e coradas, estavam visivelmente mais magras.
"Papai", chamou Alice baixinho, sem qualquer sombra da arrogância de antes. "Sinto falta da mamãe... Para onde ela foi? Por que demora tanto?"
"Quando você a encontrar... ela vai nos perdoar?"
A mão de Henrique hesitou por um segundo. Por algum motivo, ele não conseguia dar uma resposta definitiva. Mas, ao pensar em como Clarice se sacrificara pela família todos esses anos e no amor que ela dedicava a ele e aos filhos, ele finalmente assentiu.
"Aconteça o que acontecer, ela é a mãe de vocês", afirmou ele com convicção. "Ela sempre os amou mais do que tudo, com certeza os perdoará."
No silêncio da madrugada, Henrique permaneceu sozinho no escritório, revisando as gravações das câmeras de segurança dos últimos seis meses.
Nas imagens, Clarice aparecia sempre em silêncio, cuidando da casa, dos filhos e esperando por ele. Ela raramente sorria, mas sempre que as crianças precisavam, ela era a primeira a surgir.
Até aquele dia fatídico — em que os dois filhos a empurraram escada abaixo e ele, Henrique, sequer olhou para trás para acudi-la.
Henrique desligou o monitor, sentindo um aperto sufocante no peito.
Ele prometeu a si mesmo: assim que trouxesse Clarice de volta, ele a trataria com toda a dedicação que ela merecia.