Depois daquele dia, Henrique passou a usar frequentemente viagens de negócios como pretexto para raramente voltar para casa.
Com a ausência constante dele, Isabela sentia-se ainda mais à vontade. Seus dias eram preenchidos entre idas a clínicas de estética e salões de beleza.
Vitor e Alice ficaram sem ninguém para levá-los e buscá-los na escola. Como Isabela, para ganhar a afeição deles, costumava pedir dispensas secretas e levá-los para passear, as crianças acabaram aprendendo o mau exemplo: começaram a matar aula por conta própria, escondendo-se em qualquer lugar durante o período escolar.
Quando Isabela soube disso, não deu a mínima importância.
"Senhora, o patrãozinho e a menina estão faltando às aulas constantemente. A escola já ligou para cá dizendo que espera que o senhor e a senhora possam intervir", relatou uma das empregadas. "Eles não ouvem a nós, os subalternos. A senhora não poderia vir para casa conversar com eles? Pelo menos para convencê-los a ir à escola."
"Certo, já estou ciente. Eu resolvo isso depois", respondeu Isabela, deitada languidamente em uma cadeira de massagem, admirando as unhas que acabara de fazer. "Não precisam comentar isso com o Henrique. Ele já está ocupado demais com o trabalho, não quero que se desgaste com essas bobagens."
Ao desligar o telefone, uma de suas amigas comentou em tom de deboche:
"Não me diga que você vai mesmo se dar ao trabalho de cuidar daqueles dois estorvos? Escuta, casar com um bilionário é maravilhoso, mas carregar esses dois pequenos junto é um fardo insuportável."
"Quem disse que eu vou cuidar deles?" Isabela soltou um bocejo preguiçoso, com um brilho de astúcia nos olhos. "Eu quero mais é que eles se tornem inúteis. Assim, no futuro, não terão competência para disputar a herança com os meus próprios filhos."
Dito isso, ela discou para o professor responsável por Vitor e Alice.
"Professor, as crianças precisam ficar em casa por alguns assuntos familiares ultimamente. Se eles não comparecerem, não se preocupe muito. O senhor conhece a posição da nossa família; eles não precisam levar o desempenho escolar tão a sério."
"Além disso, o pai deles está muito atarefado. Qualquer assunto, trate diretamente comigo, não o incomode."
Após desligar, ela sentiu-se completamente aliviada e logo esqueceu o assunto.
Naquela mesma noite, após terminar seus procedimentos estéticos, ela raramente retornou cedo para casa.
A sala estava um caos, bagunçada pelas crianças. Ao vê-la entrar, os dois correram alegremente em sua direção:
"Tia Bela, você finalmente voltou! Estávamos com saudade!"
Contudo, para a surpresa deles, Isabela, que costumava recebê-los com sorrisos calorosos, exibia agora uma expressão gélida e distante.
Ela os ignorou com impaciência:
"Já entendi. Tenho coisas para resolver, vão brincar sozinhos por um tempo."
Vitor, achando que ela ainda era a mesma pessoa que vivia tentando agradá-lo, jogou um brinquedo no chão, irritado:
"Não! Eu quero que você brinque com a gente agora!"
Para seu espanto, ao ouvir isso, a expressão de Isabela tornou-se subitamente assustadora. Aqueles olhos, outrora doces e afáveis, não continham mais nenhum vestígio de gentileza.
"O que você disse? Quem você pensa que é para gritar comigo?"
"Você tem noção de que, em breve, eu me casarei com o seu pai e serei a nova dona desta casa?"
"O pai de vocês nunca suportou aquela mãe fracassada que vocês tinham e, em breve, ele vai começar a detestar vocês também."
As duas crianças, aterrorizadas, abraçaram-se com força, sem ousar sequer respirar direito.
Onde estava a arrogância que demonstravam quando maltratavam Clarice?
"Espero que tenham entendido. Lembrem-se: de agora em diante, nesta casa, vocês farão o que eu mandar. Se voltarem a gritar comigo, não me culpem pelo que eu possa fazer."
Dito isso, ela lançou um último olhar de advertência para os dois e subiu as escadas friamente.