《Nunca Mais Serei a Esposa Invisível》Capítulo 8

Quando Clarice abriu os olhos novamente, a luz branca ofuscante a fez semicerrar as pálpebras por instinto.

O cheiro de desinfetante invadiu suas narinas, acompanhado pelo som rítmico de "bipe" do monitor cardíaco ao lado de sua orelha.

"Acordou?" O médico aproximou-se para examinar suas pupilas. "Três costelas quebradas. Felizmente, você foi socorrida a tempo, caso contrário, não teria sobrevivido."

Clarice olhou fixamente para o teto, enquanto a última cena antes da queda do elevador ressurgia em sua mente.

Henrique escolheu salvar Isabela sem hesitar. Quando a porta de metal deformada desabou sobre ela, ele sequer olhou para trás uma única vez.

Ela tentou se mexer, e uma dor aguda espalhou-se imediatamente do peito para todo o corpo.

Curiosamente, ela não conseguiu derramar uma única lágrima. Talvez, quando a dor atinge o ápice, até o coração se torna anestesiado.

Três dias depois, Henrique veio buscá-la para a alta do hospital.

Ele parou à porta do quarto, impecável em seu terno. Seu olhar pousou sobre o peito dela coberto de bandagens; ele permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de falar: "A Isabela ainda pretende dançar profissionalmente, eu não podia permitir que nada acontecesse às pernas dela."

Clarice ergueu a cabeça lentamente e o encarou.

"Por isso, você teve que ser sacrificada," ele disse com um tom calmo, como se falasse sobre o clima. "Você é dona de casa. Mesmo que tenha dificuldades de locomoção, o impacto não será grande."

Clarice não disse nada. Apenas, pela primeira vez, enxergou com clareza absoluta o homem que amou por metade da vida.

Suas feições ainda eram belas como as de uma divindade, mas naqueles olhos nunca houve espaço para a imagem dela.

"Henrique," sua voz soou rouca. "Se eu tivesse morrido naquele dia, você teria se importado?"

Henrique franziu o cenho ainda mais, sem responder.

Ele tirou um cartão preto do bolso interno do paletó e o colocou sobre o criado-mudo: "Não faça perguntas sem sentido. Isso é uma compensação. Desde que você se comporte e crie bem os dois filhos, você sempre será a Sra. Henrique."

Clarice, de repente, soltou uma risada.

Na vida passada, ela carregou o título de "Sra. Henrique" até a morte, mas o que isso mudou?

Foi ela quem envelheceu na solidão, foi ela quem foi esquecida e foi ela quem morreu consumida pelas chamas.

Portanto, nesta vida, ela não fazia questão de ser a esposa dele.

Ela viveria melhor, brilharia mais e teria alguém que realmente a amasse...

Ela não conseguiu mais se conter; as palavras estavam prestes a sair, ela ia dizer que não o queria mais.

"Henrique, eu..."

O toque do celular interrompeu sua fala subitamente.

Henrique atendeu o telefone, e a voz doce de Isabela ecoou pelo receptor: "Henrique, eu e as crianças estamos te esperando no restaurante. Temos uma surpresa!"

O olhar dele suavizou-se instantaneamente: "Chego em um minuto."

Ao desligar, Henrique olhou para o relógio e seu tom voltou a ser frio: "Tenho um compromisso. O motorista está te esperando lá embaixo."

Suas costas, enquanto ele se afastava, eram eretas e distantes. Clarice enterrou as unhas na palma da mão inconscientemente, mas acabou não dizendo nada para detê-lo.

Esqueça. De qualquer forma, em breve ele saberia por Isabela que o acordo de divórcio já estava em vigor. Ela não o queria mais, e aquelas duas crianças que a tratavam como uma estranha... ela também não as queria mais.

"Lúcia," Clarice apertou o botão de chamada para a governanta. "Leve minhas malas para o aeroporto."

Uma hora depois, ela deletou todos os contatos de Henrique e deixou o cartão preto na gaveta do quarto de hospital.

Quando o avião decolou, as nuvens do lado de fora da janela foram tingidas de um dourado avermelhado deslumbrante pelo pôr do sol.

Clarice contemplou aquele céu magnífico e fechou os olhos com um sorriso.

Nesta vida, ela nunca mais se anularia por ninguém.

Aqueles dias de humilhação em nome do amor desapareceriam para sempre no horizonte, junto com aquele avião.

O que a esperava à frente era um futuro totalmente novo, pertencente apenas a ela.

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