《Nunca Mais Serei a Esposa Invisível》Capítulo 7

As discussões dos convidados chegavam nitidamente aos ouvidos de Clarice.

"Eu fui colega de faculdade do Sr. Henrique e da Srta. Isabela. Naquela época, o jeito que ele a mimava era algo avassalador", disse um homem de terno, baixando o tom de voz. "Faltou pouco para ele não a pedir em casamento antes mesmo da formatura."

"Com razão!", exclamou a pessoa ao lado, como se tivesse tido uma epifania. "O primeiro amor é sempre o primeiro amor. Mesmo sem o título oficial de esposa, ela sempre será a pessoa mais importante."

"Algumas pessoas fazem de tudo para entrar na família, mas e daí?", alguém comentou com um olhar de desprezo para Clarice. "Mesmo tendo filhos, de que adianta se não consegue o coração do marido? Para mim, ela está destinada a passar o resto da vida amargurada e sozinha."

Clarice ouvia tudo em silêncio. Seu coração parecia envolto em uma espessa camada de gelo; era uma sensação de peso, mas que já não doía mais.

Ela respirou fundo e caminhou em direção ao elevador.

No instante em que as portas estavam prestes a se fechar, uma mão impediu o movimento.

Isabela entrou elegantemente em seus saltos altos, com um leve sorriso nos lábios vermelhos.

"O período de reflexão do divórcio termina em três dias", disse ela, encarando Clarice nos olhos. "Você vai cumprir o acordo e ir embora, não vai?"

Clarice apertou o botão do primeiro andar: "Com certeza."

"Eu sou a pessoa que mais deseja partir o quanto antes."

Isabela finalmente exibiu um sorriso de satisfação: "Fique tranquila, eu cuidarei bem desta casa por você."

"Afinal, nem o Henrique nem as crianças gostam de você. Eles vão te esquecer aos poucos."

O elevador começou a descer lentamente. Clarice não respondeu.

De repente—

CABUM!

Um estrondo violento ecoou. O elevador deu um solavanco brutal e mergulhou na escuridão total.

"Aaaaaah!", Isabela gritou, pegando o celular em pânico. "Henrique! Socorro! O elevador quebrou!"

Clarice foi arremessada com força contra a parede. Uma dor lancinante atingiu sua testa, e um líquido quente começou a escorrer por sua bochecha.

Não se sabe quanto tempo passou até que passos apressados fossem ouvidos do lado de fora.

"As pessoas aí dentro estão bem?", a voz de um socorrista atravessou a porta metálica.

"Tirem a gente daqui rápido!", Isabela gritava, esmurrando a porta. "Minha perna está presa!"

O som estridente de metal sendo forçado ecoou, e um feixe de luz ofuscante invadiu a cabine.

O socorrista espiou a situação com uma expressão grave: "Sr. Henrique, as pernas das duas senhoras estão presas pelas portas deformadas. O tempo é crítico e só podemos tirar uma de cada vez agora. Quem o senhor quer que salve primeiro?"

Através de sua visão turva, Clarice viu Henrique parado atrás do socorrista com as duas crianças.

O olhar dele fixou-se em Isabela e, sem hesitar por um segundo sequer, ele disse: "Salvem a Isabela."

"Salvem a Tia Bela primeiro!", Vitor e Alice imploravam chorando, puxando a manga do socorrista. "Rápido, tirem ela!"

O socorrista franziu o cenho: "Sr. Henrique, menino, menina... a outra senhora está com ferimentos muito mais graves. Recomendamos salvá-la primeiro."

"Eu já disse: salvem a Isabela!", a voz de Henrique era fria como o gelo.

O socorrista suspirou e começou a puxar Isabela com cuidado.

Clarice assistiu enquanto eles retiravam Isabela com toda a cautela do mundo. No momento em que ela foi removida, a porta do elevador, que perdera metade de seu suporte, emitiu um rangido aterrorizante—

ESTRONDO!

O metal retorcido desabou com todo o peso sobre as pernas de Clarice. Uma dor agoniante, que parecia perfurar seus ossos, tomou conta de seu corpo instantaneamente.

A última imagem que ela viu foi Henrique carregando Isabela no colo enquanto se afastava, e o vislumbre das duas crianças comemorando com saltos de alegria.

A escuridão devorou sua consciência completamente.

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