《Nunca Mais Serei a Esposa Invisível》Capítulo 1

Após renascer, Clarice percebeu que havia retornado aos seus 27 anos.

Tinha um casal de filhos e era casada com Henrique, o homem mais rico do mundo. Ocupando o topo da lista da Forbes e eleito pela revista Time como o solteiro número um que todas as mulheres do planeta desejavam, ele era o homem que até a realeza britânica cobiçava para suas princesas.

Todos diziam que ela era uma mulher de sorte, mas a primeira coisa que ela fez foi levar o acordo de divórcio até o antigo amor dele.

Ela empurrou o documento diante de Isabela e disse calmamente: "Eu quero o divórcio. O Henrique é seu, e as duas crianças também."

Isabela olhou para ela em choque, incapaz de acreditar que aquela mulher, que ocupou o lugar de esposa de Henrique por seis anos, estaria cedendo sua posição de forma tão repentina e voluntária.

Clarice apenas acrescentou com indiferença: "Já que eles gostam mais de você, eu vou realizar o desejo de todos. Você só precisa fazer o Henrique assinar. Assim que o período de reflexão terminar, eu irei embora."

Desta vez, ela nunca mais repetiria os mesmos erros. Não seria mais aquela "Sra. Henrique" ignorada por todos.

As pontas dos dedos de Isabela acariciaram a borda da xícara inconscientemente, com a testa franzida. "Clarice, que tipo de jogo você está tentando jogar?"

Clarice observou as expressões mutáveis no rosto de Isabela e repetiu com serenidade: "Não estou jogando nada. Apenas me cansei."

"Clarice, você tem ideia de quantas mulheres lá fora dariam tudo para estar no seu lugar?"

"Eu sei." Clarice olhou diretamente nos olhos dela. "Por isso, estou entregando a você."

A expressão de Isabela finalmente vacilou.

Ela encarou o acordo por um longo tempo e, por fim, decidiu pegá-lo: "Está bem. Já que você é tão generosa, eu não vou recusar."

"Mas lembre-se: o que cai nas minhas mãos, eu nunca mais deixo escapar."

"Fique tranquila," Clarice deu um leve sorriso, "eu jamais me arrependerei."

Afinal, em sua vida passada, ela já havia provado o gosto amargo de uma vida inteira de solidão.

Isabela se levantou, sentou-se em outra mesa do café e, com elegância, pegou o celular, deslizando os dedos pela tela.

Quando a ligação foi atendida, sua voz tornou-se instantaneamente suave: "Henrique, estou no Blue Mountain Café. Você pode vir me buscar?"

Clarice, sentada ao lado, sentiu um sorriso amargo surgir em seus lábios.

Houve um tempo em que, se ela ligasse para Henrique, em nove de cada dez vezes quem atendia era o assistente.

E agora, em menos de vinte minutos, aquele homem que estava sempre "em reunião" apareceu na porta da cafeteria.

Através da vidraça, Clarice viu Henrique entrar no local com passos largos, o terno preto sob medida realçando seu porte imponente.

Vitor, o filho de seis anos, e Alice, a filha de quatro, correram para os braços de Isabela assim que a viram, cobrindo-a de beijos e abraços.

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"Tia Bela!" Alice chamava com uma voz doce, esfregando o rostinho carinhoso no colo de Isabela.

Henrique colocou uma caixa de bolo sobre a mesa e, com seus dedos longos, empurrou-a delicadamente: "O sabor de matcha que você gosta. Pedi ao chef para colocar menos açúcar, especialmente para você."

Os olhos de Isabela brilharam: "Você ainda se lembra com tanta precisão."

Clarice, sentada no canto, cravou as unhas na palma da mão sem perceber.

Em seis anos de casamento, Henrique nem sequer sabia qual era o sabor favorito dela.

Na vida passada, quando ela estava internada, quis comer um bolo de morango. Ele pediu ao assistente para comprar qualquer um, e o resultado foi um bolo de manga, sabor ao qual ela era alérgica.

"O que quer jantar hoje à noite?" A voz de Henrique era profunda. "Comida francesa ou chinesa?"

Isabela sorriu levemente e tirou o acordo de divórcio da bolsa: "Antes disso, há um documento que eu gostaria que você visse."

Ela abriu o acordo na página da assinatura. "Eu gostei de uma mansão, mas não tenho capital de giro suficiente no momento. Você poderia..."

Henrique pegou a caneta e assinou diretamente, sem sequer olhar o conteúdo: "Entre nós, por que ser tão formal?"

"A Tia Bela vai comprar uma casa nova?" Vitor perguntou, olhando para cima. "Papai, compra uma casa ao lado também! Eu e minha irmã queremos morar com a Tia Bela. Não queremos ficar com a mamãe todo santo dia."

Henrique franziu levemente a testa, mas ao ver o olhar esperançoso das duas crianças, cedeu: "Então compraremos uma."

"Não precisa de tanto incômodo," disse Isabela apressadamente, "eu reservarei três quartos para o Vitinho, a Alicinha... e para você. Pode vir morar quando quiser."

As duas crianças vibraram de alegria. Alice chegou a abraçar o pescoço de Isabela e dar-lhe um beijo: "A Tia Bela é a melhor! Mil vezes melhor que a mamãe!"

O coração de Clarice parecia ser esmagado por uma mão invisível, uma sensação de amargura tão profunda que ela mal conseguia respirar.

Ela viu o leve curvar dos lábios de Henrique, uma ternura que ele nunca havia dedicado a ela.

Incapaz de continuar assistindo àquela cena, ela pegou sua bolsa e se retirou.

No momento em que cruzou a porta, as memórias da vida passada vieram como uma maré avassaladora.

Naquela existência, ela e Henrique tiveram um casamento de conveniência, tiveram dois filhos e ela viveu até os 62 anos, mas nunca foi feliz.

Tudo porque o coração de Henrique sempre pertenceu à Isabela, seu primeiro amor da juventude.

Quando eles terminaram anos atrás, Isabela foi para o exterior. Henrique passou dias bebendo, mas, orgulhoso como era, nunca se humilhou para trazê-la de volta e acabou aceitando o casamento arranjado pela família.

Henrique era o sonho de juventude dela, nobre como uma divindade. Qual das damas da alta sociedade não sonhava em se casar com o herdeiro do Grupo Henrique?

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Por isso, ao saber que as duas famílias iriam se unir, ela ficou radiante de alegria.

Contudo, após o casamento, ela entregou todo o seu amor, apenas para receber em troca a eterna distância e frieza de Henrique.

Até que Isabela retornou ao país.

Ele não pediu o divórcio a Clarice, mas seus olhos nunca mais deixaram Isabela.

O que era pior: os dois filhos também adoravam Isabela e foram se afastando de Clarice gradualmente.

Em sua velhice, Clarice foi diagnosticada com Alzheimer. Henrique, sob o pretexto de "repouso", a abandonou sozinha na mansão antiga da família.

No dia de seu aniversário, com as mãos trêmulas, ela ligou para o marido e para os filhos, apenas para descobrir que eles estavam acompanhando Isabela em férias nas Maldivas.

Ela tentou cozinhar uma tigela de macarrão para comemorar sua longevidade, mas, devido à confusão mental, esqueceu o fogo aceso...

Enquanto as chamas consumiam seu corpo, a última lembrança de Clarice foi o olhar gélido de Henrique quando ele colocou a aliança em seu dedo.

Ela fechou os olhos com dor. O único desejo em seu coração era que, se houvesse uma próxima vida, ela nunca mais desperdiçaria sua existência por causa dele.

Quando Clarice voltou para a vila, já era tarde da noite.

No entanto, ela não descansou. Começou imediatamente a limpar suas coisas.

Ternos e camisas de Henrique, brinquedos das crianças, fotos de família... tudo era jogado dentro de caixas de papelão, um por um.

"O que você está fazendo?" A voz de Henrique ecoou subitamente atrás dela.

Clarice se virou e o viu parado à porta, segurando a mão das duas crianças, com a testa franzida.

"Por que a mamãe está jogando nossas coisas fora!" Alice correu, e ao ver seu ursinho de pelúcia ser colocado na caixa, seu rostinho ficou vermelho de raiva.

Vitor também olhou para ela com fúria: "Nós só fomos brincar um pouco com a Tia Bela, precisa ficar com tanta raiva assim?"

Henrique a observava com seu habitual olhar gélido: "As crianças gostam de estar com a Isabela. Precisa mesmo fazer essa cena por uma coisa tão pequena?"

"Não estou com raiva," disse Clarice calmamente.

"Mentirosa!" Alice gritou. "Você está com inveja da Tia Bela! Por isso jogou meu ursinho, você é uma mãe má!"

"Quando eu crescer, vou morar com a Tia Bela," Vitor disse, segurando a mão da irmã e olhando com desprezo, "e nunca mais voltarei para te ver!"

Henrique não impediu a gritaria das crianças. Apenas franziu levemente o cenho, seus olhos profundos passando friamente por Clarice. Aquele olhar era como se ele estivesse vendo uma estranha causando problemas sem motivo.

"Basta." Seus lábios finos se abriram, a voz grave carregada de uma nobreza inata enquanto ele ajustava as abotoaduras com indiferença. "Tenho uma videoconferência com o conselho administrativo. Jogue o que quiser, só não faça barulho."

No instante em que a porta se fechou, as lágrimas de Clarice finalmente caíram.

Seu coração parecia despedaçado, e cada respiração trazia um gosto metálico de sangue.

Ela enxugou as lágrimas, olhou para a bagunça no chão e, de repente, sorriu.

Fique tranquilo. Ela não faria barulho.

Nunca mais, pelo resto de sua vida.

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